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Anbima vê Selic a 12,5% no fim de 2027, com inflação acima da meta e reduz crescimento do PIB a 1%

São Paulo, 4 de novembro 2026 - O Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima projeta que a  taxa Selic termine 2027 em 12,5% e acredita que a pausa do ciclo de queda dos juros vai até maio do ano que vem, quando deve ser retomada.

"O balanço de riscos piorou nos curto e médio prazos, com pressões vindas tanto do cenário externo quanto do doméstico. Diante desse quadro, acreditamos que o Banco Central adote uma postura mais cautelosa em 2027 e aguarde maior clareza sobre a trajetória da inflação e das contas públicas antes de voltar a cortar os juros", avalia Fernando Honorato, coordenador do grupo. 

As expectativas para a inflação em 2026, medida pelo IPCA, passaram de 5% para 5,1%, enquanto a de 2027 subiu de 4,3% para 4,9%, patamar acima do teto da meta de 4,5%. Segundo Honorato, a piora da percepção do grupo em relação ao quadro inflacionário vem dos novos aumentos nos preços internacionais do petróleo, somados aos efeitos do El Niño sobre as commodities agrícolas e aos possíveis impactos da mudança para a escala 6x1 no mercado de trabalho e da reforma tributária, que entra em vigor no próximo ano. 

A taxa de câmbio deve encerrar 2026 em R$ 5,35, acima dos R$ 5,20 estimados anteriormente. Para 2027, a projeção se mantém em R$ 5,48. "Se o câmbio se estabilizar, o Copom pode dar menos peso aos choques de curto prazo na inflação, mirar um prazo mais longo e ainda fazer algum corte de juros em 2027", explica Honorato.

A projeção para o crescimento do PIB em 2026 foi reduzida de 1,87% para 1,7%. A expectativa para 2027 também teve queda: de 1,34% para 1%.

Na política fiscal, a projeção da dívida bruta para o final de 2026 subiu de 83,2% para 83,4% do PIB. Para 2027, a estimativa passou a indicar 87,4% do PIB, um avanço de 4 pontos percentuais em relação a 2026. 

Todas as análises do Grupo Consultivo Macroeconômico estarão disponíveis em breve no Relatório Macroeconômico. 

Sobre a ANBIMA

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.