Anbima espera Selic a 13,75% nesta semana e vê juros elevados por mais tempo
São Paulo, 15 de setembro de 2026 — O Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta queda de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, para 13,75%, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) desta semana.
Segundo Fernando Honorato, coordenador do grupo, a recente redução no ritmo da atividade econômica, combinada com uma trajetória mais moderada de inflação, abre espaço para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros. A projeção para a inflação em 2026, medida pelo IPCA, caiu de 5,1% para 5%.
Após o corte de setembro, o grupo espera que a Selic permaneça em 13,75% até dezembro deste ano. Já para o fim de 2027, a estimativa é que a taxa caia para 12,25%. “Os juros devem seguir elevados por mais tempo, diante de riscos inflacionários derivados dos preços do petróleo, dos efeitos do El Niño sobre as commodities agrícolas e dos impactos da política fiscal e parafiscal, que contribuem para a resiliência da inflação”, avalia Honorato.
A taxa de câmbio deve encerrar 2026 em R$ 5,20, mesmo patamar da estimativa da reunião anterior. A projeção leva em conta um contexto global que segue desafiador. “A combinação de juros externos mais altos, petróleo mais caro e investimentos em inteligência artificial torna o ambiente mais desafiador para os países emergentes”, afirma Honorato.
Já a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi revisada para baixo, de 2% para 1,9%. O grupo estima expansão de 0,2% no terceiro trimestre e 0,2% no quarto. Para 2027, a previsão é de crescimento de 1,3%.
Na análise da política fiscal, os economistas projetam que a dívida bruta do setor público alcançará 83,2% do PIB ao final de 2026, acima dos 83% estimados anteriormente. Para 2027, a projeção foi revisada de 86,9% para 87,2% do PIB.
Todas as análises do Grupo Consultivo Macroeconômico estão disponíveis no Relatório Macroeconômico.
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