Bancos lideram maturidade em sustentabilidade no mercado de capitais, mostra Anbima
São Paulo, 23 de fevereiro de 2026 - Entre a instituições que fazem parte do mercado de capitais brasileiro, os bancos estão na dianteira quando o assunto é sustentabilidade. De acordo com pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), 83% dos bancos publicam relatórios ESG, percentual muito superior à média geral de 30% entre todas as instituições financeiras analisadas.
A principal diferença aparece no grau de maturidade. Enquanto 52% dos bancos se enquadram nos perfis de maturidade mais avançados (“emergente” ou “engajado”, de acordo com a classificação da pesquisa), entre as assets (gestoras de recursos) esse percentual cai para 35%.
As instituições bancárias também se destacam na adoção de indicadores ESG em projetos e na seleção de fornecedores, prática adotada por 70% delas, contra 48% da média geral.
Segundo a Anbima, o desempenho dos bancos em ESG pode ser explicado pelas exigências regulatórias — como a Resolução 139 do Banco Central, que obriga a divulgação de relatórios socioambientais —, que impulsionam a agenda no setor.
Porte também influencia
O nível de engajamento também muda conforme o volume sob gestão. Dentre as empresas com maior PL (acima de R$ 50 bilhões), praticamente todas estão no perfil emergente ou engajado, indicando que, quanto maior o patrimônio líquido, maior o engajamento.
"Casas com maior patrimônio sob gestão têm maior capacidade de alocação. Por isso, tendem a apresentar práticas mais estruturadas e níveis mais altos de engajamento com sustentabilidade", afirma Cacá Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede ANBIMA de Sustentabilidade.
O mesmo acontece em relação ao porte: casas pequenas, com até 10 profissionais, concentram 59% dos perfis menos maduros. Já entre aquelas com mais de 51 pessoas, a maioria (53%) está classificada como emergente ou engajada.
Perfis 'emergente' e 'engajado' são os que mais avançam e somam 39% do mercado
A pesquisa segmenta as instituições em cinco estágios de maturidade em ESG (questões ambientais, sociais e de governança):
- Desconfiado (7%) – Percebe sustentabilidade como obstáculo ao negócio, tem dúvidas e conceitos equivocados sobre o tema (em 2021, eram 4%);
- Distante (38%) – Tem visão simplificada do tema, voltada apenas ao meio ambiente (era 35% em 2021);
- Iniciado (16%) – Começa a estruturar ações, ainda superficiais e focadas em meio ambiente (era 32% em 2021);
- Emergente (28%) – Entende sustentabilidade como compromisso amplo em ESG (era 22% em 2021);
- Engajado (11%) – Integra ESG como parte da estratégia, com coerência entre discurso e prática (era 7% em 2021).
De 2021, quando foi feita a última edição, para cá, a principal mudança foi entre os iniciados: o número de instituições nesse perfil caiu pela metade, de 32% para 16%. Os resultados indicam que essas casas migraram para duas direções: parte delas ganhou maturidade, evoluindo para os perfis mais avançados — emergente e engajado — e a outra parte assumiu posturas menos alinhadas ao tema, engrossando os grupos 'distante' e 'desconfiado'.
Embora os grupos distante e desconfiado correspondam a grande parcela do mercado (45%), o principal crescimento se deu entre emergentes e engajados. Juntos, eles subiram 10 pontos percentuais, passando de 29% para 39%, enquanto desconfiados e distantes cresceram 6 pontos percentuais na mesma base de comparação.
Sobre a pesquisa
A 4ª edição da pesquisa Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais entrevistou 206 instituições associadas ou que seguem a autorregulação da Anbima para avaliar como percebem e integram as práticas ESG em suas estruturas e decisões. Do total, 74% são gestoras de recursos (assets), 11% bancos e 15% outras instituições (corretoras, distribuidoras e securitizadoras). Confira a pesquisa completa.
Dados complementares

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.