Anbima propõe ao BC ajuste no limite de exposição a ativos virtuais
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) propôs ao Banco Central ajuste no limite de exposição aos tipos de ativos virtuais e tokens para fins de classificação prudencial. O pedido foi em resposta à consulta pública sobre o tratamento prudencial de ativos virtuais, enviada sexta-feira (30).
“A segurança do mercado de ativos virtuais depende de regras que assegurem a integridade das operações ao longo de todo o seu ciclo. A Anbima tem atuado para contribuir com um ambiente regulatório que reduza vulnerabilidades e ofereça maior proteção ao mercado, criando condições para que esses ativos se desenvolvam com credibilidade e consistência”, comenta Eric Altafim, diretor da Anbima.
Como funciona a classificação prudencial
O Banco Central organiza os ativos virtuais e tokens em quatro grupos que consideram o grau de risco e a complexidade dos ativos virtuais. Cada grupo possui exigências mínimas específicas de reporte e de capital.
Na ponta menos arriscada estão os tokens de valores mobiliários. Na mais arriscada, os criptoativos sem hedge reconhecido, classificados como os de maior complexidade e que envolvem maior risco.
Pelo texto do edital, nos casos em que as exposições estão enquadradas em um único grupo de menor risco, se 1% do total for alocado em um tipo diferente de ativo virtual, todo o estoque da instituição passa automaticamente a ser classificado como capital de maior risco — criptoativos sem hedge reconhecido — o que impacta diretamente nas exigências que devem ser cumpridas pelas casas e no custo de capital.
Proposta da Anbima
Como alternativa, a Anbima propôs um modelo baseado em dois gatilhos: ao ultrapassar o limite de 1%, apenas o excedente seria classificado no grupo mais complexo. A migração integral ocorreria apenas se a exposição superasse 2% do total.
Segundo a entidade, essa abordagem reduz o risco de reclassificação do estoque motivada por oscilações pontuais de preço e está alinhada às melhores práticas internacionais. “São as regras prudenciais que garantem o equilíbrio entre inovação e estabilidade do sistema. Por isso, é fundamental que essas normas sejam operacionalmente viáveis para as instituições e capazes de mitigar riscos sem gerar efeitos colaterais”, complementa Altafim.
As normas devem ser publicadas ainda no primeiro semestre de 2026. A Anbima espera que o prazo final para adaptação completa do mercado seja janeiro de 2028. O pedido considera a complexidade sistêmica, contratual, tecnológica e de reporte, que demanda prazos adequados para a transição.
A atuação da Anbima
Mesmo após a publicação das resoluções 519, 520 e 521 — marco final da implementação da Lei 14.478/22, que trata da prestação de serviços dos ativos virtuais —, seguem os diálogos entre a associação e o Banco Central para o esclarecimento de dúvidas do mercado e o acompanhamento da implementação das regras.
A expectativa é que a autarquia desenvolva novos planos regulatórios para pontos ainda pendentes, como as regras para emissão de stablecoins e a definição de taxonomia — temas que contam com apoio direto da Anbima.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.