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MKBR22: Renda fixa ganha espaço, mas diversificação das carteiras segue no radar

Com os juros globais em alta na tentativa de controlar a inflação, a renda rixa voltou ao radar dos investidores e vem ganhando espaço nas carteiras de investimentos. Embora o movimento, na visão dos especialistas, faça sentido, manter um portfólio diversificado segue relevante pensando em oportunidades que surjam na renda variável. Na opinião dos especialistas que participaram nesta quarta-feira de painel no MKBR22, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, o cenário incerto gera dúvidas nos investidores que precisam rever suas carteiras, mas sem abrir mão da diversificação.

+ Confira o MKBR22

 

O cenário desafiador, destaca o gerente de Representação e Distribuição da ANBIMA, Luiz Henrique Carvalho, vem sendo marcado por vários fatores que impactam no dia a dia dos investimentos e obrigam a uma revisão das carteiras.

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Luiz Henrique Carvalho, da ANBIMA (esq); Fernando Miranda, do Nubank (centro); Luciane Effting, do Santander (centro); e Marília Fontes, da Nord Research (esq), discutiram a diversificação na carteira de investimentos em painel do MKBR22

“Foram dois anos difíceis, com uma taxa de juros saindo de 2% ao ano, um patamar histórico, para os atuais 13,75%, sem falar na Guerra da Ucrânia e na covid-19, que levaram a uma inflação global forçando a um aperto monetário”, comenta Carvalho, acrescentando que o conjunto de fatores mudou a perspectiva dos investimentos.

Dentro deste cenário, os participantes do painel foram unânimes ao destacar que as oportunidades claras de um ganho maior e com pouco risco na renda fixa têm atraindo cada vez mais o interesse dos clientes. Para Marília Fontes, sócia-fundadora da casa de análises de investimentos Nord Research, todo o conjunto de mudanças no ambiente macro dos últimos anos deve sustentar juros mais altos e por mais tempo do que se supunha.

“A inflação está persistente, mais do que gostaríamos, e a desaceleração virá em breve. Foram décadas de juro baixo global e ativos de risco, como ações ganhando espaço, mas agora o movimento é inverso, e o investidor precisa readequar a carteira adicionando papéis de renda fixa, que tem risco menor e hoje é bem remunerada”, comenta.

A visão de que quem há quatro ou cinco anos engordou os portfólios com ativos de risco perdeu dinheiro não é totalmente correta, pondera Luciane Effting, head da área de Distribuição de Investimentos do Banco Santander.

“Quem fez a alocação com uma assessoria adequada e respeitando o perfil e a diversificação necessária, sempre olhando o longo prazo, passou melhor pelos desafios dos últimos dois anos. Quando bem assessorado, o cliente não entra na alta e sai na baixa, o que faz toda a diferença em cenário de estresse”, explica Luciane. “Foi pior para quem apenas seguiu uma tendência, sem respeitar a diversificação. É natural que parte do portfólio vá para a renda fixa, mas mantendo outros ativos na carteira. Vejo o investidor mais maduro neste sentido.”

Posição também defendida por Carvalho, da ANBIMA. “É importante aproveitar oportunidades de ganhos com o juro alto, mas mantendo parte do portfólio em bolsa, em renda variável, porque faz sentido no médio e longo prazo”, comenta acrescentando em favor da diversificação a importância de a indústria se comunicar melhor como investidor, relacionando o portfólio com objetivos reais do cliente, em diferentes horizontes de tempo.

Um exemplo de iniciativa neste sentido vem do Nubank que criou “caixinhas” para que o investidor consiga associar a alocação com seus planos reais. “Recebíamos pedidos de pessoas que queriam separar o dinheiro e lançamos em julho as ‘caixinhas’ que podem ser criadas para viagem, reserva de emergência ou outra finalidade. Em um mês, foram 2,2 milhões de caixinhas criadas e 1,8 milhões de investidores utilizando, muitos que jamais tinham investido”, explica Fernando Miranda, vice-presidente de investimento do Nubank. “Planejamento financeiro, organização é um desafio da sociedade brasileira e quando conecta necessidade com objetivo fica mais claro e fomenta a poupança. É menos o ativo e mais do que você quer fazer.”

Luciane reforçou a importância de os bancos e as corretoras empreenderem esforços para ajudar o brasileiro a criar o hábito de poupar, o que exige falar de investimento de forma mais simples.  Otimista, ela lembrou que vê o investidor mais consciente e maduro nos últimos anos, buscando sim conhecer novas oportunidades de investimentos que incluem ativos do exterior. “A regulação ajudou e hoje ativos como BDRs, ETFs e fundos que investem no exterior têm espaço nas carteiras o que é muito positivo. O importante é aproveitar a renda fixa em alta, mas mantendo a diversificação.” 

 

 

 

 

 

 

 

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