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Bagagem ESG: semana do clima de Londres foca na mobilização de capital privado para a transição

Participamos da LCAW contribuindo com debates sobre mecanismos financeiros inovadores e levando as percepções do mercado de capitais brasileiro

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Representamos o mercado de capitais brasileiro na LCAW (London Climate Action Week), de 20 a 26 de junho. Formada por dezenas de eventos paralelos, os debates da semana do clima de Londres destacaram a necessidade de ampliar projetos financiáveis e mobilizar capital privado para clima e natureza. Nossa participação no evento faz parte das ações da Rede ANBIMA de Sustentabilidade e da agenda institucional do ANBIMA em Ação, conjunto de metas que elegemos como prioritárias para este ano. 

No fórum, também ficou clara a necessidade de colaboração: os debates, os encontros e as conexões durante o evento mostraram como as "semanas do clima" são valiosas para conectar diferentes atores da agenda de transição: governos, bancos, gestoras, organizações filantrópicas, ONGs, OSCs, projetos. Se a COP 30, no Brasil, convocou um "mutirão" de esforços globais e locais para acelerar a transição climática, eventos como a LCAW criam oportunidades de cooperação dos agentes do ecossistema para a construção de iniciativas concretas. 

Nossa atuação na LCAW incluiu a promoção de um evento próprio e o apoio a um fórum focado em investimentos climáticos, além da contribuição em debates diversos. Confira os principais destaques: 

Setor financeiro unido na transição 

"Por muito tempo, clima e finanças estiveram em esferas completamente separadas e tinham enorme dificuldade de conversar entre si. A COP 30 buscou aproximar esses dois mundos e reforçamos esse compromisso na Semana do Clima de Londres", afirmou Ana Toni (foto), CEO da COP30, na abertura do evento que realizamos em uma parceria Anbima, CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Unep-FI (Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). 

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Ana Toni, CEO da COP 30, em abertura do evento "COP30 to COP31 leadership dialogues: scaling finance and insurance for global impact"

  

Segundo a executiva, hoje o setor privado responde por 20% do financiamento climático, parcela que precisa avançar para, no mínimo, 50%, já que os recursos públicos não serão suficientes para a transição. Cacá Takahashi (foto), nosso diretor e coordenador da Rede ANBIMA de Sustentabilidade, reforçou esse posicionamento, pontuando que o mercado de capitais tem papel único ao conectar investidores globais à economia real e canalizar capital para projetos sustentáveis.  

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Cacá Takahashi, nosso diretor e coordenador da Rede ANBIMA de Sustentabilidade, em painel no evento promovido por Anbima, CNseg e Febraban durante a Global Roundtable da Unep-FI

Os debates reforçaram que o Brasil tem papel de destaque nessa conversa: como anfitrião da COP30, deve fortalecer seu próprio ecossistema de finanças sustentáveis, além de compartilhar lições práticas com outros mercados emergentes que enfrentam desafios semelhantes.  

Isso também se conecta à jornada da COP30 para a COP31, em que o grande desafio é transformar ambição em entregas reais e em economias mais resilientes. Uma peça-chave desse quebra-cabeça é como utilizamos instrumentos catalíticos e de mitigação de risco (de-risking) para tornar projetos mais investíveis, reduzir riscos e alinhar melhor os investimentos às prioridades de cada país, sobretudo em mercados emergentes. 

The World Climate Investment Summit 

Nossa participação avançou pelo fórum promovido pela WCF (World Climate Foundation). Discutimos quais mecanismos financeiros inovadores podem viabilizar investimentos sustentáveis em agricultura e uso da terra em mercados emergentes, principalmente sobre conservação, restauração e manejo do capital natural como investimentos produtivos.   

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Mesa-redonda "How innovative mechanisms can help scale up sustainable investment in emerging markets" promovida pela Anbima durante o World Climate Investment Summit, na LSEG (London Stock Exchange)

Segundo os debates, isso passa por três grandes desafios: falta de dados e métricas robustas de impacto; projetos pequenos e fragmentados, ainda pouco atrativos para investidores institucionais; e risco, principalmente cambial, que afasta o capital internacional.  

Uma das soluções é fazer com que as oportunidades baseadas na natureza se tornem ativos financiáveis por meio de divulgações mais claras, formação de pipelines em escala e com uso de estruturas de blended finance e mitigação de riscos. Outro caminho possível é investir em parcerias locais e conhecer os territórios para analisar os riscos reais. Programas públicos que atuem como formadores de mercado para catalisar capital privado e doméstico também são boas saídas.   

Analisando o caso específico da agricultura, que era o setor em foco na mesa que promovemos, tão relevante para o nosso país e para o mundo, tratamos de formas de avançar em adaptação e resiliência com mecanismos como seguro paramétrico (indeniza com base na intensidade do evento que causou a perda, como chuva ou terremoto), microcrédito, combinação de créditos de carbono com financiamento e a importância de tornar pequenos produtores visíveis ao sistema financeiro. 

Natureza em foco 

A urgência de acelerar investimentos em natureza e na necessidade de criar condições para mobilizar capital público, privado e filantrópico para a agenda climática foi o tema principal da mesa-redonda "Mobilising capital for nature" (foto), na qual fomos representados por Luiz Pires, nosso gerente de Sustentabilidade e Inovação. 

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Mesa "Mobilising capital for nature", realizada durante a semana do clima de Londres

Mais uma vez, o Brasil esteve em destaque: o relatório Gaining ground: state of private investment in nature 2026, da Forest Trends e The Nature Conservancy, mostrou crescimento dos investimentos em natureza US$ 60 bi atualmente, com US$180 bi comprometidos. A maior parte concentra-se em florestas e agricultura e a América Latina, especialmente o Brasil, lideram o volume.  

