Contratações de influenciadores por instituições financeiras crescem 59%
Parcerias passaram de 503, em julho de 2025, para 802, em julho deste ano. Atualmente, o Instagram concentra mais da metade dos conteúdos divulgadosAs contratações de influenciadores digitais por instituições do mercado de capitais para divulgar seus produtos de investimento e serviços subiram 59%, de acordo com nossos dados. Segundo levantamento, o número passou de 503, em julho de 2025, para 802, em julho de 2026. Atualmente, o Instagram concentra mais da metade dos conteúdos divulgados pelas instituições por meio desses profissionais.
A maioria das parcerias está concentrada em poucos players de mercado: apenas 19 instituições em 2025 e 25 instituições em 2026, o equivalente a, respectivamente, 14% e 18% das empresas que seguem as regras do Código de Distribuição, responderam pela contratação dos influenciadores indicados. Todas as casas têm obrigação de nos reportar a formalização das relações comerciais por meio de contrato; a descrição geral dos produtos divulgados e se eles envolvem atividade regulada, como análise ou recomendação; além da remuneração e a vigência da parceria. Mensalmente, também encaminham a lista dos influenciadores parceiros e mantêm a guarda de todo material publicitário produzido e os links das publicações contratadas por um ano.
"Diante do rápido crescimento desse modelo de comunicação, a autorregulação tem o papel de promover um ambiente mais seguro para investidores e participantes do mercado. Nosso trabalho é acompanhar a implementação das regras, estimular a adoção de boas práticas e contribuir para que esse crescimento ocorra com transparência e responsabilidade", afirma Priscilla Sorrentino, gerente-executiva do núcleo de Ações Investigativas da Supervisão da Anbima.
Monitoramento contínuo
O total de parcerias contratadas em 2025 foi objeto do nosso monitoramento e cerca de 3/4 das instituições cumpriram as normas da autorregulação escopo do monitoramento. As demais tiveram falhas na formalização contratual com influenciadores e atrasos no envio da lista atualizada de criadores de conteúdo contratados. Também foram observados conteúdos sem identificação clara de seu caráter publicitário e comparações entre produtos de investimento ou instituições sem embasamento técnico adequado.
Para a adequação desses pontos, adotamos medidas proporcionais à gravidade de cada caso. As três ocorrências de menor impacto foram tratadas por meio de planos de ação com prazos curtos para implementação dos ajustes. Nos demais casos, um resultou na emissão de carta de recomendação que prevê a reestruturação de processos internos das instituições. Há ainda um caso que permanece em andamento.
"A contratação de influenciadores exige processos estruturados de governança, acompanhamento e controle. A instituição continua responsável pelas informações divulgadas em seu nome e deve manter mecanismos capazes de assegurar que a comunicação seja clara, equilibrada e adequada ao público investidor", diz Sorrentino.
Seguimos reforçando orientações ao mercado sobre o tema e acompanhando a evolução das práticas adotadas pelas instituições, buscando fortalecer os padrões de transparência e responsabilidade na relação entre instituições financeiras, influenciadores e investidores.