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Relatório Macro

Grupo Macro mantém projeção de 2,0% para a taxa Selic até o final de 2020

Política monetária: Grupo Macro mantém projeção de 2,0% para a taxa Selic até o final de 2020

A mediana das projeções dos juros do Grupo Consultivo Macroeconômico aponta a permanência da taxa Selic em 2,0% para as reuniões do Copom até o final do ano. Entre os economistas, coexistem  poucas projeções que indicam queda adicional – a mínima apurada dentro do grupo é de 1,75% – com mais de 90% das estimativas convergindo para a estabilidade em 2,0% para os próximos meses. A alta recente dos alimentos provocou revisão para cima da projeção de inflação, porém os analistas ressaltam que esse movimento é contrabalançado pela ociosidade relevante existente na economia, refletida sobretudo nos preços dos bens do setor de serviços.metadataxaselic.png

 

A mediana do IPCA de 2020  foi revisada de 1,7 % para 2,0% em setembro, mantendo a projeção no piso da meta de inflação para este ano (4,0%).  Entre as projeções,  41% das estimativas situaram-se entre 1,8% e 2,0%, seguidas do intervalo entre 2,0% e 2,2%, com 32% das apostas. A mínima e a máxima previstas ficaram em 1,4% e 2,2%, respectivamente. Para 2021, a projeção de inflação do Grupo Macro foi mantida em 3,0%.projecoesipca.png

 

Os economistas identificaram reflexos de repasse do câmbio para os preços e da maior  demanda pelos produtos agrícolas como os principais  focos de pressões inflacionárias. Este movimento foi impulsionado pela transferência de recursos públicos do auxílio emergencial e pelo aumento das exportações e preços das commmoditties agrícolas.  Foi ressaltado no debate sobre inflação que, nas condições atuais, eventuais restrições no lado da oferta causadas pela pandemia podem ocasionar aumentos de preços futuros, sobretudo  diante de demanda concentrada em determinados mercados. Entretanto, até o momento, os economistas avaliam que isso não é um quadro generalizado e que  a trajetória dos núcleos de inflação está comportada, não implicando em uma piora relevante do balanço de riscos inflacionários.

Atividade econômica: nova projeção do PIB reduz queda esperada para a economia em 2020

No debate sobre sobre atividade, os economistas do Grupo Macro ressaltaram a recuperação dos indicadores do terceiro trimestre, sobretudo aqueles relacionados à construção civil, indústria e varejo. Eles reconhecem, entretanto, que essa retomada na economia vem ocorrendo de forma assimétrica, pois o setor de serviços, mais atingido pelo distanciamento social causado pela pandemia, ainda apresenta baixo dinamismo e não reverteu a queda da trajetória observada desde março. A projeção  é de uma redução de 5,7% do setor de serviços, a maior entre os segmentos do PIB para este ano (a previsão para a indústria é de uma retração de 4,7% e, na agricultura, um avanço de 2,0%).

Todos os analistas reconheceram que a melhora na atividade doméstica coexiste com riscos relevantes como o quanto tempo  se manterá o cenário de pandemia pré vacina, o quadro fiscal,  o desafio das reformas, além da situação do mercado de trabalho que não vem apresentando recuperação sustentada. Além disso, há dúvidas de como responderá a economia após a retirada do auxílio emergencial – seu impacto e abrangência foi ressaltado pelo grupo como o principal fator indutor para a melhora da atividade.

Para parte dos economistas, o aumento da poupança gerada durante a pandemia pode mitigar em parte a queda da renda observada no país com o fim do auxílio emergencial. Porém foi lembrado que essa elevação é circunstancial e provém da parcela da população que não perdeu emprego,  manteve a sua renda e reduziu seus gastos após o início da pandemia. A tendência deverá ser de redução desta poupança após a normalização de todas atividades, sem compensação plena da queda de renda na avaliação da maior parte do Grupo. 

A  despeito destas incertezas , o grupo Macro revisou a projeção do PIB  para este ano: de uma queda de  5,5% da reunião de julho para 5,0% em setembro. Entre as projeções, a mínima e a máxima apuradas foram de redução de 6,5% e 4,3%, respectivamente, indicando uma maior convergência nas expectativas de crescimento. Em termos do PIB trimestral, os economistas elevaram a expectativa de crescimento do terceiro e quarto trimestres, de 6,0% para 7,0% e de 2,1% para 2,3%, respectivamente.projecoespib.png

 

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Política fiscal: crescimento sustentado passa pelo equilíbrio das contas públicas

No debate fiscal, o Grupo Macro considera o atual quadro como um fator de risco relevante para a retomada do crescimento. O recente aumento dos prêmios de médio e longo prazo nos leilões de títulos públicos reflete essa percepção. Os economistas lembraram que é importante transitar dessa recuperação de curto prazo para um ciclo de crescimento sustentado no país e, neste aspecto, a manutenção do  teto de gastos e a agenda de reformas é o primeiro grande passo nessa direção. Este debate, adiado em parte pela urgência de resolver o problema sanitário e seus reflexos na economia, deveria ser retomado de forma mais ampla, em breve.

Para 2020, a projeção do déficit primário foi revisada de 11,67% para 12,57% do PIB. A estimativa da dívida bruta em relação ao PIB passou de 93,9% para 94,7%  em setembro.projecoesfiscais.png

 

 

Setor externo:  Grupo Macro mantém estável projeção do dólar para o final do ano

Na discussão sobre o cenário externo, os economistas argumentaram que a recente mudança na condução da política monetária norte americana deve manter baixa a taxa de juros baixa por mais tempo, o que deve prolongar o ciclo de depreciação do dólar no mercado internacional. Entretanto, foi ressaltado que os impactos positivos da desvalorização do dólar devem ser maiores nos paises desenvolvidos, sobretudo naqueles que apresentem maior equilíbrio nas contas públicas e uma recuperação econômica sustentada. O cenário global apresenta um ambiente mais funcional, porém com a trajetória de crescimento da economia mais favorável aos EUA na comparação com a Europa.

A projeção da taxa de câmbio doméstica do Grupo Macro para o final do ano manteve-se estável em torno de R$ 5,20 (em setembro a mediana foi R$ 5,21), o que equivale a uma desvalorização de 29% do real para este ano. As previsões situadas entre R$ 5,00 e R$ 5,50 foram as predominantes no grupo, com 73% das apostas. A mínima e a máxima registradas foram de R$ 4,50 e R$ 5,50, respectivamente, indicando uma convergência em relação às cotações dentro do Grupo. A projeção para o déficit em transações correntes manteve-se em 0,2% do PIB, a mesma da reunião de julho, refletindo sobretudo a boa performance das exportações brasileiras de commodities agrícolas.projecoesPtax.png