Debêntures atreladas ao DI retomam rentabilidade positiva no ano
As debêntures atreladas ao DI registraram nesta semana rentabilidade anual positiva pela primeira vez desde o início da pandemia de Covid-19. Na terça-feira, 18, a variação do IDA-DI (Índice de Debêntures ANBIMA, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que acompanha esses papéis, retomou ao patamar positivo (0,0046%), devolvendo parte da perda acumulada desde março.
O resultado acumulado do IDA-DI no ano havia sido positivo pela última vez em 19 de março, quando a deterioração da percepção dos riscos associados ao mercado e, consequentemente, das debêntures, fez os prêmios de riscos desses papéis atingirem taxas recordes. Em 13 de abril, foi registrada a maior perda acumulada do ano, de -5,73%.
O movimento de recuperação proporcionou também a redução do prêmio de risco embutido na carteira do IDA-DI. Vale lembrar que o prêmio de risco calcula a diferença de taxas entre debêntures e títulos públicos (de risco soberano) que tenham prazos e remunerações semelhantes – por isso, quanto menor for o prêmio significa que o risco atrelado aos papéis corporativos também é menor. O resultado, entretanto, ainda não atingiu o patamar de antes da pandemia: hoje, o prêmio de risco do IDA-DI é de 2,05%, mais de um ponto percentual acima do registrado no fim de fevereiro (1,04%), porém já está abaixo dos 3,67% apurados em 13 de abril.
A recuperação também pode ser avaliada pela diferença entre as performances do IDA-DI e do IMA-S, índice que reflete as LFTs, que são ativos remunerados pela Selic e possuem trajetória similar ao DI. Se acompanharmos duas aplicações hipotéticas de mil reais no IDA-DI e no IMA-S feitas no início de 2020, embora ainda se observe diferença equivalente a mais de 2% de retorno entre as duas, o investidor de debêntures teria recuperado o valor inicial, a partir do resultado acumulado em 18 de agosto (vide gráfico).
As diferenças entre as rentabilidades dos dois índices, principalmente a partir da segunda quinzena de abril, é outro ponto de destaque. O movimento ilustra a possibilidade de o investidor, sabendo dimensionar os riscos de suas aplicações, ter retornos acima dos benchmarks.
A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) representa mais de 300 instituições de diversos segmentos. Dentre seus associados, estão bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Ao longo de sua história, a Associação construiu um modelo de atuação inovador, exercendo atividades de representação dos interesses do setor; de autorregulação e supervisão voluntária e privada de seus mercados; de distribuição de informações que contribuam para o crescimento sustentável dos mercados financeiro e de capitais; e de educação para profissionais de mercado, investidores e sociedade em geral.