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Congresso 2020: Recuperação econômica será desigual no mundo

Para Mohamed El-Erian, mercados ainda enfrentarão vulnerabilidades e recuperação será em formato de raiz quadrada: queda forte, seguida de alta e longo platô

Uma recuperação econômica profundamente desigual entre os países e em formato de raiz quadrada – queda forte, alta e depois um platô longo de estabilidade. É este o cenário traçado por Mohamed El-Erian, presidente do Queen’s College (Universidade de Cambrige) e conselheiro econômico da Allianz, ao comentar as perspectivas dos mercados pós-Covid-19.

Para El-Erian, o mercado terá, daqui em diante, uma vulnerabilidade gigantesca. “Países como Brasil, México e outros emergentes precisam absorver uma mudança de liquidez que pode ocorrer rapidamente. No fim das contas, para passar desta jornada e se beneficiar do destino final, só tendo resiliência para superar o momento ruim e voltar de cabeça em pé”, comenta o executivo ao participar do painel de encerramento do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, nesta sexta-feira (27). O executivo se referia à instabilidade no fluxo global de recursos na direção dos emergentes: “esses dólares não são residentes, são turistas e, como todo turista que curte lugar ensolarados, se as condições mudam ele vai embora”, compara.

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Mohamed El-Erian (Universidade de Cambridge, à esq.) e Gilson Finkelsztain (B3, à dir) debateram o futuro da economia global no encerramento do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais

 

Apesar do ano difícil, o mercado de ações de 2020 marca um recorde de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações), conforme lembra o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, ao falar sobre os juros de 2% ao ano e com taxas reais negativas. “Muitas gerações nunca viram juros neste patamar, o que empurra para cima todo o mercado de capitais. Foram 25 IPOs no Brasil, um recorde, mas ainda não vimos a volta do investidor estrangeiro”, comenta.

O Brasil tem motivos para comemorar. Segundo El-Erian, mesmo com os juros caindo tanto, não houve um colapso da intermediação financeira nem setores permanentemente afetados por aqui. “No câmbio, a relação de R$ 6 por dólar não gerou uma crise ou quebradeira de empresas. A capacidade do Brasil de enfrentar toda esta flutuação nos últimos 12 meses é algo muito importante”, afirma. Sobre o lento retorno do estrangeiro, El-Erian afirma apenas que o Brasil “não se vende muito bem, não faz boas sinalizações que são demandadas pelo estrangeiro”, avalia.

A política de estímulos monetários adotada pelos bancos centrais ao longo do ano, na opinião do presidente da B3 e de El-Erian, em algum momento será revista, mas ambos não visualizam quando isto ocorrerá. “Hoje riscos estão se acumulando, mas toda vez que BCs deram um passo atrás os mercados reagiram mal. A única forma de os BCs começarem o caminho de volta é se a situação melhorar rapidamente impactando no preço dos ativos”, comenta El-Erian. “E não vejo isto no curto prazo.” O presidente da B3 concorda: “por aqui a tendência é esta também, de adiar e adiar a retirada de estímulos.”

 

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