Tokenização no mundo: quatro aprendizados para acompanhar de perto
Experiências internacionais compartilhadas por Francisco Parente, diretor da ICMA (International Capital Market Association), mostram como interoperabilidade, padrões e integração ganham importância à medida que a tokenização avança
A tokenização está avançando em diferentes mercados, mas não por um único caminho. Experiências nos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Hong Kong e Singapura mostram diferentes combinações entre tecnologia, atuação da indústria e participação do poder público.
Apesar dessas diferenças, alguns desafios começam a convergir. Interoperabilidade, padronização de dados, liquidez e integração entre infraestruturas estão entre os temas que ganham importância conforme as iniciativas evoluem.
Esse panorama foi compartilhado por Francisco Parente, diretor da ICMA (International Capital Market Association), em mesa-redonda que reuniu membros da Rede ANBIMA de Inovação.
Destacamos quatro aprendizados do cenário internacional que ajudam a entender os próximos desafios da tokenização e também trazem referências para o nosso Projeto-Piloto.
1. Não existe um modelo único
A tokenização está avançando a partir de diferentes modelos. Nos Estados Unidos, as iniciativas têm sido mais lideradas pela indústria. União Europeia e Reino Unido seguem modelos híbridos, enquanto Hong Kong e Singapura apresentam maior protagonismo das autoridades locais.
O aprendizado é que não há uma única fórmula para desenvolver esse mercado. A evolução da tokenização depende das características regulatórias, institucionais e de infraestrutura de cada país.
2. Emitir um ativo digitalmente não resolve tudo
Digitalizar a emissão é apenas uma parte da equação. Isso, isoladamente, não garante liquidez nem adoção em escala.
Formação de mercado, acesso dos investidores e integração entre sistemas continuam sendo desafios relevantes. Quanto mais essas iniciativas avançam, mais importante se torna pensar também em como ativos, redes, infraestruturas e diferentes formas de dinheiro digital conseguem se conectar.
É aí que a interoperabilidade ganha espaço: sem conexão entre os diferentes ambientes, existe o risco de criar novas estruturas isoladas em vez de um mercado mais integrado.
3. Padronização pode ser uma ponte entre sistemas
Para sistemas diferentes conseguirem operar de forma integrada, eles precisam também interpretar as informações de maneira consistente.
A BDT (Bond Data Taxonomy), desenvolvida pela ICMA, é um exemplo desse movimento. A iniciativa busca estabelecer uma linguagem comum e legível por máquinas para os principais termos dos títulos de dívida e pode ser aplicada tanto a instrumentos tradicionais quanto tokenizados.
Na prática, padrões comuns podem ajudar a reduzir barreiras de integração e criar uma base para que diferentes participantes e soluções consigam operar de maneira mais conectada.
4. Repo e garantias ajudam a mostrar aplicações práticas
Operações compromissadas, conhecidas internacionalmente como repo, e a mobilização de garantias estão entre as aplicações que já apresentam exemplos em produção.
Entre os potenciais benefícios estão a movimentação mais rápida de ativos e a automação de processos. Mas esses ganhos também evidenciam um ponto importante: a utilidade da tokenização aumenta quando os ativos conseguem circular entre diferentes participantes e plataformas.
E o que esses aprendizados trazem para o nosso Projeto-Piloto?
As experiências internacionais ajudam a colocar em perspectiva alguns dos desafios que também estamos investigando no Projeto-Piloto de Tokenização.
Em fase de testes desde abril de 2026, o projeto utiliza um ambiente simulado para testar etapas como emissão, negociação e liquidação de debêntures e fundos de investimento.
Nesse contexto, os aprendizados internacionais trazem referências principalmente para três frentes: interoperabilidade, padronização de dados e governança da rede.
Acompanhar essas experiências permite entender o que outros mercados estão aprendendo na prática e trazer essas referências para a construção de soluções adequadas à realidade do mercado brasileiro.
Conheça o ANBIMA em Ação 2026
O ANBIMA em Ação 2026 é o conjunto das principais iniciativas estratégicas da associação para este ano. Esse planejamento está ancorado em três frentes principais: desenvolvimento de mercados, institucional e transformação. Confira aqui o plano completo.