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ANBIMA assume presidência da IIFA com desafio de representar a indústria pós-pandemia

Zeca Doherty, nosso superintendente-geral, comandará a entidade pelos próximos dois anos

Desde 20 de outubro, nosso superintendente-geral, Zeca Doherty, é o novo presidente da IIFA (Associação Internacional de Fundos de Investimento). A entidade, sediada no Canadá, tem como membros 41 associações locais ou regionais de fundos de investimento, de países dos cinco continentes, que somam US$ 54,9 trilhões de ativos sob gestão. A presidência é alternada a cada dois anos, promovendo um rodízio entre as regiões. Agora, na vez da América Latina, o convite foi feito à ANBIMA. “Somos a única entidade autorreguladora entre os associados, o que dá mais legitimidade à IIFA para as discussões com os reguladores internacionais”.

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Zeca Doherty ficará dois anos na liderança da IIFA

Liderar a IIFA, à qual a ANBIMA é associada desde 2003 e já ocupou a cadeira da presidência com Eduardo Penido nos anos 2011 e 2013, é uma continuidade do trabalho que estamos fazendo na entidade, de acordo com Zeca. Com participação ativa nas discussões, coordenamos o comitê de regulação do organismo nos últimos dois anos. Por outro lado, traz novos desafios por conta da pandemia: “o novo contexto trouxe prioridades para algumas questões, como liquidez e precificação de créditos privados, assuntos transversais a todas as indústrias de fundos”. Confira a entrevista que Zeca concedeu ao Portal ANBIMA:

O que significa assumir a presidência da IIFA?

É um reconhecimento do espaço que construímos e ocupamos nos últimos anos, e da representatividade que a indústria de fundos brasileira conquistou no cenário mundial, tanto em relação ao volume de ativos sob gestão, como à qualidade dos produtos e maturidade da nossa regulação. Nossa indústria de fundos é a maior da América Latina. Pelo lado pessoal, também é um reconhecimento da minha atividade como representante do setor em fóruns internacionais e da liderança que temos exercido em algumas entidades, como no Comitê Consultivo de Membros Afiliados da Iosco.

O que você destaca como principal função da IIFA?

Representar os interesses das diferentes indústrias de fundos, dos diversos países, e coordenar esses interesses. Não é uma tarefa simples, porque durante muitos anos tivemos indústrias com graus de maturidade muito diferentes. Mas hoje vejo essa maturidade muito nivelada, com os países enfrentando praticamente os mesmos desafios regulatórios. Com a pandemia, os problemas que surgiram nas diferentes regiões foram muito similares. Então, pela primeira vez, todos compartilham desafios relacionados a questões como liquidez ou crédito privado. Por isso, entendo que a IIFA se depara com o bom desafio de representar uma indústria mais organizada e mais unificada.

Essa é a segunda vez que a ANBIMA ocupa a presidência do órgão. Como a indústria de fundos se desenvolveu desde então e como a ANBIMA pode contribuir para esse novo momento?

De tempos em tempos, a indústria de fundos mundial se depara com desafios regulatórios, como aconteceu em 2008. A crise econômica da época mostrou a necessidade de diferenciar a regulação de fundos da que é voltada a bancos. Conseguimos transmitir isso aos reguladores, que entenderam e aceitaram nossos argumentos. Estamos novamente enfrentando uma crise econômica global, agora provocada pela pandemia de covid-19, e o assunto regulação volta à agenda. No atual contexto, a IIFA novamente terá de discutir alternativas com os reguladores e mostrar a eles a diferença entre as regras que cabem a gestores de ativos e a bancos. Acredito que a ANBIMA pode contribuir muito nesse sentido. Temos experiência de representar os interesses dos gestores e da indústria de fundos junto aos reguladores. Somos a única entidade autorreguladora entre os associados da IIFA, o que dá ainda mais legitimidade à entidade para as discussões com os reguladores internacionais.

