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Boletim Renda Fixa

Prefixados acima de um ano registram a melhor performance do segmento

Em dezembro, o IMA-Geral, índice da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) que reflete a variação dos títulos públicos em mercado, apresentou retorno de 0,88% no mês, fechando o ano com variação de 12,82%. Entre os sub-índices do IMA, os títulos prefixados acima de um ano, expressos pelo IRF-M 1+, registraram a melhor performance com variação de 1,46%. O IMA-B 5+, que reflete a carteira das NTN-Bs acima de cinco anos e que apresenta a maior duration entre os índices, avançou 0,79%.

Os resultados de dezembro refletiram, em alguma medida, o desempenho do IMA em 2017, que tiveram performance inferior à obtida em 2016. Naquele ano, o IMA-Geral variou 21,0%. O IRF-M1+ registrou o maior retorno entre os índices em 2017, com variação de 16,7% contra 29,6% auferida em 2016, enquanto o IMA-B5+ valorizou 12,8% em 2017 contra 31,0% no ano anterior. O IMA-S, que reflete a carteira das LFTs marcadas a mercado e que apresenta a menor duration, apresentou a pior performance em 2016 e 2017, com variações de 13,8% e 10,2%, respectivamente.

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Em 2017, as incertezas no campo político, tanto de forma direta como no evento de maio ou as relacionadas à capacidade de aprovação da reforma previdenciária, conforme observado nos últimos meses, afetaram a valorização do IMA-B5+, que tem sua trajetória mais correlacionada às expectativas de médio e longo prazos da economia. O IRF-M1+, por sua vez, teve sua valorização estimulada pelas surpresas positivas na trajetória da inflação de curto e médio prazo, que em diversas ocasiões situou-se abaixo da projeção esperada pelos investidores, provocando o realinhamento dos preços dos títulos prefixados. Por outro lado, a queda de 6,75 pontos percentuais da meta da taxa Selic no ano não favoreceu as LFTs, títulos que são corrigidos pela variação diária desta taxa de juros, limitando o seu potencial de valorização.

O mercado de títulos de renda fixa doméstico fechou 2017 com estoque de R$ 5,9 trilhões em dezembro, um crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior. A parcela correspondente aos títulos públicos (utilizou-se a carteira do IMA como proxy) elevou-se 16,8% em relação a 2016, enquanto a dos títulos de emissão privada avançou apenas 0,5%. Desta forma, os títulos públicos aumentaram a participação no segmento de 54,9% para 58,6%, o que corresponde a um estoque de R$ 3,5 trilhões em dezembro/17.

Entre os principais títulos de emissão privada (corporativos, bancários e de cessão de crédito) destaca-se o crescimento do estoque de CDBs em 2017 (19,3%) em contraponto à redução dos estoques dos demais ativos no ano (debêntures, letras financeiras, LCA e LCI). Conforme já analisado no Boletim de novembro, a vedação da contratação de operações compromissadas com títulos de instituições ligadas às empresas do mesmo grupo direcionou recursos para os CDBs, enquanto a redução dos lastros agrícolas e imobiliários afetou as letras de crédito. Por fim, a exigência de prazo mínimo de dois anos pode ter afetado as emissões de Letras Financeiras, em um momento de redução no prazo das operações de crédito.

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