ANBIMA Summit: influenciadores digitais dão escala à educação financeira
Perfis nas redes sociais descomplicam o mundo dos investimentos, traduzindo jargões e expressões em inglês
As redes sociais adquiriram um status que vai muito além do espaço para relacionamentos interpessoais. Empresas, instituições e influenciadores passaram a usar a rede para levar informação, educar e se se aproximar de milhões de seguidores. No mundo dos investimentos, o trabalho de educação financeira não é novidade e vem sendo desenvolvido há anos pelas entidades e demais participantes do mercado. Mas quem tem feito esta iniciativa ganhar escala são os influenciadores digitais, que transformam o mundo dos investimentos e seus jargões em algo acessível ao grande público.
O universo de influenciadores que abordam o tema é enorme e tem dado uma importante contribuição para difundir a conceitos de investimentos. “A ANBIMA acompanha 266 influenciadores que falam sobre o tema nas redes sociais e alcançam mais de 70 milhões de seguidores”, comentou Aquiles Mosca, coordenador do nosso Grupo Consultivo de Educação e diretor Comercial de Marketing e Digital do BNP Paribas Asset, que conduziu o painel “Cara a cara com os influenciadores”, no ANBIMA Summit. “É um número maior do que a soma do alcance das redes sociais dos principais veículos de imprensa do país, o que reforça a sua relevância”, disse.
Ponto comum do trabalho realizado pelos influenciadores que falam sobre investimentos é a tradução da linguagem do mercado. “O brasileiro quer investir e de forma descomplicada. Eu procuro dar muitos exemplos e simplificar a linguagem, evitar jargões. Ele precisa perder o medo e começar a investir”, comentou a influenciadora Carol Dias, do canal Riqueza em Dias. O discurso de outra influenciadora e sócia da XP, Ana Laura Magalhães, vai na mesma direção. “Quando eu ainda era banker atendendo varejo e levava clientes em reuniões eles saiam assustados depois de ouvir os termos ‘long & short’ ou ‘hedge’. Seria mais fácil falar em fundo com estratégia neutra. Foi ali que percebi a importância de levar informação de um jeito descomplicado”, comentou Ana, acrescentando que as redes sociais ajudam a atingir as pessoas em escala.
Outro tema abordado no encontro dos influenciadores foi o cuidado em informar os seguidores, sem dar recomendações. Para o influenciador Tiago dos Reis, da Suno Research, é preciso separar o criminoso, que divulga esquemas de pirâmides, do trabalho do influenciador, mesmo entre aqueles que “vendem sonhos”. “Na prática, isso é mais leve. Tem um grupo que vende curso prometendo ganho rápido, associado a day trade. Nas minhas colocações procuro trazer dados, pesquisas e mostro, por exemplo, que 90% de quem opera day trade não consegue resultado”, explicou Reis. O influenciador ponderou, contudo, que vê um papel importante nestes vendedores de curso. “Eles acabam sendo a porta de entrada na bolsa. O investidor provavelmente não obterá aquele sucesso prometido, mas vai dar seus primeiros passos no mundo dos investimentos”.
Para Ana Magalhães, que tem o canal Explica Ana, é importante lembrar que a recomendação de um investimento é proibida e que os reguladores estão atentos. “Tento fazer o conteúdo financeiro sobre o que são os produtos, os riscos envolvidos e deixar claro que há razões externas que podem atrapalhar a rentabilidade. A indicação do ativo tem sido cada vez mais fiscalizada pela CVM, que está de olho na gente. É uma novidade para todos”.
Sobre o crescente interesse de empresas e bancos em utilizarem as redes sociais para se comunicar, os influenciadores lembraram que a interação que funciona nestes ambientes foca nas pessoas. “Nas redes sociais, as pessoas querem humanização, é preciso ser verdadeiro e criar conteúdo de valor. Hoje, os influenciadores de finanças se destacam por ter conteúdo, humor e proximidade com os seguidores”, comentou Carolina.
Thiago Reis, falando sobre o interesse das instituições, defendeu que elas também foquem na humanização. “Os bancos deveriam empoderar quem já está lá, por isso chama social media e não corporate media. As pessoas querem seguir pessoas, então faz mais sentido dar visibilidade às pessoas. Bancos precisam pensar nisso e serem mais criativos”, concluiu.