Você chega à presidência da IIFA em meio à pandemia. Esse contexto influencia a agenda de trabalho da entidade?

O novo contexto trouxe prioridades para algumas questões, como liquidez e precificação de créditos privados, assuntos transversais a todas as indústrias de fundos. Mas esses desafios já vinham sendo discutidos, antes mesmo da pandemia, no Comitê de Assuntos Regulatórios, que coordenamos nos últimos dois anos. São temas presentes na pauta regulatória da IIFA, assim como na da ANBIMA, e que agora serão apresentados pela IIFA nas discussões com os reguladores.

A pandemia tem acelerado a transformação digital em muitos setores, impulsionada pelas novas rotinas impostas nesse período. De que forma a IIFA está acompanhando esse movimento na indústria de fundos?

Temos dois assuntos relacionados a essa questão: cibersegurança e digitalização. O primeiro já vinha sendo tratado na IIFA há algum tempo, mas de uma forma muito operacional. Embora não seja novo, o debate subiu de nível, porque todas as indústrias passaram a estar fortemente expostas à cibersegurança com a pandemia. Temos, portanto, a oportunidade de escalar esse tema, com discussões mais profundas e direcionamentos mais fortes, inclusive debatendo eventual regulação nesse campo. A digitalização também já era tratada, mas agora deve ganhar mais importância. O ponto, aqui, é como a indústria se relaciona com o investidor e demais agentes do mercado, e como se dá essa relação dos agentes entre si. O desdobramento disso trará impactos, pois exigirá que os gestores de fundos invistam em tecnologia. Acredito, inclusive, que será necessário algum aperfeiçoamento na regulação para fazer frente a esse tema.

Sustentabilidade é outra questão que tem ganhado corpo nas discussões de mercado após a pandemia. Esse assunto também está na pauta da IIFA?

Sim, esse tema já tinha uma presença muito forte nos debates, mas ganhou importância ainda maior com a pandemia, impulsionada com a “carta anual aos CEOs”, publicada no início de 2020 pelo Larry Fink, CEO da BlackRock, na qual destaca que os riscos climáticos tendem a provocar uma mudança estrutural nas finanças. A indústria toda está se mobilizando para discutir e enfrentar o tema ASG (questões ambientais, sociais e de governança), seja em termos de produtos ou de atendimento ao investidor, ou de como se classifica a questão da sustentabilidade nos fundos.

Por falar em atendimento ao investidor, a educação financeira é um assunto ao qual a IIFA está atenta?

A IIFA vinha olhando o investidor somente pela ótica da educação nos últimos anos. Mas isso tende a mudar. Cada vez mais, o investidor será colocado no centro das decisões, como o agente em torno do qual são decididas as estratégias e as definições da indústria de fundos. O maior protagonismo do investidor exige mudanças na forma como as instituições se relacionam com ele, impõe a necessidade de mais transparência e clareza nas informações e obriga as instituições a revisarem seus modelos de negócios. Na IIFA, essa discussão está começando e deve ganhar força nos próximos meses. É uma dinâmica na qual estamos mais avançados no Brasil. Basta ver que a mudança no eixo da nossa autorregulação, levando o investidor para o centro, tem mais de três anos.

O mandato que você assume é para os próximos dois anos. Que contribuições gostaria de deixar como legado?

Como a IIFA possui diferentes países entre seus membros, há uma quantidade muito expressiva de informações que poderiam ser melhor exploradas e apresentadas aos reguladores, investidores e sociedade. Há espaço para apresentar todos esses dados de forma mais organizada, expondo o real tamanho e importância dessa indústria. Também temos a oportunidade de posicionar a IIFA como a voz dos fundos no ambiente internacional, aspecto pouco explorado historicamente. Com nossa experiência de diálogo com os reguladores, avalio que podemos ajudar a construir, de dentro para fora, um posicionamento equilibrado da indústria de fundos de investimento. Avançar nesses dois aspectos seria um legado muito importante da ANBIMA para a IIFA.

 

 

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