Anbima projeta corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho, com apenas outro corte em dezembro
Taxa básica de juros deve cair para 14,25% na reunião desta semana e encerrar o ano em 14%.Nosso Grupo Consultivo Macroeconômico projeta redução de 0,25 ponto percentual da taxa Selic na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) desta semana, para 14,25%. Este seria o terceiro corte consecutivo da taxa básica de juros.
As expectativas para a inflação, medida pelo IPCA, subiram de 4,9% para 5,4%. Fernando Honorato, coordenador do grupo, analisa: "a inflação até estava convergindo para a meta, mas voltou a subir, fruto do choque do conflito do Oriente Médio, que gerou alta nos preços das commodities no curto prazo, e dos estímulos fiscais. Com isso, o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa, sem compromisso com novos cortes nas próximas reuniões, até que o cenário se torne mais claro".
Após a redução de junho, projetamos manutenção da Selic em 14,25% nas reuniões seguintes, com nova queda de 0,25 ponto percentual apenas em dezembro, encerrando o ano em 14%. A projeção dos juros terminais para 2026 vem sendo revisada para cima nas últimas reuniões do grupo: era de 12,25% em março, passou para 13% em abril e agora chegou a 14%.
A taxa de câmbio deve encerrar dezembro em R$ 5,15, abaixo dos R$ 5,30 estimados anteriormente. No cenário externo, a perspectiva de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã já fez reduzir o preço do petróleo, com reflexo nas cotações de commodities. Honorato pondera, no entanto, que o cenário traz sinais mistos. "A valorização do real nos últimos meses ajudou a aliviar a pressão inflacionária, mas a melhora do mercado de trabalho americano coloca em dúvida a continuidade desse movimento. Um eventual acordo de paz no Oriente Médio pode, inclusive, dar impulso à valorização do dólar no cenário global", afirma.
A projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 2026 subiu de 1,80% para 2%. Para o segundo trimestre, o grupo estima expansão de 0,50%, 0,30% no terceiro e 0,35% no quarto trimestre.
Na análise da política fiscal, os economistas projetam que a dívida bruta do setor público ficará em 83% do PIB ao final de 2026, abaixo dos 83,4% estimados anteriormente. A estimativa para o déficit primário se manteve em 0,50% do PIB.
Todas as análises do Grupo Consultivo Macroeconômico estão disponíveis no Boletim Macroeconômico.
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