Panorama ANBIMA: Preços dos ativos refletem mudanças de expectativas
São Paulo, 20 de abril de 2015 – No mercado de renda fixa, o clima de incerteza que marcou o cenário econômico no primeiro semestre se refletiu nas previsões da taxa Selic para o ano, especialmente no que se refere às expectativas quanto ao fim do ciclo de alta dos juros, iniciado em 2013.
As projeções do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA para a meta da taxa Selic no final de 2015 foram revisadas a cada reunião realizada no ano, passando de 12,5% a.a., em janeiro, para 14%, em maio, patamar que, em princípio, encerrará o ciclo de alta na reunião de julho.
A mudança das expectativas do mercado quanto à meta para a Selic explica, em parte, o perfil de rentabilidade das carteiras do segmento de renda fixa. A melhora do ambiente político em relação ao início do ano e a recuperação da demanda por títulos de maior duration resultaram em uma valorização expressiva das NTN-B no período, – refletidas em taxas de juros reais mais baixas, em especial nos vértices mais longos da curva de títulos indexada.
Em paralelo, foi reforçada a percepção de valorização das LFTs, ativos que são balizados pela taxa Selic, mitigando as incertezas quanto à rentabilidade desses ativos no curto prazo. Esse movimento, por outro lado limitou o ganho de se manter exposição prefixada no curto e médio prazo.
Veja outros destaques do Panorama ANBIMA por segmento: Fundos de Investimento: Em meio à continuidade do cenário de alta dos juros na economia, a indústria de fundos voltou a registrar captação líquida de R$ 9,5 bilhões em maio, acumulando R$ 22,2 bilhões em 2015, valor 158% superior ao apurado para o mesmo período do ano passado. Esses dados reforçam a expectativa de maior captação líquida este ano em comparação aos R$ 2,2 bilhões registrados em 2014.
As categorias Curto Prazo, Referenciados DI e Previdência lideram o movimento de entrada de recursos até maio, principalmente em função do perfil das carteiras desses fundos, que atende as expectativas dos investidores de rentabilização no curto prazo em um cenário de alta sistemática da taxa de juros.
É o caso dos Referenciados DI, por exemplo, que objetivam investir, no mínimo, 95% do Patrimônio Líquido em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações dos juros interbancários. Já o tipo Previdência Renda Fixa, que concentra a maior parte do PL dos fundos da categoria, segue um perfil de aplicação também em títulos públicos visando capturar o retorno desses papéis.
Mercado de Capitais: Depois de cinco meses sem ofertas no mercado internacional, as companhias brasileiras voltaram a captar no exterior em maio. As primeiras operações de 2015 foram o lançamento de ADRs pela Telefônica Brasil, com volume de US$ 475,7 milhões, e duas operações com bonds, uma da Votorantim Cimentos, de US$ 568,6 milhões, e outra do Itaú Unibanco, que captou US$ 1,1 bilhão. Ao contrário do perfil observado nos últimos anos, marcados por acentuados volumes de operações externas, especialmente no primeiro trimestre, as operações internacionais em 2015 ficaram “congeladas” até maio, tanto em função do atraso na divulgação do balanço da Petrobras – empresa que concentrou o maior volume de operações internacionais dos últimos anos – como pelo clima de incerteza instaurado a partir de investigações que envolveram outras companhias nacionais. Leia a íntegra do Panorama ANBIMA de junho disponível no portal: http://goo.gl/49cmv0
SOBRE O PANORAMA ANBIMA
O Panorama ANBIMA busca identificar e explicar os principais movimentos dos mercados de capitais, renda fixa e fundos de investimento no mês, a partir das informações estatísticas que a Associação reúne em sua base de dados, contextualizando-os no cenário macroeconômico doméstico e internacional. A publicação é divulgada mensalmente no dia 15.
SOBRE A ANBIMA
A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa as instituições que atuam nos mercados financeiro e de capitais brasileiros. Seu quadro associativo é composto por membros que atuam em diversos segmentos. Dentre os mais de 290 associados figuram bancos comerciais e múltiplos, de investimento, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários, gestores e administradores de carteiras e gestores de patrimônio.
Com o objetivo de contribuir para o fortalecimento das instituições e do mercado, a Associação organizou sua atuação em torno de quatro compromissos: representar os interesses dos associados, autorregular as atividades dos mercados representados, contribuir para a qualificação dos investidores e profissionais e prover informações sobre os segmentos representados.
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A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.