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Carlos André: "o desafio dessa Diretoria é não é só dar continuidade ao trabalho feito, mas liderar a Associação num momento de tantas transformações"

A nova Diretoria da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), composta por Carlos André, presidente, e mais 21 executivos, tomou posse em cerimônia realizada nesta terça-feira, dia 10, em São Paulo. Participaram do evento autoridades, representantes do governo e de outras entidades de classe nacionais, além de presidentes dos nossos fóruns, grupos consultivos, comissões, conselhos e grupos de trabalho.

Confira o discurso de Carlos André na íntegra:

 "Suas palavras dão a dimensão do meu desafio, Carlinhos.

A ANBIMA avançou muito nestes quatro anos sob a sua gestão. E o desafio dessa Diretoria renovada agora não é apenas dar continuidade ao trabalho que você fez, mas também liderar a Associação num momento de tantas transformações como o que vivemos hoje.


 Não podemos perder de vista nossa principal razão de existência, que são os associados. Carlinhos liderou um trabalho de aproximação relevante, ampliando e agilizando a nossa capacidade de interlocução com os associados e aderentes, com o uso mais intenso das plataformas digitais de comunicação. Com isso, democratizamos o acesso aos temas discutidos nas nossas reuniões e nas audiências públicas, o que era uma demanda antiga das instituições participantes.

Isso é muito importante porque, afinal, são os associados que dão legitimidade ao nosso trabalho. A ANBIMA tem o condão de reunir diferentes instituições que, na sua diversidade, reproduzem a pluralidade do mercado brasileiro. São casas de diferentes tamanhos, foco de negócio, origem de capital ou composição societária. São, portanto, múltiplos pontos de vista, que ajudam a construir o consenso a partir das diferenças.

As transformações pelas quais o mercado vem passando, estão trazendo novos atores ao nosso ecossistema. São empresas, boa parte delas fintechs, que chegam com novos modelos de negócios e abordagens. Nosso objetivo é atrair e acolher esses novos players e trazê-los para enriquecer o debate, tendo sempre como premissa o fortalecimento do mercado.

O trabalho em favor do mercado não poderia ser realizado sem a proximidade que temos com o governo e com os reguladores, especialmente a CVM. Não é de hoje que a autarquia tem sido uma parceira importante nesta jornada que sempre se mostrou sensível às considerações do mercado verbalizadas pela ANBIMA. Ao longo dos anos, construímos um diálogo bastante transparente, com uma interlocução permanente e franca.

Evoluímos para um número crescente de convênios de autorregulação e acordos de cooperação técnica, tanto para análises prévias como para compartilhamento de informações. São vários os convênios hoje entre a ANBIMA e a CVM, o último deles firmado no ano passado, para acompanhar a atuação dos influenciadores que falam sobre investimentos nas redes sociais.

Nossa interlocução com o Banco Central é igualmente digna de nota. Tivemos conversas bastante produtivas sobre o open investment e sobre toda a agenda de internacionalização do nosso mercado de capitais, que são duas prioridades importantes que avançaram muito nos últimos anos. Não posso falar do Banco Central sem citar a parceria para operacionalização do Selic. Estamos juntos há 48 anos e somos gratos pela confiança e ao mesmo tempo, cientes da responsabilidade que temos perante não só ao BC, mas a todo sistema financeiro.

Finalmente, temos caminhado muito e queremos avançar ainda mais com a B3. Este ano, mais uma vez, estaremos juntos na construção de uma agenda para o mercado de capitais. Ao longo dos próximos meses queremos ouvir representantes do governo e assessores econômicos dos candidatos a presidência da República para debatermos propostas que nos permitam caminhar em direção a um Brasil mais justo, mais igual, com mais emprego e melhor distribuição de renda.

Toda essa agenda vai culminar com a realização, no segundo semestre deste ano, do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais. Ao longo de vários dias, vamos promover debates sobre os temas mais relevantes não só para os nossos mercados, mas que sejam importantes também para o país.

