Cenário adverso leva à queda nas captações no mercado de capitais no semestre
São Paulo, 8 de julho de 2015 - A piora da economia brasileira no primeiro semestre de 2015 afetou a estratégia de captação das empresas no mercado de capitais, segundo o boletim de Mercado de Capitais da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais) divulgado nesta quartafeira (8).
No segmento de renda fixa, as captações acumuladas no período, tanto as domésticas como as externas, somaram R$ 57,6 bilhões, valor 60% inferior aos R$ 143,09 bilhões registrados no mesmo período do ano passado - e o nível mais baixo desde 2009.
No segmento de renda variável, apesar de o volume captado ser 11,5% superior do que no primeiro semestre passado, de R$ 14,9 bilhões para R$ 16,7 bilhões, apenas duas empresas recorreram a esse mercado, repetindo o baixo interesse observado em 2014 pelo financiamento por meio da colocação de ações.
“Os resultados do primeiro semestre refletem um cenário volátil e um pessimismo generalizado das companhias frente ao atual cenário macroeconômico. No entanto, temos uma expectativa positiva para o segundo semestre, com prováveis emissões de renda variável no mercado doméstico e ainda um aumento das emissões de dívida com o programa de estímulo de títulos corporativos com o BNDES”, afirma Carolina Lacerda, diretora da ANBIMA.
As poucas emissões domésticas no mês de junho reforçaram esse quadro, sendo este o pior resultado da década, com volume de apenas R$ 2,15 bilhões, considerando as ofertas de renda fixa e variável.
De qualquer forma, no semestre, as debêntures continuaram como o principal instrumento de renda fixa utilizado pelas empresas e, como ocorre desde 2010, as emissões sob esforços restritos prevaleceram entre as modalidades de captação. Contudo, vale destacar o crescimento da participação das ofertas ICVM nº 400 (ofertas públicas de valores mobiliários), que atingiu 23,6% contra a média de 13% dos últimos quatro anos, puxadas pelas emissões das debêntures para os projetos de infraestrutura.
Nesse sentido, o Programa de Investimento em Logística, anunciado pelo governo no começo de junho, reforçou o papel do mercado de capitais entre as fontes de financiamento dos projetos do Programa, criando uma expectativa favorável, principalmente para as debêntures, para o começo do segundo semestre deste ano, quando está prevista a rodada de concessões públicas.
Após um início de ano sem colocações externas e com baixo volume de ofertas no mercado local, o mês de junho registrou novas emissões de bonds de seis companhias brasileiras no mercado internacional que atingiram quase US$ 6 bilhões. Em grande medida, as ofertas externas foram estimuladas pelo aumento do custo das emissões locais, com a trajetória de alta da taxa Selic.
Sobre a ANBIMA
A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa as instituições que atuam nos mercados financeiro e de capitais brasileiros. Faz parte do quadro associativo um número heterogêneo de membros que atuam em diversos segmentos. Dentre os mais de 290 associados figuram bancos comerciais e múltiplos, de investimento, gestores e administradores de fundos, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários e gestores de patrimônio.
Com o objetivo de contribuir para o fortalecimento das instituições e do mercado, a Associação organizou sua atuação em torno de quatro compromissos: representar os interesses dos associados, autorregular as atividades dos mercados representados, contribuir para a qualificação dos investidores e profissionais e prover informações sobre os segmentos representados.
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