Boletim de Fundos de Investimentos

Cresce alocação do varejo nos multimercados

A alocação de recursos das pessoas físicas nos fundos de investimentos vem respondendo por movimentos relevantes na indústria.  O segmento do varejo, além de manter participação expressiva nos fundos de renda fixa (86,0 % dos recursos alocados em julho), registrou crescimento nas aplicações em fundos Multimercados (8,6%), revertendo a trajetória de queda nos mesmos períodos dos anos anteriores. Em julho do ano passado essa parcela era de 6,9%.

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Esse movimento refletiu a busca destes investidores por maior rentabilidade, sobretudo em aplicações de durations de médio e longo prazo, que vem se beneficiando com a perspectiva de reduções das taxas de juros – O IMA-B 5+, que reflete a carteira das NTN-Bs acima de cinco anos apresentou retorno de   4,67% e 10,43% em julho e no ano, respectivamente.  

Em agosto, a indústria de fundos de investimentos captou R$ 50,0 bilhões, um avanço de 65% em relação ao mês anterior. As classes de fundos de renda fixa e multimercados representaram 66% do montante mensal captado, com R$ 25,0 bilhões e R$ 8,0 bilhões, respectivamente. O desempenho destes fundos também explica o expressivo volume total captado no ano até agosto – R$ 205,8 bilhões contra R$ 88 bilhões do mesmo período do ano anterior. Os fundos de renda fixa e multimercado captaram em 2017 R$ 102,4 bilhões e R$ 58,2 bilhões, respectivamente. 

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Entre os tipos de fundos, o destaque foi o Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento que captou R$ 15,0 bilhões no mês, correspondente à 60,1 % do total captado em renda fixa. Entre os Multimercados, o tipo Macro registrou captação de R$ 2,4 bilhões, equivalente à parcela de 30% do total desta classe. 

A performance positiva dos ativos de renda fixa vem se refletindo nas rentabilidades dos fundos de maior patrimônio.  Em agosto, os tipos de renda fixa Duração Baixa Grau de Investimento e Duração baixa soberano registraram variações de 0,83% e 0,80%. Entre os Multimercados, os tipos Livre e Macro variaram 1,41 % e 1,39 %. O ambiente de baixa inflação e consequente redução dos juros – o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA prevê a taxa Selic em 7,00% para o final de 2017 - além da divulgação do IPCA de agosto (0,19%) abaixo do previsto pelo mercado, poderá ocasionar expectativas de reduções adicionais nas taxas de juros, o que manteria retornos atraentes para estes segmentos.

Nota: “O anexo do boletim foi republicado em 14/9 devido a um ajuste efetuado na página 7”.