Fevereiro marca o primeiro mês sem emissões de debêntures desde 2009
São Paulo, 8 de março de 2016 - A volatilidade e as incertezas do cenário macroeconômico continuam impactando as captações das companhias brasileiras no mercado de capitais. Fevereiro, além do baixo volume de operações - R$ 292 milhões contra a média mensal de R$ 7,9 bilhões dos últimos seis meses -, foi o primeiro mês sem registro de emissão de debêntures desde 2009.
Os dados foram divulgados hoje no boletim de Mercado de Capitais da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e contemplam somente as emissões encerradas no mês de fevereiro.
"O cenário é desafiador. O mercado de capitais continua impactado, como mostra a retração deste último mês. Não registramos emissões de debêntures e as emissões de notas promissórias tiveram volume reduzido. Em contrapartida, os CRIs aumentaram consideravelmente", afirma Carolina Lacerda, diretora da associação.
Vale ressaltar que, atualmente, há cerca de R$ 2,8 bilhões em debêntures em processo de distribuição com esforços restritos no mercado (ativos enquadrados na ICVM 476).
No mês, foram finalizadas apenas três operações com notas promissórias, com volume de R$ 177 milhões; quatro ofertas de FIDCs, que somaram R$ 74 milhões; e três tranches de CRIs, de R$ 41 milhões.
Emissões domésticas
No acumulado do ano, o volume de ofertas corporativas domésticas caiu 30,2% em comparação ao primeiro bimestre de 2015, período que, por sua vez, já havia registrado uma queda de 44,9% em relação a igual período de 2014.
O mais recente rebaixamento do rating soberano do Brasil, que representou a terceira perda de grau de investimento do país, aliado à volatilidade do mercado internacional, não traz boas perspectivas para a retomada das captações internacionais por parte das companhias brasileiras, suspensas desde junho de 2015.
No mercado doméstico, permanece em análise na CVM a oferta de ações da Caixa Seguridade Participações; a oferta de debêntures da Santander Leasing, com volume de R$ 20 bilhões; uma oferta de FIDC, de R$ 200 milhões; e 15 tranches de CRIs, com volume total de R$ 2,5 bilhões.
Por setor
No primeiro bimestre de 2016, o setor de transporte e logística foi o que mais acessou o mercado de capitais. Foram realizadas uma oferta com debêntures, da Companhia de Participações em Concessões, de R$ 1,25 bilhão; e duas operações com notas promissórias: uma da Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora – Rio, de R$ 210 milhões; e uma da CCR, com volume de R$ 110 milhões.
O setor de transportes está entre os mais ativos no levantamento de recursos no segmento doméstico de renda fixa, ao lado do setor de energia elétrica, que historicamente mantém a liderança das operações, em especial do número de ofertas, e dos setores de assistência médica e produtos farmacêuticos, de empreendimentos e participações e de comércio varejista.
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