Afinal, este é um ano eleitoral e não podemos nos furtar ao debate, nem como cidadãos, nem como representantes dos mercados financeiro e de capitais. Mais que participar, temos que estimular o debate democrático, ao mesmo tempo que firmamos posição em torno do que acreditamos ser o caminho para o Brasil retomar o crescimento sustentável.  Buscar sempre o diálogo  e o debate franco e respeitoso é o único caminho para avançar nas conquistas sociais que tanto queremos.

Apoiamos um ajuste fiscal e uma reforma tributária que fortaleçam a confiança na gestão das finanças públicas. Acreditamos na política monetária como instrumento chave para o controle da inflação. Defendemos a reavaliação permanentemente do papel e do tamanho do Estado brasileiro, para que o setor público tenha melhores condições de canalizar seu foco de atuação nos temas mais caros à sociedade, como saúde, segurança e educação.

O mercado de capitais está pronto para ir ao encontro das demandas do setor privado por financiamento de longo prazo. Existe hoje uma ampla gama de instrumentos financeiros, com opções variadas de risco, retorno e liquidez capazes de oferecer a previsibilidade de custo, prazo e de desembolsos que as empresas precisam para viabilizar seus projetos.

Um mercado de capitais forte e saudável exige autonomia e a sustentabilidade financeira das agências reguladoras em geral, e da CVM em particular. Também é fundamental o estímulo aos investimentos estrangeiros no Brasil, assim como é importante ampliar e facilitar o acesso dos brasileiros a alternativas de investimento no exterior.

Trabalhamos nessa pauta ao longo dos últimos anos e não é exagero dizer que a indústria de fundos se prepara para uma revolução com a tão aguardada revisão da Instrução CVM 555, principal normativo desse mercado. As mudanças buscam desburocratizar as operações, reduzir custos e melhorar a segurança jurídica dos fundos, veículos de investimento que historicamente exercem papel importantíssimo no financiamento da dívida brasileira, tanto pública como privada e na canalização de recursos financeiros para o mercado de capitais em geral.

É grande também a expectativa em torno das mudanças nas regras das ofertas públicas de valores mobiliários. Esperamos que a revisão das instruções 400 e 476 simplifique os processos e dê mais agilidade na colocação dos papeis, fortalecendo, assim, o mercado de capitais como alternativa preferencial para o levantamento de recursos pelas empresas.

No campo da distribuição de investimentos, as transformações são evidentes. A disseminação das chamadas plataformas de investimentos com seus escritórios de assessores, o reposicionamento dos bancos nesse segmento de mercado e a multiplicação das casas independentes são reflexos disso. Não posso deixar de mencionar o crescimento das casas de análises e da importância dos influenciadores digitais, que a cada dia ganham mais relevância, a ponto de, como já mencionei, a ANBIMA e a CVM acompanharem de perto esse universo, que hoje passa ao largo da regulamentação.

Nossas iniciativas de autorregulação são também um legado importante e uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento dos mercados, sempre complementando as normas emanadas pelos reguladores. Nossos códigos passarão por mudanças importantes para se adaptarem às novas realidades das indústrias de gestão de recursos e de ofertas públicas, que eu já mencionei há pouco. E é por meio da autorregulação que podemos dar mais agilidade e racionalidade ao conjunto de práticas e regras necessários ao desenvolvimento sustentável dos segmentos que representamos. Assim, estamos avançando por exemplo numa agenda de maior transparência da remuneração dos agentes de distribuição e consolidando ainda mais nossos esforços de aprimoramento na classificação de fundos sustentáveis.   

Não é mais aceitável dissociar o mundo dos negócios das pautas sociais e ambientais. A Associação já tinha esse entendimento há anos e, desde então, vem mantendo um olhar atento à agenda ESG. Estarmos abertos a novas abordagens é uma questão de sobrevivência. O mercado é dinâmico, e a Associação também precisa ser. Foi assim que novos temas entraram para a agenda nos últimos anos e tendem a ganhar corpo daqui para a frente. A análise de riscos socioambientais se junta às métricas já conhecidas de avaliações de riscos de mercado, de crédito e de liquidez e para isso, serão cada vez mais necessárias iniciativas para facilitar o acesso, a comparabilidade e a análise de dados e informações relacionadas à pauta ESG.

