Empresas focam em captações de renda fixa no trimestre
Em setembro, as captações das companhias brasileiras continuaram concentradas no segmento de renda fixa. “O cenário do mercado de capitais em 2014 é bastante atípico,baseado num cenário de incerteza causado por diversos fatores,” avalia Carolina Lacerda, diretora da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais). As informações são do
boletim de mercado de capitais, divulgado hoje pela Associação.
No mercado doméstico, as operações com títulos de dívida seguem frequentes, embora em ritmo moderado. No mês, as debêntures voltaram a se destacar em relação aos demais títulos. “É comum que em períodos de volatilidade as companhias captem em prazos mais curtos, com notas promissórias, conforme havíamos observado nos trimestres anteriores. Em setembro, no entanto, as debêntures movimentaram um volume de R$ 2,6 bilhões, enquanto as notas promissórias levantaram apenas R$ 713 milhões,” comenta Carolina.
A desaceleração das ofertas de debêntures no ano tem impactado negativamente o resultado das captações com títulos de dívida em 2014, e particularmente, o do terceiro trimestre (R$ 17 bilhões), que foi um dos mais baixos dos últimos sete anos.
No mês, as captações com instrumentos de dívida foram marcadas por operações de menores volumes e pela predominância de ofertas distribuídas com esforços restritos. A única exceção foi o FIDC da Omni Veículos X, com volume de R$ 148,7 milhões. Contudo, quatro operações com debêntures ICVM 400, com volume total de R$ 1,5 bilhão, estão em análise, incluindo operações de debêntures incentivadas (Lei 12.431/11).
No mercado internacional, o volume de ofertas alcançou US$ 3,8 bilhões, liderado pela operação de US$ 1,3 bilhão com títulos perpétuos do BTG Pactual e pela captação do Tesouro com prazo de 10,5 anos, de US$ 1,05 bilhão. O Tesouro, instituições financeiras e companhias continuam se beneficiando do cenário propício às captações internacionais e da acentuada demanda por títulos de dívida de empresas brasileiras ofertados no exterior. No ano, o volume destas captações (US$ 44,2 bilhões) já supera em 39% o total do mesmo período de 2013.