Captações domésticas de empresas brasileiras somam R$ 1,4 bilhão em agosto
Captações domésticas de empresas brasileiras somam R$ 1,4 bilhão em agosto
Operações de renda variável começam a dar sinais de recuperação
São Paulo, 12 de setembro de 2016 – As captações das companhias brasileiras somaram R$ 1,4 bilhão em agosto, concentradas em títulos de renda fixa e em instrumentos de securitização, segundo o Boletim de Mercado de Capitais divulgado hoje pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O valor é inferior ao resultado de julho - o maior do ano -, de R$ 12,4 bilhões.
“A perspectiva é que a retomada das operações, nos mercados doméstico e internacional, possa ajudar a melhorar a estrutura de capital das companhias, abrindo espaço para a reestruturação de passivos e, em alguma medida, para o financiamento de investimentos”, afirma José Eduardo Laloni, diretor da ANBIMA.
No mês, foram realizadas apenas duas emissões de debêntures As operações foram da VLI Operações Portuárias, de R$ 150 milhões (enquadrada na lei 12.431, de incentivo a projetos de infraestrutura), e da Elog, de R$ 60 milhões. Com isso, chega a R$ 16,6 bilhões o volume de debêntures incentivadas distribuídas desde 2012, enquadradas no art. 2º da Lei. Deste montante, seis debêntures foram emitidas em 2016, com volume total de R$ 1,4 bilhão.
O instrumento mais utilizado em agosto foi o FIDC - Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, responsável por dez operações no valor de R$ 527 milhões. A captação mais relevante foi efetuada pelo FIDC do Banco GMAC – Financiamento a Concessionárias, que atingiu R$ 401,8 milhões e foi distribuído com esforços restritos (quando há um número restrito de investidores qualificados).
No mês, houve também uma oferta de R$ 70 milhões registrada via ICVM 400 (AR FIDC Imobiliários I). Neste tipo de emissão, a oferta de cotas do FIDC é pública, com esforços amplos e distribuição de prospecto aos investidores.
As demais oito operações contaram com dispensa de registro da CVM e tiveram volume médio de apenas R$ 6,9 milhões. Em agosto, também foram captados R$ 320 milhões com CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e R$ 285 milhões com notas promissórias. No ano, as operações corporativas domésticas chegaram a R$ 46,8 bilhões até agosto, sendo R$ 6,3 bilhões em ofertas com ações e R$ 40,5 bilhões com títulos de renda fixa e de securitização. O volume corresponde a um recuo de 35% em relação às operações realizadas com valores mobiliários locais no mesmo período de 2015.
Mercado de renda variável
Embora o volume de captações em ações seja o menor desde 2005 para o período de janeiro a agosto - de R$ 6,3 bilhões em 2016 -, há sinais de recuperação. Nos primeiros oito meses de 2016 foram realizadas seis operações, sendo cinco emissões primárias, com volume total de R$ 5 bilhões, e uma distribuição secundária, que movimentou R$ 1,2 bilhão. Dos setores que captaram recursos com ações em 2016 destacam-se o setor de transporte e logística, com 41,6% das operações, seguido do setor de energia elétrica, com 24,6% do total.
Captações externas
No mercado externo, a Vale realizou uma captação com bonds (títulos privados emitidos no exterior), de US$ 1 bilhão e dez anos de prazo. Com essa operação, as captações externas de 2016 somam US$ 17,5 bilhões, superando em 117,2% as realizadas de janeiro a agosto do ano passado.
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