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Corrupção e problemas políticos resultam em baixa produtividade nas empresas brasileiras

Economista Claudio Ferraz falou sobre a relação entre economia, instituições e um caminho para o Brasil

Alguns fatores afetam a produtividade brasileira no dia a dia, como a baixa inovação na indústria, falta de concorrência, tempo elevado para abrir um negócio e problemas com infraestrutura. “São aspectos que trazem mais dificuldades para as empresas brasileiras se desenvolverem do que aquelas enfrentadas pelas companhias de outros países”, afirmou Claudio Ferraz, economista e professor da PUC Rio, durante o Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais nesta terça-feira (4) em São Paulo.

Em painel que falou sobre a relação entre economia, instituições e perspectivas de longo prazo, ele defendeu que esses problemas são sintomas de outros maiores. “Tem alguém tomando decisões que escolhe essa situação – são os políticos eleitos”, concluiu. A quantidade de dinheiro na política aumentou cinco vezes em 20 anos, de 1994 a 2014. Mas não porque o brasileiro ficou muito mais interessado no assunto e quer financiar as campanhas – aumentaram as contribuições de empresas, e não de pessoas físicas. Além do dinheiro, o número de partidos e de pessoas querendo entrar na carreira política também explodiu. “As pessoas ficaram mais amantes da pátria? Talvez. Mas talvez tenha outra coisa que explique esse movimento: política no Brasil virou um negócio”, provocou.

 

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Claudio Ferraz, economista e professor da PUC Rio

Ele destaca três aspectos desse cenário. O primeiro é que sobrar dinheiro não é necessariamente bom – ele pode se destinar para corrupção. Segundo, falta concorrência política – apesar de vivermos em uma democracia, ela não é consolidada nem pujante. Por último, falta informação para a população e responsabilização pelos eleitores – causada, também, pela baixa escolaridade do brasileiro.

Revivendo a icônica frase “não existe almoço grátis”, Ferraz afirmou que as empresas recuperam, de alguma maneira, o dinheiro que investem na política. “Pode ser em contratos com governo, proteção de mercado contra concorrentes, acesso a crédito mais barato – todos fatores importantes para aumentar a produtividade de uma empresa”, explicou.

Esse cenário faz com que companhias pouco produtivas consigam sobreviver no mercado enquanto outras mais produtivas, que deveriam ter esses benefícios, acabam morrendo. Assim, é impossível para o país avançar sem uma reforma política que crie mais concorrência nos partidos. Ela precisa estar aliada a reformas econômicas que melhorem a alocação de recursos.

Ferraz lembrou que batemos recordes em insatisfação com a democracia e desconfiança com o Congresso Nacional e com os partidos políticos. “Vivemos um momento histórico nada fácil no país”. Ele citou a frase de Drummond “ao ver a luz no fim do túnel, certifique-se que não é um trem” para concluir: “temos que tomar cuidado com trens nesse momento tão importante do país. Precisamos eleger pessoas adequadas que tomem decisões adequadas e deem andamento às reformas necessárias”.

 

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