Mercado de Capitais: captações das empresas brasileiras somam R$ 1,4 bilhão em agosto
Emissões domésticas foram concentradas em renda fixa e instrumentos de securitizaçãoAs captações das companhias brasileiras no mercado de capitais somaram R$ 1,4 bilhão em agosto. Como mostra o Boletim de Mercado de Capitais, as captações foram concentradas em títulos de renda fixa e em instrumentos de securitização. O valor representa uma queda em relação ao montante captado em julho, de R$ 12,4 bilhões.
“A perspectiva é que a retomada das operações, nos mercados doméstico e internacional, possa ajudar a melhorar a estrutura de capital das companhias, abrindo espaço para a reestruturação de passivos e, em alguma medida, para o financiamento de investimentos”, afirma José Eduardo Laloni, diretor da ANBIMA.
No mês, foram realizadas apenas duas emissões de debêntures, ambas enquadradas na Lei 12.431/11 (voltada ao financiamento de projetos de infraestrutura). As operações foram da VLI Operações Portuárias, de R$ 150 milhões, e da Elog, de R$ 60 milhões. Com as duas emissões, chega a R$ 16,6 bilhões o volume de debêntures incentivadas distribuídas desde 2012, enquadradas no art. 2º da Lei. Deste montante, seis debêntures foram emitidas em 2016, com volume total de R$ 1,4 bilhão.
O instrumento mais utilizado em agosto foi o FIDC - Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, responsável por dez operações no valor de R$ 527 milhões. A captação mais relevante foi efetuada pelo FIDC do Banco GMAC – Financiamento a Concessionárias, que atingiu R$ 401,8 milhões e foi distribuído com esforços restritos (quando há um número restrito de investidores qualificados).
No mês, houve também uma oferta de R$ 70 milhões registrada via ICVM 400 (AR FIDC Imobiliários I). Neste tipo de emissão, a oferta de cotas do FIDC é pública, com esforços amplos e distribuição de prospecto aos investidores.
As demais oito operações contaram com dispensa de registro da CVM e tiveram volume médio de apenas R$ 6,9 milhões. Em agosto, também foram captados R$ 320 milhões com CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e R$ 285 milhões com notas promissórias.
As operações corporativas domésticas em 2016 chegaram a R$ 46,8 bilhões até agosto, sendo R$ 6,3 bilhões em ofertas com ações e R$ 40,5 bilhões com títulos de renda fixa e de securitização. O volume corresponde a um recuo de 35% em relação às operações realizadas com valores mobiliários locais no mesmo período de 2015.
Mercado de renda variável
Embora o volume de captações em ações seja o menor desde 2005 para o período de janeiro a agosto - de R$ 6,3 bilhões em 2016 -, há sinais de recuperação. Nos primeiros oito meses de 2016 foram realizadas seis operações, sendo cinco emissões primárias, com volume total de R$ 5 bilhões, e uma distribuição secundária, que movimentou R$ 1,2 bilhão. Dos setores que captaram recursos com ações em 2016 destacam-se o setor de transporte e logística, com 41,6% das operações, seguido do setor de energia elétrica, com 24,6% do total.
Captações externas
No mercado externo, a Vale realizou uma captação com bonds (títulos privados emitidos no exterior), de US$ 1 bilhão e dez anos de prazo. Com essa operação, as captações externas de 2016 somam US$ 17,5 bilhões, superando em 117,2% as realizadas de janeiro a agosto do ano passado.