Volume administrado por gestores de patrimônio cresce 7,4% e chega a R$ 542,3 bilhões em 2025
Foram destaque no período a continuidade do crescimento da renda fixa e aumento da participação da previdênciaO volume de investimentos administrados por gestores de patrimônio somou R$ 542,3 bilhões em 2025, uma alta de 7,45% em relação ao ano anterior.
Desse montante, a maior fatia – de 47% – ficou com a classe de renda fixa, que manteve a tendência de avanço registrada entre 2023 e 2024. A participação dessa classe na carteira dos gestores de patrimônio cresceu 2,5%. A renda fixa inclui títulos públicos e privados, FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), cotas de fundos de renda fixa e poupança. Em volume financeiro, em 2025 a renda fixa tinha um total de R$ 255,1 bilhões no portfólio dos investidores do segmento, 13,6% a mais que os R$ 224,6 bilhões do ano anterior.
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“O nível elevado da taxa básica de juros no Brasil e as incertezas econômicas ao longo de 2025 reforçaram as classes de renda fixa e de previdência, ao mesmo tempo em que sugeriram mais cautela para a renda variável e os produtos híbridos. Nesse cenário, localmente, os números refletem a consistência da busca dos gestores de patrimônio por esta estratégia”, avalia Tatiana Itikawa, nossa superintendente de Representação de Mercados.
Embora com uma presença mais modesta no volume total, a previdência se destacou, com alta de 2,9% em 2024 para 3,2% em 2025. Essa classe alcançou um montante de R$ 17,3 bilhões no fim de dezembro, o que representa um avanço de 18,5% sobre um ano antes.
Houve queda de 2,7% (de 19,7% para 17%) no caso dos híbridos, classe que abarca cotas de fundos multimercados, fundos imobiliários e ETFs (fundos de índice). Em montante de recursos nas carteiras, o recuo foi de 7,6% entre 2024 e 2025, de R$ 99,7 bilhões para R$ 92,1 bilhões.
A renda variável, correspondente a ações, cotas de fundos de ações, clubes de investimento, cotas de FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e de fundos cambiais, ficou praticamente estável no volume total, com participação de 32,1%. Já em termos de volume financeiro, os produtos dessa classe fecharam o ano com crescimento de 7,2%, para R$ 174,2 bilhões – eram R$ 162,5 bilhões no fim de 2024.
Fundos de renda fixa mantêm destaque
Entre os produtos de renda fixa que fazem parte das carteiras dos gestores de patrimônio, foram destaque em 2025 os fundos de renda fixa, mantendo uma tendência que já havia sido observada no ano anterior. A alta entre 2024 e 2025 foi de 24,4%, de R$ 59,5 bilhões para R$ 74 bilhões. A combinação de Selic elevada com ambiente incerto acabou contribuindo para manter a atenção dos gestores de patrimônio concentrada nos fundos de renda fixa.
Outro destaque do ano foi o desempenho dos títulos de renda fixa isentos – CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LIGs (Letras Imobiliárias Garantidas) e debêntures incentivadas. Os isentos encerraram o ano com avanço de 9,45% sobre 2024, para R$ 63,7 bilhões.
O montante investido em títulos públicos ficou praticamente estável na comparação anual: R$ 39,7 bilhões em 2025, ante R$ 38,8 bilhões em 2024. No caso da previdência, a alta foi de 18,5% – o produto chegou ao fim de 2025 com um volume de R$ 17,3 bilhões. Também tiveram altas os CDBs (13,4%, para R$ 13,5 bilhões) e os títulos privados (9,6%, para R$ 10,3 bilhões).
Dos oito tipos de produtos de renda fixa que fazem parte do levantamento, apenas as debêntures tradicionais tiveram queda em 2025 em relação a 2024, de 28,3%. Nesse caso, o volume caiu de R$ 12 bilhões para 8,6 bilhões.
Fundos estruturados têm alta
Destacaram-se entre os produtos híbridos no ano passado os fundos estruturados, com uma alta de 16,3% sobre 2024. Esses produtos – FIDCs, FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) – encerraram 2025 com um total de R$ 89 bilhões, mais que os R$ 76,5 bilhões do ano anterior. Os ETFs também avançaram entre 2024 e 2025, para R$ 5,9 bilhões (alta de 47,5%).
“O crescimento dos fundos estruturados chama atenção, porque, em dezembro de 2024, eles já ultrapassavam os demais instrumentos em volume e, mesmo assim, conseguiram crescer 16% em 2025. Provavelmente isso decorre de um conjunto de fatores, como um ambiente regulatório mais organizado e a maior clareza sobre a estrutura e a governança desses produtos, o que favorece a análise e a utilização pelos gestores de patrimônio”, afirma Itikawa.
Em linha com um movimento observado na indústria de fundos de investimento como um todo, o volume financeiro dos fundos multimercados dentro das carteiras dos gestores de patrimônio recuou 18,4%, para R$ 61,6 bilhões.
Na renda variável, houve aumentos nos volumes de fundos de ações (5,6%, para R$ 78,6 bilhões) e de ações (12,9%, para R$ 66,6 bilhões).
Distribuição por regiões
O volume financeiro das carteiras dos gestores de patrimônio está concentrado no Sudeste, com R$ 421,2 bilhões em 2025 – 6,6% a mais que no ano anterior. Em termos de variação anual, no entanto, o destaque foi o Nordeste, com crescimento de 20,7%. A região encerrou o ano com um montante de R$ 55,3 bilhões, ante R$ 45,8 bilhões no fim de 2024.
Também tiveram avanços no período as regiões Sul (2,7%, para R$ 56,4 bilhões) e Norte (19,2%, para R$ 3,1 bilhões). Foi registrada estabilidade apenas no Centro-Oeste: o montante correspondente à região terminou o ano em R$ 6,2 bilhões, praticamente o mesmo de 2024.