Private Banking: Conjuntura econômica estimula investidor a buscar diversificação e fortalece planejamento financeiro em 2013
A redução dos juros ao longo de 2012 promoveu uma mudança no comportamento dos investidores de Private Banking em direção a alternativas de produtos menos conservadores, de menor liquidez e com prazos mais longos. Neste ano, o segmento espera que o investidor busque mais opções de diversificação e passe a se envolver cada vez mais nas etapas do planejamento financeiro. A análise foi divulgada hoje pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que divulgou o desempenho do segmento em 2012.
“O crescimento da alocação em fundos multimercados e produtos estruturados é reflexo dessa nova conjuntura. O segmento já vem se preparando há alguns anos para esse cenário. Inicialmente com a implantação do API (Análise do Perfil do Investidor), que começou em 2009.Agora estamos dando mais um passo relevante, com as exigências de certificação dos profissionais que atuam no Private Banking”, afirma Celso Scaramuzza, vice-presidente da ANBIMA.
A partir deste ano, as instituições aderentes ao Código de Regulação e Melhores Práticas de Private Banking começarão a se adaptar às novas exigências, que envolvem o aumento no número de profissionais com certificação CFP e também mudanças na política de capacitação profissional dos gerentes.
“Estamos próximos à meta para 2014, com 39,7% dos bankers com CFP, e vamos começar a implementar nas instituições os prazos para a capacitação contínua dos gerentes. Essas ações serão acompanhadas pela equipe de Supervisão da ANBIMA, que neste primeiro momento vai fazer um trabalho de orientação nas instituições”, explica João Albino, presidente do Comitê de Private Banking.
“A maior complexidade do cenário atual tem levado os clientes a se preocuparem mais com o processo de planejamento financeiro, com as famílias e herdeiros se envolvendo mais no processo. Essa é uma tendência que deve se fortalecer em 2013”, relata Albino.
Resultados em 2012.
Em 2012, o volume total de ativos sob gestão no segmento Private cresceu 21,4%, atingindo R$ 527,3 bilhões. Entre 2011 e 2012, observa-se o aumento do volume médio de recursos por cliente de R$ 8,7 para R$ 10,8 milhões e uma ligeira queda no número de clientes (-3,6%), o que parece explicitar uma redefinição, pelo mercado, do porte do cliente para classificação como private.
Regionalmente, o volume de recursos segue concentrado no Sudeste (79,4%), embora a maior taxa de crescimento tenha se registrado na Região Nordeste. A distribuição dos recursos, de um modo geral, reflete um movimento em direção a alternativas menos conservadoras, que oferecem retornos mais elevados e, por outro lado, mais risco.
Dos recursos aplicados diretamente em Títulos e Valores Mobiliários, a parcela alocada em Renda Fixa, em relação ao total de ativos, reduziu-se de 36,7% em 2011, para 31,5% em 2012, enquanto a de Renda Variável subiu de 14,5% para 15,8%. Já a parcela investida em Fundos de Investimento concentra-se na categoria Multimercados e, em relação ao total de ativos, elevou-se de 43% em 2011 para 46% em 2012, com maior taxa de crescimento na categoria de Fundos Estruturados.
As aplicações em Previdência Aberta continuam se expandindo, com crescimento de 44,6% em relação a 2011. Esses números parecem refletir a resposta dos investidores ao movimento de redução dos juros e à necessidade de maior planejamento patrimonial. Vale mencionar a redução do ritmo de crescimento da captação de crédito (123% em 2011 contra 50,9% em 2012), seguindo concentrada no setor de Agronegócio.