O debate também passou pelas principais barreiras para mobilizar capital para natureza, como a falta de alinhamento entre políticas, finanças e empresas; projetos com baixa replicabilidade; métricas divergentes; percepção de risco elevado; e falta de padronização de linguagem entre oferta de projetos, especialmente para atender as exigências dos investidores.   

Nas oportunidades, falou-se sobre a necessidade de fortalecer projetos para atender demandas dos investidores: transparência, dados, retorno e tempo para recuperar o capital investido.  

Em toda essa conversa, ficou claro que bancos e seguradoras têm papel essencial: podem mobilizar os demais atores necessários para as operações, atuar no de-risking (mitigação de riscos das operações financeiras) e alavancar fundos públicos ou filantrópicos para atrair capital privado. 

Saiba mais: a publicação The leading role of Brazilian forests in the global agenda, do Instituto Arapyaú, apresenta dados, desafios e oportunidades em conservação e restauração florestal. O documento reitera a importância de transformar capital natural e soluções baseadas na natureza em classes de ativos altamente atrativas para o mercado financeiro, gerando desenvolvimento socioeconômico das comunidades. 

O financiamento da transição em países emergentes

Como mobilizar capital privado para a transição verde em mercados emergentes foi uma das principais discussões durante a LCAW e, em especial, no painel (foto) promovido pela WCF, State of Green e Impact Fund Denmark, no qual fomos representados por Cacá Takahashi, que levou as percepções sobre o mercado brasileiro.   

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Painel “Responsibility, risk and reward: who will finance the green transition in emerging markets?”, promovido durante a LCAW

Segundo os debates, a resposta para essa pergunta passa por uma virada de chave: é preciso sair do modelo de “ajuda” aos países emergentes e avançar para o “investimento” neles. O caminho passa também por usar mecanismos de finanças mistas (blended finance), combinando recursos públicos, filantrópicos e privados para reduzir riscos e viabilizar projetos. Nesse cenário, deve haver um forte papel do setor público, de bancos multilaterais e de instituições financeiras de desenvolvimento oferecendo garantias, criando instrumentos financeiros e construindo confiança para o mercado.   

Segundo os debatedores, o principal desafio não é falta de capital, mas, sim, de projetos estruturados, escaláveis e investíveis. A solução inclui desenvolver plataformas de país, fortalecer mercados locais e usar capital concessional de forma estratégica para destravar investimentos e atrair investidores institucionais no longo prazo. Em suma, é preciso alinhar políticas públicas, capacidade de projetos e oferta de ativos investíveis.  

Problemas globais, soluções locais  

Outro tema que ficou em foco na semana do clima foi o papel das country platforms, ou "plataformas de país".  São mecanismos criados de acordo com as necessidades de cada região para mobilizar fontes de financiamento locais e internacionais e, com isso, alcançar objetivos compartilhados de clima e desenvolvimento.   

Elas têm amplo impacto, pois podem servir de apoio para a criação de políticas públicas e de planos setoriais de transição, até mesmo estarem vinculadas aos planos implementação das NDCs (metas climáticas dos países do Acordo de Paris).   

Um exemplo brasileiro de "country platform" foi destaque: a BIP, Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica, que chamou atenção no Climate Innovation Forum e no GCBC (Global Capacity Building Coalition) London Forum & Reception.   

Segundo os debates, as country platforms são essenciais para organizar investimentos de forma estruturada, conectar instrumentos e atores, acelerar reformas que destravam projetos (como garantias e offtakes) e otimizar o uso do capital catalítico. De quebra, também ajudam a reduzir a fragmentação entre iniciativas. 

Saiba mais: conheça a BIP, os projetos e fundos em captação de recursos e os que já estão em implementação. 

Brasil em foco 

O Eco Invest Brasil também foi destaque da LCAW como exemplo de financiamento climático. O programa usa o modelo de blended finance para mobilizar capital privado para a transição sustentável. Ele foi apresentado em um evento sobre as oportunidades de investimento em setores estratégicos de baixo carbono, incluindo fertilizantes verdes, bioinsumos e biocombustíveis avançados.   

O encontro mostrou como o Nordeste brasileiro é um hub estratégico para investimentos industriais de baixo carbono, destacando seu potencial competitivo baseado em energia renovável e infraestrutura logística.   

Também foram abordadas as tendências globais de descarbonização e o movimento de powershoring (estratégia de atrair e instalar indústrias para países com energia limpa e segura), com oportunidades em setores como fertilizantes verdes, biocombustíveis avançados e bioinsumos.   

A apresentação do 5º leilão do Eco Invest Brasil detalhou o desenho da nova fase do programa, que é focada em inovação tecnológica, e inclui instrumentos de financiamento como fundos de inovação, linhas de crédito e mecanismos de mitigação de riscos para atrair capital internacional. 

Saiba mais: conheça o 5º leilão do Eco Invest e as oportunidades que ele abre para o mercado de capitais brasileiro em evento realizado na Anbima, junto com o Tesouro Nacional e o Ministério da Fazenda. 

Conheça o ANBIMA em Ação 2026  

O ANBIMA em Ação 2026 é o conjunto das principais iniciativas estratégicas da associação para este ano. Esse planejamento está ancorado em três frentes principais: desenvolvimento de mercados, institucional e transformação. Confira o plano completo

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