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“Temos a certeza de que a retomada do crescimento passa pelo mercado de capitais”

Recebemos hoje, em São Paulo, 19 jornalistas para o almoço anual com a imprensa, que reuniu nossa diretoria, presidentes de comitês e membros do corpo técnico. Confira a íntegra do discurso do presidente Robert van Dijk na ocasião:

"Bom dia a todos!

É uma honra recebê-los aqui, na nossa casa.

Vocês, jornalistas, são parceiros muito importantes neste nosso desafio de desenvolver o mercado de capitais.

Desafio que se faz ainda mais necessário em cenários tão complexos como o que atravessamos hoje.

A taxa de desemprego é a maior dos últimos cinco anos. A atividade econômica dá sinais ainda tímidos de retomada, e as contas públicas fecharam 2016 com o pior resultado da série histórica. No cenário externo paira a incerteza diante da possibilidade de mudanças na ordem mundial.

Já, neste início de ano, outros indicadores, mais positivos, nos mostram que o processo de deterioração da economia foi interrompido.

Os juros começaram a cair, e a inflação segue rumo ao centro da meta. Somadas às medidas de ajuste fiscal já adotadas, os juros e a inflação em queda são condições imprescindíveis para a retomada da confiança, tão necessária para as decisões de investimento.

A reativação dos negócios, no entanto, depende de premissas que nos permitam construir uma visão de longo prazo. O Brasil não pode mais prescindir de medidas que tenham sustentabilidade, sob o risco de continuarmos comprometendo o nosso futuro em detrimento do imediatismo e das próximas eleições.

Precisamos de uma agenda de reformas estruturais. Sem elas, o país corre o risco de ver os fracos sinais positivos se esgotarem em pouco tempo. Essa agenda requer a união de esforços de toda a sociedade.

A responsabilidade fiscal implica medidas muitas vezes duras, mas necessárias. Exemplo disso é a reforma previdenciária, um tema longe de ser consenso, mas de suma relevância para a sustentabilidade orçamentária do nosso sistema de seguridade social.

Da mesma forma, também é preciso reavaliar o papel do estado e perseguir um modelo que seja coerente, eficiente e tenha capacidade gerencial para liderar esse movimento transformador, sem o qual não avançaremos.

Temos a certeza e confiança de que a retomada do crescimento passa pelo mercado de capitais. A ANBIMA, como representante dos mercados financeiro e de capitais, não poderia prescindir de sua contribuição neste debate, que exige a participação de todos.

Dentro de casa, elegemos alguns temas sobre os quais nos debruçamos – tributação, previdência, tecnologia e distribuição. Esses assuntos foram escolhidos em razão do momento e da importância que têm para os mercados.

Tributação é assunto recorrente na nossa pauta. Nosso objetivo é a construção de uma agenda que obedeça a algumas premissas. As principais são simplificação, coesão, coerência e simetria. Essa é uma discussão complexa, que requer o exercício de amplo diálogo na busca de consenso.

Nesse contexto, um primeiro trabalho em curso visa estimular o uso das fontes privadas de financiamento de longo prazo. Esta é uma discussão urgente para o país e sobre a qual já começamos a conversar com a Fazenda e com o BNDES. Em paralelo, queremos definir uma agenda mais ampla para tributação, definida a partir do levantamento de sugestões colhidas junto a cada segmento que representamos.

Também olhamos com atenção para a previdência. Queremos identificar os gargalos e os entraves regulatórios que inibem o crescimento da previdência complementar. Esse é um importante e necessário instrumento de poupança de longo prazo. Estamos olhando para as experiências internacionais no campo da previdência. O objetivo é identificar possíveis aprimoramentos regulatórios e desenvolver atividades de caráter educacional.

Em outra frente, olhamos para a área de distribuição com especial atenção para os impactos dos avanços tecnológicos. Não poderíamos ignorar o tema, dada a importância dele para o futuro de nossos mercados. Inovações tecnológicas, como as plataformas digitais, são capazes de mudar a dinâmica dos negócios. Já começamos um trabalho de mapeamento dessas estruturas. O objetivo é identificar onde elas estão e quantas são.

Ainda na área de distribuição, notamos mundialmente um processo evolutivo, um redirecionamento do foco de produto para atividade. Seguindo a tendência internacional, trabalhamos pela consolidação dos nossos códigos de Varejo e de Private, que serão transformados em um único documento, o código de distribuição.

O novo código é o primeiro movimento da nossa autorregulação a ter esse olhar para a atividade de distribuição, e não para o produto, como fizemos historicamente.

Estas são algumas ações que merecerão nossa energia e atenção ao longo deste ano. Mas o nosso trabalho não para por aí. Definimos recentemente um plano de ação que lista um conjunto de iniciativas que levaremos adiante em 2017. Não se trata de uma lista de desejos. É um plano de trabalho que vai nos exigir esforço, dedicação e diálogo. Esse conjunto de ações foi construído com a participação de todos os nossos comitês. São 22 comitês no total – um retrato da pluralidade da ANBIMA.

Ao longo deste ano, vamos dar continuidade à agenda de aperfeiçoamento e valorização da indústria de fundos. Estamos intensificando as conversas com os reguladores com o firme propósito de dar aos fundos de investimento a importância que eles têm como aglutinadores de poupança, além do papel relevante na absorção da dívida pública; privada e ações.

Também queremos melhorar a comunicação com o investidor. Hoje, temos muitas ofertas de conteúdo sobre finanças e sobre investimentos. A multiplicação dos canais digitais facilita isso. Para o cliente, nem sempre fica claro o que é propaganda e o que são ações educativas. Iremos dar atenção a isso.

Enfim, ainda temos muito trabalho a fazer e um longo caminho a percorrer para alcançar uma recuperação consistente e sustentável. Mas uma certeza temos: o mercado de capitais é peça-chave neste processo e a ANBIMA se coloca a serviço deste desafio.

Sou grato a todos vocês pela presença."