Congresso de Fundos: Juros e expectativa de vida alongam horizontes da indústria de investimentos
O aumento da expectativa de vida do brasileiro e a queda dos juros ampliaram os horizontes de planejamento de todos os agentes da economia brasileira, em particular dos agentes de investimentos, avalia Júlio Cesar Maciel Ramundo, diretor do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que participou hoje da abertura do segundo dia de debates do 7º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, realizado em São Paulo. Em alguns casos, os horizontes superam o prazo de uma década, como é o caso dos projetos de infraestrutura, que demandarão bilhões de reais em investimentos durante muitos anos.
Segundo ele, todos os agentes empresariais e do mercado financeiro e de capitais têm incorporado questões de longo prazo nos seus debates. “Para nós do BNDES, que temos o longo prazo como dever de ofício, a situação é de deleite, e temos muita satisfação em operar nesta nova condição”, afirmou. Além do cenário macroeconômico marcado por juros mais baixos, Ramundo destacou que a expectativa de vida crescente do brasileiro e o consequente aumento dos gastos com saúde devem modificar a cultura de poupança no país.
Estes fatores “conspiram a favor” da indústria de fundos, que tem um horizonte claro de crescimento nos próximos anos. Na visão do diretor, existem três tendências claras neste mercado: crescimento dos títulos corporativos de dívida; aumento da importância relativa das alocações em renda variável e a incorporação de ativos primários e projetos mais sofisticados nos portfólios. “Não faltarão oportunidades, mas os gestores terão que ser mais sofisticados e atentos às exigências de investidores, tanto institucionais quanto do varejo”, diz Ramundo.
O diretor afirmou que tanto o banco quanto o governo federal têm feito esforços para transformar o mercado de capitais em um elemento central da estratégia de desenvolvimento do país. “Entendemos que um país desenvolvido precisa de um mercado de capitais forte que compartilhe o financiamento de longo prazo”, afirmou. Ramundo destacou que o banco teve um papel relevante no desenvolvimento da indústria de fundos de venture capital e private equity, além de ter trabalhado na difusão de boas práticas do Novo Mercado. A instituição também apoia o desenvolvimento do mercado de acesso da BM&FBovespa, o Bovespa Mais.
No mercado de renda fixa, a atuação do banco se dá como emissor, investidor e fomentador da indústria, de acordo com o executivo. Além de ser frequente emissor de debêntures em ofertas públicas, o BNDES faz exigências quando está no papel de investidor, como a indução da participação de formadores de mercado, transparência, desincentivo ao DI e preferência por emissões de longo prazo, de cinco a seis anos.
Segundo o diretor, os projetos de infraestrutura do banco procuram a colocação no mercado de debêntures ou títulos securitizáveis. “Temos também ampliado a atuação no mercado secundário de debêntures para induzir a liquidez”, afirma, destacando que operações de venda na carteira do banco têm sido feitas desde 2010. No ano passado, o BNDES passou a atuar na compra de papéis no mercado secundário, inclusive em operações onde não teve participação da emissão primária.