ETFs de renda fixa ultrapassam os de renda variável em patrimônio pela primeira vez
Volume investido nos fundos de índices de renda fixa mais do que quadruplicou entre junho de 2025 e junho de 2026O mercado brasileiro registou um marco em junho. Em um movimento que aponta para uma transformação na forma como o brasileiro compõe seu portfólio, os fundos de índice (ETFs) de renda fixa ultrapassaram, pela primeira vez, o patrimônio líquido dos tradicionais ETFs de renda variável.
Em junho de 2026, os ETFs atrelados a índices de renda fixa atingiram um patrimônio de R$ 60,8 bilhões, superando os R$ 55,8 bilhões registrados pelos pares de ações e outros ativos de renda variável, mostram dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Na comparação com junho de 2025, o patrimônio dos ETFs de renda fixa – que era de R$ 13,2 bilhões – mais do que quadruplicou. Somando o de renda variável, o segmento de fundos de índices dobrou no mesmo período, um patrimônio de R$ 116,6 bilhões.
Os ETFs de renda fixa chegaram ao mercado brasileiro em 2018, quase 15 anos depois do lançamento do primeiro fundo de índice, de renda variável, do país, o PIBB11. A estreia foi com o FIXA11 e, poucos meses depois, em 2019, o ETF IMAB11 veio a mercado.
Atrelado ao IMA-B, índice de títulos públicos de inflação da Anbima, o IMAB11 nasceu de uma parceria entre Tesouro Nacional, Banco Mundial, Anbima e B3 para fomentar o mercado de ETFs de papéis emitidos pelo governo. Atualmente, o fundo soma patrimônio de R$ 3,6 bilhões e mais de 17 mil cotistas. No total, 18 dos 65 ETFs de renda fixa brasileiros têm índices da Anbima como referência.
Cresce a presença nas carteiras dos investidores
O interesse pelos ETFs de renda fixa tem impulsionado o crescimento do mercado de fundos de índices no geral. Em junho de 2026, a captação líquida (aportes menos resgates) dos ETFs somou R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões só nos de renda fixa – o equivalente a 88%.
Apenas um ano antes, em junho de 2025, a captação dos fundos de índices havia sido de R$ 1,4 bilhão, sendo 72% desse valor em ETFs de renda fixa. O avanço na captação da categoria em geral foi de mais de 320% no período.
Uma parcela desse crescimento está sendo impulsionada pelos investidores pessoas físicas, que estão descobrindo os fundos de índices em ritmo acelerado. Entre maio de 2024 e maio de 2026, a presença dos ETFs (tanto de renda fixa quanto de renda variável) nas carteiras dos investidores individuais saltou 161%, saindo de R$ 9,8 bilhões para R$ 25,6 bilhões.

Os motores do crescimento
O avanço acelerado dos ETFs, especialmente os de renda fixa, em um curto espaço de tempo reflete uma série de fatores. O cenário prolongado de juros em patamares elevados é um deles, mas não o único.
“Os ETFs oferecem algumas vantagens que fazem deles opções atrativas em um momento de destaque da renda fixa”, comenta Soraia Barros, nossa gerente-executiva de fundos de investimento da Anbima. Eles não sofrem a incidência do "come-cotas" (antecipação semestral de Imposto de Renda), possuem taxas de administração historicamente baixas e permitem diversificar em uma cesta de ativos com a compra de uma única cota na bolsa.
“O movimento dos investidores demonstra como a indústria de fundos está evoluindo, com a oferta de produtos cada vez mais eficientes e ajustados às necessidades do mercado”, complementa Soraia.
Esse movimento de expansão não é uma exclusividade brasileira. O amadurecimento do investidor doméstico reflete uma tendência global consolidada nos Estados Unidos e na Europa. No mundo, os investimentos em ETFs atingiram US$ 23 trilhões em junho de 2026, um recorde histórico, segundo a consultoria ETFGI. Este foi 85º mês consecutivo de captação líquida positiva no mercado global de fundos de índices.
CONFIRA OS DADOS NO ANBIMA DATA
As informações que embasaram essa análise podem ser encontradas no ANBIMA Data, plataforma gratuita de dados da Anbima.
Os dados sobre patrimônio líquido dos ETFs estão disponíveis na área de “Fundos de Investimentos”, na aba “Publicações”. Basta clicar em “Boletim de Fundos de Investimento” e então acessar a versão mais recente. Dentro dela, clique no botão “Baixar arquivo completo” para fazer o download em formato Excel. Os dados utilizados aqui estão na página 5 (“PL por Tipo”).
Para consultar informações sobre um ETF específico, o caminho é acessar a aba “Dados de Mercado”, depois “Fundos de Investimento” e então “Fundos (RCVM-175)”. No campo de busca, é possível digital o nome (ou parte dele) ou o CNPJ do fundo – e então, ter acesso a todos os dados clicando nele.
Os dados sobre a presença de ETFs nas carteiras dos investidores estão no dashboard de “Estatísticas de Distribuição”, disponível clicando na aba “Publicações” e depois em “Distribuição”. É possível filtrar os dados por data ou por segmento de cliente (varejo tradicional, varejo alta renda e private). As informações sobre ETFs podem ser encontradas dentro do grupo de “Fundos Estruturados”.