ANBIMA projeta corte de 1 ponto percentual na Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve reduzir a taxa Selic em 1 ponto percentual, dos atuais 11,25% para 10,25%, na reunião que termina amanhã, 31. A projeção é do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), composto por 25 economistas de instituições associadas, que a cada 45 dias analisam a conjuntura econômica e os cenários para os mercados brasileiro e internacional.
Em relatório, o grupo avalia que a autoridade monetária deve reduzir o ritmo para as próximas reuniões, com corte de 0,75 ponto percentual em julho e de 0,50 em setembro e outubro. A estimativa é que a taxa de juros se situe em 8,50% no fim de 2017.
Em relação à inflação, o Comitê da ANBIMA revisou a mediana do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2017 de 4,10% para 4,0%, em relação às estimativas feitas em abril. A maior parte das projeções concentrou-se no intervalo entre 3,5% e 4,0%. “Houve consenso entre os economistas de que a situação política deve ter um efeito deflacionário, pois pode comprometer a confiança das empresas e da população, com efeitos negativos para a atividade econômica, mas sem pressionar excessivamente a taxa de câmbio até o momento”, afirma Marcelo Carvalho, presidente do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA.
PIB
O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA elevou a estimativa de crescimento do PIB do primeiro trimestre para 0,9%, frente à projeção anterior de 0,4%, feita em abril. As previsões para os próximos períodos, no entanto, indicam um ritmo menor de crescimento da atividade econômica, diante do atual quadro de incerteza. Para o segundo trimestre, os economistas estimam avanço de 0,2% contra 0,5% observado na reunião anterior. As previsões de 0,7% para o terceiro e quarto trimestres foram reduzidas para 0,4% e 0,5%, respectivamente. Para o ano, a mediana da projeção de crescimento elevou-se de 0,44% em abril para 0,50% em maio.
Dólar e cenário externo
O Comitê da ANBIMA revisou as projeções de câmbio para o fim deste ano, de R$ 3,25 para R$ 3,30, o que corresponderia a desvalorização anual de 1,25% da moeda doméstica. A maioria das estimativas do grupo se concentrou no intervalo entre R$ 3,00 e R$ 3,30.
Para os economistas do Comitê que pertencem a bancos estrangeiros, o impacto dos últimos eventos políticos no Brasil aumentou a percepção de risco dos investidores externos que, no primeiro momento, zeraram as carteiras de câmbio e de renda fixa e demonstraram interesse em oportunidades de negócios de ativos de curto prazo. O grupo ressaltou, no entanto, que a retomada dos fluxos de recursos externos pode acontecer tão logo o cenário se tornar mais previsível.
Confira o relatório completo aqui.