Pesquisa inédita da Anbima aponta que 92% das instituições do mercado de capitais já utilizam inteligência artificial
São Paulo, 11 de setembro de 2026 – A inteligência artificial já faz parte da rotina de nove em cada dez instituições do mercado de capitais brasileiro. Pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em parceria com o Datafolha e com apoio técnico da MatchIT, revela que 92% das empresas do setor utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações.
Foram entrevistadas 177 instituições, entre associadas e aderentes aos códigos de autorregulação da Anbima. Os resultados mostram que a IA já está presente em atividades como análise de dados, automação de processos, produtividade, gestão de riscos e suporte à tomada de decisão. Além de mapear sua adoção, o estudo buscou identificar o nível de maturidade do setor nessa jornada.
Para isso, foi criado o primeiro Índice de Maturidade em IA voltado ao mercado de capitais brasileiro. Com nota média de 2,7 em uma escala de 1 a 5, o setor se posiciona na fase de estabilização. "O índice mostra um mercado em transição entre a experimentação e a escala. A IA já está presente na rotina das instituições, mas ainda há espaço para evoluir na consolidação de processos, governança e geração de valor de forma estruturada e sustentável", afirma Marcelo Billi, superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação da Anbima.
Para 59% das empresas, a relevância da inteligência artificial cresceu significativamente nos últimos 12 meses, enquanto 63% acreditam que sua importância continuará aumentando no próximo ano. Nenhuma das instituições participantes prevê perda de relevância da tecnologia no horizonte avaliado, reforçando a percepção de que a IA ocupará um papel cada vez mais central nas estratégias de negócios.
Os benefícios já percebidos também ajudam a explicar esse movimento. Entre as empresas que utilizam IA, 80% apontam aumento de produtividade, 75% destacam a automação de tarefas e 57% relatam apoio à tomada de decisão e redução de riscos ou erros. As aplicações mais difundidas estão ligadas à ciência de dados (72%) e aos modelos generativos (67%), seguidas por machine learning (48%) e processamento de linguagem natural (36%).
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que adoção não significa necessariamente maturidade. Enquanto 48% das empresas afirmam utilizar IA em áreas-chave com ganhos de eficiência e melhoria de processos, apenas 11% já integram a tecnologia a processos críticos de negócio e somente 3% relatam uma vantagem competitiva clara decorrente de seu uso. Os dados sugerem que o desafio do mercado já não está em acessar ou implementar a tecnologia, mas em transformá-la em uma competência estratégica integrada ao negócio.
Essa transição explica por que governança e mensuração aparecem como alguns dos principais desafios da jornada. Menos de um terço das instituições informa possuir estruturas de governança de dados classificadas como estruturadas ou avançadas, enquanto apenas 12% se posicionam em estágios consolidados ou avançados no que se refere às políticas de uso responsável da inteligência artificial.
A mensuração dos resultados também surge como uma lacuna relevante. Entre as empresas usuárias de IA, 43% afirmam avaliar seus impactos apenas de forma subjetiva, sem métricas estruturadas, enquanto somente 3% possuem indicadores corporativos integrados à estratégia da organização. Os resultados indicam que o mercado já reconhece o potencial da tecnologia, mas ainda precisa evoluir na capacidade de medir, acompanhar e capturar valor de maneira sistemática.
Apesar desses desafios, as perspectivas são amplamente positivas. Entre as empresas participantes, 93% acreditam que a IA aumentará a eficiência dos processos internos, 90% enxergam potencial para geração de diferenciais competitivos e 73% veem oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio.
Para que esse potencial se concretize, entretanto, o mercado ainda terá de enfrentar desafios importantes. Entre as instituições que utilizam IA, 61% apontam obstáculos para ampliar seu uso de forma segura e estruturada. A necessidade de novos controles e auditorias aparece como o principal ponto de atenção, seguida pela falta de capacitação e treinamento, custos de implementação, questões relacionadas à segurança e privacidade, escassez de especialistas e ausência de políticas e procedimentos internos estruturados.
Os resultados reforçam que a próxima etapa da jornada de inteligência artificial envolve construir as condições necessárias para ampliar seu uso com segurança, governança, mensuração consistente e integração às estratégias das organizações.
O relatório completo está disponível neste link.
Sobre a pesquisa
A pesquisa Retrato da Inteligência Artificial no mercado de capitais ouviu 177 instituições integrantes do ecossistema da Anbima entre 21 de janeiro e 6 de abril de 2026. O levantamento foi realizado em parceria com o Datafolha e MatchIT, e tem nível de confiança de 95%. Entre os respondentes, sete em cada dez ocupam cargos de liderança, como C-Level, diretorias e superintendências.
Sobre a Anbima
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa mais de 270 instituições de diversos segmentos. Dentre seus associados, estão bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a Associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de regulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa um ecossistema de cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, entre associados e instituições que seguem os códigos de autorregulação da entidade. São bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.