Comitê de acompanhamento macro da ANBIMA projeta crescimento de 7,2% e inflação de 5,7% para 2010
O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA elevou suas projeções para crescimento, inflação e taxa de juros para este ano e para 2011. O Comitê, que se reúne periodicamente para avaliar as perspectivas para o cenário macroeconômico, projeta que a economia brasileira crescerá 7,2% em 2010, elevação significativa frente aos 5,7% projetados em março deste ano. Já para 2011, a previsão, que em março era de crescimento de 4,2%, passou agora para 4,5%.
A projeção de maior aquecimento da economia foi acompanhada de elevação das expectativas de inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), tanto para 2010 quanto para o próximo ano. O cenário do Comitê da Associação projeta agora inflação de 5,7% para este ano e de 4,8% para 2011. Em março, as estimativas eram, respectivamente, de inflação de 5,0% e 4,7%. Ainda de acordo com o cenário elaborado pelo Comitê, a taxa básica de juros fecharia o ano em 11,75%, chegando em dezembro de 2011 a 12,25%.
As incertezas geradas pela crise européia podem ter impactos negativos na oferta de linhas de financiamento externo para o Brasil, avaliam os membros do Comitê. No entanto, a relativa recuperação do crescimento global, com cenário mais benigno nos EUA e forte expansão das economias emergentes, deve amenizar possíveis impactos da crise européia para a economia brasileira. Na avaliação do comitê, um cenário global benigno deve contribuir para um comportamento favorável dos preços das commodities, beneficiando o Brasil. “Na avaliação do comitê, o cenário global continua sendo um elemento importante para as perspectivas da economia brasileira”, diz Marcelo Carvalho, presidente do Comitê.
No cenário doméstico, os economistas do Comitê da ANBIMA avaliam que há risco baixo de reversão do quadro de crescimento econômico apontado pelos próprios cenários da entidade. Ainda assim, eles apontam para dois aspectos que devem ser levados em consideração pelos formuladores de política econômica, de forma que a economia brasileira consiga manter um padrão de cresicmento sustentado ao longo do tempo: a qualidade dos gastos públicos e os déficits em conta corrente. “Na opinião do comitê, o importante é assegurar as condições econômicas que permitam o crescimento econômico sustentado de longo prazo”, conclui Carvalho.