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Renda fixa já concentra quase metade da carteira do investidor private

Enquanto perdeu participação entre investidores do varejo, o peso da renda fixa mais que dobrou nas carteiras do segmento private nos últimos cinco anos

Os investidores brasileiros do varejo (tradicional e da alta renda) estão gradualmente tirando alguns ovos da cesta da renda fixa. Já os investidores do segmento private fizeram o movimento contrário nos últimos anos.

Em julho de 2021, 76,9% da carteira do varejo tradicional e de alta renda estava em renda fixa. Essa fatia caiu para 66,3% em julho de 2026, segundo levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

No topo da pirâmide, aconteceu o inverso. Entre os clientes do segmento private, a renda fixa saltou de apenas 20,8% da carteira há cinco anos – atrás da renda variável e dos produtos híbridos – para 45,9% atualmente. De terceira colocada, virou a principal classe de ativos do público com mais de R$ 5 milhões investidos.

Em cinco anos, o patrimônio do private aplicado só nessa classe mais do que triplicou, saindo de R$ 360,6 bilhões para R$ 1,28 trilhão.

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Nesse período, a renda fixa passou a oferecer uma combinação de juros elevados com cada vez mais opções de produtos financeiros. “As taxas foram o grande chamariz, mas vieram acompanhadas de uma ampliação importante da oferta”, diz Luiz Henrique Carvalho, nosso gerente de Distribuição, ressaltando que a Selic saiu de 4,5% para 14% ao ano no período analisado.

“O cliente private passou a ter acesso a mais emissores e a novas estruturas de crédito privado, o que tornou a renda fixa não só mais rentável, como também mais diversificada dentro da própria classe”, afirma.

A mudança chama ainda mais atenção quando comparada ao crescimento do próprio mercado. O patrimônio total dos clientes private atingiu R$ 2,8 trilhões em julho de 2026, alta de 61,8% em cinco anos. Dos R$ 1,07 trilhão adicionados à carteira desse público no período, 86% correspondem a ativos de renda fixa.

Um retrato da carteira do investidor private

De cada R$ 100 aplicados pelo private, cerca de R$ 46 estão em renda fixa, R$ 27 em renda variável, R$ 16 em produtos híbridos e pouco mais de R$ 10 em previdência. Os híbridos incluem produtos como ETF (fundos de índices), FII (fundos imobiliários) e fundos multimercados, entre outros.

É um retrato bem diferente de cinco anos atrás. Em julho de 2021, a renda variável liderava, ocupando 40,4% da carteira, seguida pelos produtos híbridos (29,7%), renda fixa (20,8%) e previdência (8,6%).

A virada do private em direção à renda fixa foi gradual, atingindo o pico de participação nas carteiras agora. Mas isso não significa que as outras classes de investimentos tenham necessariamente perdido recursos. Em números absolutos, a carteira de renda variável, por exemplo, aumentou 8,3% desde 2021.

“Os produtos de renda variável naturalmente têm mais apelo com os clientes do private, um segmento com menos aversão a risco”, afirma Carvalho. Ele lembra, inclusive, que parte significativa do patrimônio destes clientes é alocado no exterior – dados não incluídos nas estatísticas de distribuição da Anbima.

Renda fixa, sim – mas onde exatamente?

Destrinchando os ativos utilizados pelos clientes private para investir, os fundos de renda fixa aparecem como os que mais cresceram em volume.

O valor aplicado por esses investidores em fundos de renda fixa aumentou 331,8% em cinco anos, passando de R$ 81,2 bilhões em julho de 2021 para R$ 350,6 bilhões em julho de 2026. Já a participação deles nas carteiras passou de 4,7% para 12,5%.

Embora a renda variável tenha perdido espaço, as ações continuam sendo o segundo ativo mais presente nas carteiras desse segmento, com 19,8% de participação. Eles são seguidos pelos fundos multimercados, que hoje representam 13,9% da alocação dos investidores private.

Já a poupança é o investimento menos utilizado pelos clientes private, somando R$ 6,4 bilhões em valores absolutos e ocupando apenas 0,2% da carteira.

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CONFIRA OS DADOS NO ANBIMA DATA 

Parte dos dados utilizados nessa análise podem ser encontrados no ANBIMA Data, plataforma gratuita de dados da Anbima.

A distribuição das carteiras dos investidores pessoas físicas estão no dashboard de “Estatísticas de Distribuição”, disponível clicando na aba “Publicações” e depois em “Distribuição”. A base abrange os dados enviados por 89 instituições financeiras.

A evolução geral dos investimentos pode ser vista na seção “Volume financeiro – Evolução”. Já a composição detalhada da carteira está nas seções “Volume financeiro por grupo de produtos” e “Volume financeiro por produto”.

No dashboard, é possível filtrar os dados por data ou por segmento de cliente (varejo tradicional, varejo alta renda e private). A série histórica começa em janeiro de 2024.

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