ANBIMA projeta corte de 25 pontos base na Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve reduzir a meta da taxa Selic em 25 pontos base na reunião que termina hoje. Assim, o indicador deve passar dos atuais 14% para 13,75%. A projeção está no relatório do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), composto por 25 economistas de instituições associadas, que se reúnem a cada 45 dias e analisam a conjuntura econômica e os cenários para os mercados brasileiro e internacional. Durante o encontro, o grupo avaliou a possibilidade de a autoridade monetária promover diminuição de 50 pontos base para novembro, em função da piora da percepção quanto ao nível de atividade e da desaceleração inflacionária.
A partir de janeiro de 2017, a expectativa é que o ritmo de queda dos juros se acelere, com redução de 50 pontos base até julho e retomada do corte mensal de 25 pontos base para o restante do período. Para o fim do próximo ano, é esperado que a mediana dos juros esteja em 10,50%, a mesma apurada na reunião anterior, em outubro. Nesse quesito, as estimativas dos economistas se situaram entre 9,50% e 12,25%, o que reflete as dúvidas do comitê quanto ao alcance das condições necessárias para a redução significativa da taxa Selic.
O debate também foi marcado pela preocupação dos economistas em relação às incertezas decorrentes do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, como os impactos de políticas protecionistas no fluxo de capitais internacionais e os consequentes efeitos contracionistas para a economia mundial. O novo contexto externo é visto pelo comitê como desafiador no curto e médio prazos, pois adiciona ao radar dúvidas quanto às trajetórias dos juros domésticos e norte-americanos.
PIB
O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA revisou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB). A estabilidade prevista na reunião anterior (0,00%) para o terceiro trimestre de 2016 foi substituída pela estimativa de queda de 0,9%. Para o quarto trimestre, a perspectiva de crescimento moderado de 0,2% foi convertida em redução de 0,1%. As mudanças refletem o aumento da retração da economia esperada para este ano. Para 2017, a expectativa de aumento do PIB foi reduzida de 1,5% para 0,9%.
Inflação
As estimativas para inflação também foram revistas pelos membros do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA. A mediana do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para 2016 sofreu revisão de 7% para 6,76%. Para o próximo ano, a mediana do IPCA foi reduzida de 4,98% para 4,81%, acima do centro da meta de 4,5% prevista pelo Banco Central.
Dólar
As mudanças esperadas para a política econômica norte-americana após a eleição republicana impactaram as estimativas do Comitê em relação à taxa de câmbio. Para o fim de 2016, a mediana de projeções passou de R$ 3,25, da reunião anterior, para R$ 3,37, o que corresponde à desvalorização de 13,82% da moeda doméstica no ano. A expectativa para o fim de 2017 também foi corrigida, de R$ 3,43 para R$ 3,50, o que representa variação cambial de 4,01% para o próximo ano.
Confira o relatório completo.