Congresso de Fundos: Mercado de previdência privada deve se adaptar à nova realidade
Com a queda dos juros, o mercado de previdência vai precisar alinhar seus produtos à nova realidade se quiser obter retornos mais atrativos.Essa foi uma das conclusões da palestra “Novas Regras na Gestão de Recursos de Previdência Complementar”, realizada hoje, durante o 7º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, em São Paulo. Para atingir este objetivo, o setor deve diversificar seus investimentos, mesmo que isso traga mais volatilidade.
Segundo dados da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), 61% dos investimentos dos fundos de pensão estão na área de renda fixa, o que já afeta a rentabilidade dos fundos.
Segundo Paulo Vianna, da divisão de Monitoramento de Ativos da Susep (Superintendência Nacional de Seguros Privados), o ambiente de juros mais baixos exige maior especialização e é importante procurar instrumentos com rentabilidades diferenciadas. “Não podemos ser gestores apenas de títulos públicos”, afirma.
Outro tema importante para o mercado de previdência neste momento diz respeito à regulação. Segundo Luiz Sorge, diretor da ANBIMA e da BNP Paribas Asset Management, esta indústria precisa passar por uma padronização, uniformizando as regras da previdência complementar fechada e aberta, em linha com os padrões globais.
Para Luciano Snel, vice-presidente da Icatu Seguros e da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), uma das conquistas recentes do setor foi a Resolução 4.176 do CMN (Conselho Monetário Nacional), editada em janeiro, que acompanha um movimento natural do setor e atende à preocupação com o desempenho dos recursos aplicados.
A norma veio em sintonia com as solicitações do mercado, ao ampliar o prazo médio para a carteira de renda fixa dos fundos de previdência complementar aberta, que inclui os planos do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).
A indústria de previdência complementar acumula recursos de R$ 1 trilhão. Cerca de 60% desse total são geridos por meio de fundos de investimentos e os outros 40% são compostos por carteiras próprias.