COP30: Mercado de capitais e governo devem trabalhar juntos para crescimento dos investimentos sustentáveis, afirma Anbima
Belém, 13 de novembro de 2025 – O presidente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), Carlos André, defendeu que o mercado de capitais e o governo trabalhem em conjunto para que a indústria de investimentos sustentáveis cresça no país. A declaração foi feita no World Climate Summit & The Investment COP, evento da programação paralela da COP30, promovido pela World Climate Foundation em parceria com a Anbima nesta quinta-feira, 13.
“Ter o mercado alinhado às iniciativas governamentais é essencial para que o setor financeiro e a indústria de investimentos se desenvolvam da maneira correta. A combinação entre ações do governo, regulação robusta, autorregulação e educação — estas duas últimas conduzidas pela Anbima — contribui significativamente para que as finanças sustentáveis atraiam novos investidores”, afirma Carlos André.
Entre as recentes ações conduzidas pelo governo com apoio do mercado estão a criação da Taxonomia Sustentável Brasileira e a incorporação dos padrões IFRS S1 e S2 na Resolução CVM 193, que entrará em vigor em 2026 e determina o relato de informações financeiras sobre sustentabilidade e sobre clima, respectivamente, por empresas de capital aberto. “Cada vez mais, é necessário usar os relatórios financeiros de sustentabilidade como uma peça estratégica para avançar a agenda ESG na indústria de investimentos”, afirma Cacá Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede ANBIMA de Sustentabilidade.
EcoInvest e blended finance
O executivo também destaca o EcoInvest, programa que usa leilões de capital de fomento para atrair investidores privados e financiar projetos sustentáveis. Segundo ele, trata-se de um exemplo concreto de blended finance brasileiro que mostra como o financiamento sustentável pode incluir o uso de capital catalítico (de fomento).
Para Fernanda Camargo, diretora da Anbima, “o blended finance foi uma revolução", e é importante dar escala a esse instrumento financeiro. "O EcoInvest furou a bolha e trouxe outros players do mercado para esse tipo de estrutura mista. Ter diferentes instituições ajuda a dar escala para o blended", avalia.
A executiva também fala sobre a necessidade de disseminar informações sobre o tema. "Estamos na COP discutindo como a Anbima pode ajudar. Uma coisa que podemos fazer é traduzir, deixar a linguagem ESG mais fácil para todo mundo. Ajudar um private banker ou um familly officer a entender como um crédito de carbono ou como um projeto de reflorestamento funcionam", explica.
Atração do investidor estrangeiro
Outro passo essencial para a transição é atrair o capital estrangeiro. Segundo Zeca Doherty, diretor-executivo da Anbima, o mercado local tem estrutura robusta para receber o financiamento estrangeiro.
“O mercado de capitais brasileiro demonstra força e resiliência, sustentado pelo crescimento recente e pela evolução do arcabouço legal na última década. Hoje, ele é o maior mercado da América Latina e a indústria de fundos brasileira está entre as dez maiores do mundo, com expansão contínua da base de investidores e produtos. Acreditamos firmemente que o mercado não só é essencial para financiar a economia real, mas também para viabilizar a economia verde”, disse Doherty em painel no evento.
Takahashi concorda. "No Brasil, às vezes perdemos grandes oportunidades. Agora temos a sustentabilidade na nossa frente, e estamos preparados para entrar nessa agenda por completo. A mensagem final aqui é implementação. Temos que abraçar essa oportunidade e fazer acontecer", finaliza.
Agenda: Anbima na COP 30
A Anbima tem ampla atuação na COP30: as iniciativas incluem a realização de eventos em parceria com a CNSeg e a Febraban; participação em debates no Pavilhão Brasil, dentro das Zonas Azul e Verde, programação oficial da COP; e no Investment COP, evento correalizado pela Anbima com a World Climate Foundation.
Confira a agenda da Associação na sexta-feira, 14:
Painel na Green Zone
Investimentos sustentáveis: como os setores financeiro e de seguros contribuem para o financiamento da transição climática?
Organização: Anbima, CNSeg e Febraban
Horário: 15h às 16h
Local: Zona Verde, Pavilhão Brasil, no Parque da Cidade (R. Sem. Lemos – Souza, Belém)
Como participar: aberto para todos, basta se credenciar na Zona Verde diretamente na entrada
Participantes: Cacá Takahashi (Anbima), representantes da CNSeg e da Febraban (em definição)
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.