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ANBIMA completa 10 anos de fortalecimento do mercado de capitais

Nosso superintendente-geral, Zeca Doherty, faz um balanço do período e destaca os desafios que as inovações tecnológicas e as mudanças nos modelos de negócios das instituições impõem daqui para frente
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Voz ativa em todos os grandes movimentos vividos pela indústria de investimentos, a ANBIMA chega aos 10 anos. Mas são mais de quatro décadas de trabalho em prol dos mercados, afinal a Associação nasceu da união de duas entidades – a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) e Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) – que já traziam isso no DNA.

 

O mercado mudou desde então, assim como a ANBIMA, mas a essência mantém-se inalterada. “Nossa razão de existir é defender os interesses das instituições que representamos. Reunir diferentes players dentro de casa nos dá força para lutar em prol do fortalecimento do setor e, consequentemente, para o crescimento da economia brasileira”, afirma José Carlos Doherty, nosso superintendente-geral, conhecido no mercado como Zeca.

 

Nestes dez anos, a ANBIMA esteve à frente das mudanças que reorganizaram o segmento de fundos e dos avanços que permitiram que o mercado de capitais se consolidasse como importante fonte de financiamento privado. Agora, novos modelos de negócios despontam no ecossistema da indústria e é dever da ANBIMA se posicionar neste universo, que tanto pode contribuir para os negócios dos associados. “É um movimento perfeitamente em linha com a nossa vocação, que é marcada por uma participação ativa no debate de temas de interesse dos mercados”, diz Doherty.

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Em entrevista ao Portal ANBIMA, ele faz um balanço destes 10 anos e fala dos desafios que a Associação tem pela frente. Confira o bate-papo.

 

Portal ANBIMA: Nestes dez anos, o que mudou na forma como a ANBIMA atua em defesa dos interesses dos associados?

 

Zeca Doherty: O desenvolvimento de toda associação de classe está condicionado, em grande parte, à evolução do setor que ela representa. Com a ANBIMA não foi diferente. O mercado de capitais é dinâmico e evoluiu bastante nestes dez anos. No entanto, nossa razão de existir, que é defender os interesses dos associados, mantém-se inalterada. Reunir diferentes players dentro de casa nos dá força para lutar em prol do fortalecimento do setor e, consequentemente, para o crescimento da economia brasileira. Para isso, buscamos sempre aprimorar o conhecimento técnico e repensar a melhor forma de atuar diante do que vem pela frente.

Um exemplo recente foi a mudança na governança da nossa representação institucional, que é a forma como atuamos na defesa dos interesses dos associados. Reorganizamos a estrutura, antes baseada em comitês. Agora são seis fóruns de representação, todos voltados para as atividades do mercado: gestão de fundos mútuos, gestão de fundos estruturados, serviços fiduciários, estruturação de mercado de capitais, negociação e distribuição. O objetivo foi manter o foco em discussões estratégicas e dar mais agilidade ao processo de construção das nossas propostas para aprimoramento do mercado. As mudanças que aconteceram na ANBIMA nestes dez anos estão ligadas à missão da entidade e têm por objetivo nos anteciparmos e acompanharmos o mercado para dar apoio aos associados da melhor forma possível.

 

ANBIMA: Como as circunstâncias de mercado se refletem na atuação da ANBIMA?

 

Zeca Doherty: A atividade evolui para atender às preocupações e aos anseios dos players, mas também precisa acompanhar algumas circunstâncias de mercado. Às vezes, estamos muito focados na agenda regulatória. Em outros momentos, o foco está nas estratégias para desenvolvimento do mercado que vão além da regulação. No começo da ANBIMA, por exemplo, estávamos em uma fase de grande expansão regulatória como resultado do pós-crise mundial de 2008. Dedicamos bastante tempo aos avanços na regulação e menos ao desenvolvimento do mercado. Apesar de o Brasil se mostrar mais resiliente à crise do que outros países, o endurecimento das regras para evitar arbitragens regulatórias também aconteceu por aqui.  

 

"Buscamos sempre aprimorar o
conhecimento técnico e repensar
a melhor forma de atuar
diante do que vem pela frente"

 

Muitos dos desafios impostos pela crise também estavam mais relacionados à conduta dos agentes do que aos produtos. Então, após as mudanças regulatórias nos produtos, houve espaço para outro movimento: avançar na direção da atividade dos players. Foi quando começamos a discutir a mudança de paradigma na autorregulação, que passou a olhar mais para as atividades e para a conduta dos agentes, e menos para os produtos.  

Os eventos do mercado influenciam o foco da representação, mas, como eu disse, é algo inerente à atividade de uma associação como a ANBIMA.  

ANBIMA: Você mencionou a grande transformação da autorregulação nos últimos anos. Qual o impacto disso para a supervisão?  

Zeca Doherty: Essa mudança impôs o desafio recente de encontrar maneiras de supervisionar também a conduta dos profissionais. Nossos esforços em educação, sem dúvida, são bons alicerces para garantir a capacitação dos profissionais. Atualmente, são mais de 300 mil certificados, mas o trabalho não para por aí. Está em revisão, por exemplo, o escopo da CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) para tornar a certificação cada vez mais aderente à realidade do mercado. E estamos idealizando um outro projeto, em linha com o que faz a Finra (entidade autorreguladora norte-americana), que disponibiliza à sociedade informações detalhadas sobre os profissionais.  

