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Relatório Macro

Grupo Macro revisa para cima inflação de 2020

Política monetária: grupo Macro revisa para cima inflação de 2020

O debate do Grupo Consultivo Macroeconômico sobre política monetária ressaltou a piora do balanço de riscos inflacionários para o curto e médio prazo, reforçada pelo resultado acima do esperado do IPCA-15 de outubro. O desafio de manter uma taxa de juros estimulativa e de o BC trazer as expectativas de inflação para o centro da meta aumenta a incerteza dos analistas diante de uma economia abaixo do seu potencial e com risco fiscal relevante, sobretudo pela indefinição quanto ao cumprimento do teto de gastos para o próximo ano. Para a próxima reunião do Copom, a mediana do grupo se mantém em 2% para a Selic, patamar que permanece até o final do ano na avaliação de todos os economistas.metadataxaselic.png

De acordo com o grupo Macro, uma conjunção de fatores vem contribuindo para a piora dos resultados da inflação. Destacam-se, entre eles, a recomposição das margens de lucro com a normalização da atividade econômica – expressa nos repasses dos custos do câmbio e do atacado –, os preços mais altos de alimentos e comodities decorrente da demanda externa e os desalinhamentos pontuais entre a demanda e oferta após os resultados da pandemia na atividade econômica. A mediana do IPCA passou de 2% em abril para 2,8% em outubro, abaixo da meta prevista de 4% para 2020. Entre as projeções, 33% situam-se entre 3% e 3,2%, seguidas do intervalo entre 2,6% e 2,8%, com 29% das estimativas. A mínima e a máxima previstas estão em 2,4% e 3,1%, respectivamente.projecoesipca2020.png

A perspectiva do quadro inflacionário, especialmente para o próximo ano, não foi consenso entre os economistas. Mesmo com a mediana do IPCA de 2021 se mantendo em 3%, a mesma apurada em setembro, alguns analistas avaliam que aumentou a possibilidade de aceleração inflacionária nos próximos meses – algumas casas preveem IPCA acumulado em 12 meses entre 4% e 5% já em meados do ano que vem. Entretanto, outra parte dos analistas acredita que a ociosidade relevante na economia reduz a possibilidade de haver cenário inflacionário dessa magnitude, lembrando que o fim dos estímulos fiscais a partir de dezembro reforça esse argumento.

Por fim, diante de um ambiente de maior incerteza, houve consenso de que a comunicação do BC deverá ser mais incisiva nos próximos meses de forma que se mantenha a sintonia fina na evolução da administração das expectativas em um cenário de risco fiscal e inflação crescente.

Política fiscal: rolagem da dívida pública expressa o risco fiscal

No debate fiscal, os analistas argumentaram que, mesmo o governo cumprindo o teto de gastos no ano que vem, ainda permanecerá muita incerteza em relação às contas públicas. Foi ressaltado que a dívida bruta caminha para 100% do PIB e ainda não há cenário previsível para o encaminhamento das reformas estruturais. A consequência imediata da falta de uma âncora fiscal é o aumento dos prêmios por parte do mercado para adquirir títulos públicos, trazendo impactos negativos na confiança dos agentes para investir na economia. Esse quadro já se expressa na maior inclinação das curvas de juros e de câmbio e na própria dificuldade de rolagem da dívida pública, que vem reduzindo os prazos dos títulos colocados em mercado, indicando uma quantidade considerável de papéis com vencimento no primeiro semestre do ano que vem.

As projeções dos principais indicadores fiscais se mantêm relativamente estáveis, ainda que em patamares elevados. A estimativa do déficit primário é de 12% para o final de 2021, com a previsão de dívida bruta em relação ao PIB situando-se em 94,4% no final deste ano.dividabruta2020.png

Setor externo: segunda onda de covid-19 impacta crescimento global

Na avaliação do grupo Macro, existem incertezas em relação ao crescimento da economia mundial diante dos efeitos de uma possível segunda onda de covid-19, sobretudo na Europa. Apesar da baixa taxa de mortalidade, comparando-se àquela registrada entre março e abril, os analistas acreditam que o nível de atividade no quarto trimestre deverá ser comprometido, ainda que se mantenha um cenário construtivo de recuperação econômica para este segundo semestre.

Nos Estados Unidos, os economistas acreditam que a trajetória do dólar será definida a partir do encaminhamento do pacote fiscal do Congresso e da definição das eleições americanas. Neste sentido, as expectativas em relação aos dois candidatos são bem claras. O atual governo deverá manter um ambiente de negócios com menos regulação e menos imposto; já a proposta democrata indica um cenário de comércio mundial mais construtivo e um pacote fiscal mais ambicioso.

A projeção para a taxa de câmbio do grupo Macro elevou-se de R$ 5,21 para R$ 5,40, o que corresponde a uma desvalorização de 34% do real para este ano. As previsões situadas entre R$ 5,00 e R$ 5,50 foram as predominantes no grupo, com 57% das apostas. A mínima e a máxima registradas foram de R$ 4,50 e R$ 5,60, respectivamente. Para o próximo ano, a projeção é de R$ 5,10, o que indica apreciação da moeda doméstica de 4,7% no período.ptax2020.png

Atividade econômica: permanece cenário de crescimento para 2021, porém aumentam os riscos

Na avaliação sobre atividade doméstica, o grupo Macro manteve trajetória de recuperação gradual, revisando a queda da taxa de crescimento do PIB para este ano de 5% para 4,8%. Entre as projeções de crescimento, a mínima e a máxima apuradas foram de queda de 5,8% e 4%, respectivamente. Em relação ao PIB trimestral, o grupo Macro revisou para cima a previsão do PIB para o terceiro trimestre, de 7% para 8%, e do quarto trimestre, de 2,25% para 2,34%.

Na opinião dos analistas, o processo de normalização da atividade econômica – conjugado com os recursos do auxílio emergencial – vem garantindo performances positivas em segmentos relevantes, principalmente no comércio e na construção civil, além da agropecuária (este último estimulado pela demanda externa). Vale destacar que, nas últimas semanas, o setor de serviços começou a apresentar performance mais positiva, o que é compatível com a flexibilização das medidas iniciais impostas pela covid-19.

Para o próximo ano, a projeção do PIB teve um pequeno ajuste, com crescimento de 3,5% para 3,45%. Na visão dos analistas, essa magnitude de expansão é factível, já que o carregamento estatístico do PIB esperado para 2021 está entre 2,5% e 3%. Entretanto, todos concordam que aumentaram os riscos para o crescimento diante do fim dos recursos emergenciais em dezembro e das dúvidas quanto a um ajuste mais significativo das contas públicas, o que pode levar a um ambiente de maior volatilidade para 2021.

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