Diante dessa nova realidade de dinamismo e constantes mudanças dos mercados, novos temas entram na agenda a todo tempo. E é papel da Associação acompanhar esse movimento. Agora vemos emergir um novo universo dos ativos digitais, das finanças descentralizadas, do blockchain, tokens... todos assuntos que já estão na nossa pauta e para os quais esperamos estar preparados para debater e auxiliar no seu desenvolvimento saudável e sustentável.

Operar nesse mundo em constante mudança exige também que estejamos atentos às necessidades dos profissionais de mercado e dos investidores. E de novo temos ferramentas estratégicas para isso: nossos programas de certificação, educação continuada e educação de investidores.

A ANBIMA reconhece seu papel fundamental na formação e na disseminação de informações e conhecimentos aos profissionais de mercado e aos investidores. Não podemos poupar esforços nessas áreas. Estamos chegando rapidamente à marca de meio milhão de profissionais com certificações válidas e a  procura cresce. Temos que aprimorar continuamente as certificações. Temos que criar processos de educação continuada que respondam com agilidade às necessidades do mercado e ajudem os nossos profissionais a navegar nesse mundo cada vez mais complexo.

Todos nós, profissionais de mercado, temos um desafio adicional: levar informação de qualidade aos investidores. Nossa pesquisa Raio-X do Investidor mostra que tem aumentado ao longo dos últimos anos o conhecimento dos investidores sobre os produtos de investimento disponíveis no nosso mercado. Mas, mesmo com essa melhora recente, 72% dos brasileiros não conseguem mencionar espontaneamente o nome de um produto de investimento. Apenas 6% citam fundos de investimento, por exemplo, e apenas 3% investem em fundos. Os resultados do Raio-X mostram o tamanho do nosso desafio e a oportunidade que temos de expandir nossa indústria. Além disso, eles nos dão a dimensão da importância dos investimentos da ANBIMA em educação do investidor. Seguimos com a convicção de que pessoas bem formadas e informadas são uma das bases de sustentação de um mercado forte e sustentável.

Este ano, a ANBIMA completa 13 anos, mas já são quase cinco décadas de trabalho em favor dos mercados, afinal, a Associação nasceu da união de duas entidades que já traziam isso no DNA.

Ainda há novas fronteiras para explorar e avançar. Num mundo em que os dados e informações são considerados o novo petróleo, a ANBIMA quer se consolidar como a grande provedora de dados do mercado. Queremos compilar, organizar, classificar, adicionar valor e facilitar o acesso ao extenso conjunto de dados e informações que já temos relacionados aos segmentos que representamos. Sabemos o tamanho desse desafio, mas temos os talentos e recursos necessários e uma longa tradição da Associação nessa área na qual podemos confiar.

Ao longo dos últimos anos eu tenho acompanhado bem de perto, como integrante desta diretoria e dos fóruns ou comissões da ANBIMA, inúmeras discussões que começaram internamente e depois ganharam corpo na forma de regras ou outros normativos, sejam da regulação ou da autorregulação.

O protagonismo que tem caracterizado a atuação da ANBIMA é um legado que eu e esta Diretoria recebemos não só do Carlinhos, mas de todas as outras lideranças que eu também vejo aqui. O êxito do trabalho da ANBIMA é resultado da dedicação de muita gente.

Sei que temos muito trabalho pela frente. Mas sei também que com a dedicação, competência e profissionalismo da Diretoria e da equipe interna da ANBIMA, sob a brilhante liderança do Zeca, nossa jornada será certamente exitosa. E, acima de tudo, conto com o apoio dos mais de 290 associados, que são a razão de existir da Associação.

Agradeço a todos vocês por me acompanharem neste momento!

Muito obrigado!"

 

 

 

 

Sobre a ANBIMA

A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa mais de 270 instituições de diversos segmentos. Dentre seus associados, estão bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a Associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de regulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.