ANBIMA: A ANBIMA contribuiu com diversos marcos para o desenvolvimento do mercado. Quais você destacaria nesta década?  

Zeca Doherty: Um dos grandes avanços neste período foi a implementação do processo de suitability (análise do perfil do investidor) via autorregulação. Atuamos na vanguarda da discussão, antes mesmo dos reguladores.  

Eu não poderia deixar de citar a modernização da indústria de fundos de investimento com a publicação da Instrução 555, para a qual tivemos uma intensa interlocução com a CVM e muitas das nossas sugestões foram incorporadas à regulação.  

O mesmo aconteceu no processo de revisão das regras de infraestrutura de mercado com as Instruções 541, 542, 543 e 544, que tratam das atividades de depósito centralizado, custódia e escrituração de valores mobiliários. Também foi um trabalho que contou com estreito diálogo com a CVM e que resultou em uma significativa melhora nos processos estruturais.

 

"Nossos esforços em
educação, sem dúvida, são bons
alicerces para garantir a
capacitação dos profissionais"

 

Recentemente, tivemos duas iniciativas de destaque para o desenvolvimento do mercado de capitais e da indústria de gestão de recursos. Fizemos estudos sobre os impactos que o desenvolvimento destes dois segmentos traria para os principais indicadores socioeconômicos, como arrecadação de impostos, geração de empregos e PIB. Os resultados foram divulgados pela imprensa e compartilhamos com o governo, o setor privado, entidades parceiras e com a sociedade em geral. Os estudos vieram acompanhados de um conjunto de medidas que consideramos necessárias para alcançar esse crescimento.  

ANBIMA: Como estamos nos preparando para lidar com o volume crescente de informações que recebemos e fornecemos ao mercado?  

Zeca Doherty: Dados ganharam uma importância tão grande que até já foram comparados ao petróleo. É inquestionável a relevância deles para a tomada de decisão e para o sucesso dos negócios, independente do segmento de mercado. Para a ANBIMA, isso precisa ser olhado por duas vertentes. A primeira é como a associação, que detém o maior banco de dados da indústria de fundos, para citar só fundos, disponibiliza isso na forma e na velocidade que o mercado demanda. A outra é como essas informações servem de insumo para a própria ANBIMA fazer mais e melhor pelos associados. Esse enorme banco de dados já orienta muitas de nossas ações, mas precisamos evoluir ainda mais. Queremos avançar para que todas as tomadas de decisões sejam baseadas em dados. Por isso, começamos neste ano um projeto com a equipe interna de transformação cultural para incorporarmos cada vez mais o trabalho analítico no dia a dia.  

ANBIMA: Nestes dez anos, a ANBIMA consolidou-se como porta-voz para a indústria de fundos e para o mercado de capitais. O que vem pela frente?  

Zeca Doherty: Tem um universo de empresas inovadoras, maior parte delas com operações fortemente baseadas em tecnologia, que está ganhando espaço no mercado financeiro. São as startups que, muitas vezes, nascem com uma solução inovadora, passam a integrar o nosso ecossistema mas ainda não têm uma voz dentro do nosso mercado. Estamos nos aproximando cada vez mais deste conjunto de empresas e não poderia ser diferente, dado o potencial que elas têm de revolucionar a indústria de investimentos. Este ano fizemos nosso primeiro hackathon, que trouxe uma série de ideias inovadoras que podem ser aproveitadas ou até mesmo inspirar os associados. Teremos também o Pitch Day, em 23 de outubro, para o qual convidamos as startups a apresentarem soluções voltadas para resolver desafios do mercado de capitais. A aproximação da ANBIMA com este universo de empresas é necessária e está perfeitamente em linha com a nossa vocação, que é marcada por uma participação ativa no debate de temas de interesse dos mercados.  

ANBIMA: Quais são as suas expectativas para os próximos 10 anos?  

Zeca Doherty: O grande tema é a distribuição dos produtos de investimento. Cada vez mais o investidor estará no centro das decisões e a Associação está evoluindo para retratar essa mudança. Também avançamos para a representação da atividade de gestão de ativos, com menor foco no produto ou no veículo de investimento utilizado. Recentemente, começamos discussões sobre transparência na remuneração e portabilidade dos investimentos via autorregulação. São temas importantes de serem tratados, neste cenário com novos players, para garantir um ambiente saudável e com concorrência leal.  

As mudanças na distribuição caminham junto com as inovações. Os novos players estão propiciando uma desintermediação no mercado financeiro, como é o caso das plataformas de distribuição. No entanto, esse movimento ainda é incipiente no mercado de capitais e deve ocorrer em breve. É nosso papel nos anteciparmos a essa grande mudança.  

 

"Os novos players estão propiciando
uma desintermediação no
mercado financeiro [...]. É nosso papel
nos anteciparmos a essa grande mudança"

 

Quando olhamos a associação internamente, há o desafio de lidar com as novas gerações e as demandas que elas trazem em relação a diferentes formas e ambientes de trabalho. Este desafio não é só nosso, mas de todo o mercado, afinal todos concorremos pelos mesmos talentos. Também há uma reflexão, ainda incipiente, sobre como a ANBIMA pode se posicionar quanto à formação de mão de obra para o mercado. Hoje atuamos na qualificação destes profissionais, mas precisamos refletir sobre a possibilidade de contribuir com a formação dos jovens.  

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