Direto da Anbima: associação mobiliza debates na COP30 com foco no papel do mercado de capitais no financiamento climático
Da esquerda para a direita: Cacá Takahashi (diretor da Anbima e coordenador da Rede ANBIMA de Sustentabilidade), Luiz Pires (gerente de Sustentabilidade e Inovação), Marcelo Billi (superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação), Zeca Doherty, Carlos André e Fernanda Camargo (respectivamente, diretor-executivo, presidente e diretora da Anbima).
A participação da Anbima na COP 30 mobilizou debates com foco no papel do mercado de capitais no financiamento climático . A atuação se expandiu por diversos espaços da COP: blue zone, ou zona azul, área restrita onde ocorreram as negociações oficiais; green zone, ou zona verde, espaço para debates abertos ao público; e eventos paralelos, realizados por toda a cidade de Belém.
Em conjunto com a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a associação correalizou o Fórum de Finanças Sustentáveis , na Casa do Seguro, para discutir como mobilizar recursos em escala para a transição climática. O encontro ressaltou que o desafio não está na falta de capital, mas em estruturar mecanismos confiáveis de avaliação de risco e retorno. “Mercado de capitais, bancos e seguradoras têm papel decisivo para mobilizar capital em escala, precificar riscos e impulsionar cadeias produtivas sustentáveis”, afirmou Carlos André (foto), presidente da associação.
Ainda na Casa do Seguro, durante o debate “Colaboração e transição sustentável ”, a Anbima destacou que a maturidade da agenda brasileira foi um dos legados da COP30 . Segundo Cacá Takahashi (foto), diretor da Anbima, "A COP no Brasil mostrou que temos uma agenda de sustentabilidade sólida, construída com a atuação conjunta do setor público, que vem cumprindo seu papel ao criar iniciativas estratégicas, e do setor privado, cada vez mais engajado e contribuindo para incluir a sociedade civil nesse diálogo”.
No World Climate Summit & The Investment COP , evento da World Climate Foundation em correalização com a Anbima, Carlos André destacou que o fortalecimento da regulação, da autorregulação e da educação financeira é fundamental para transformar compromissos em capital real de transição.
No mesmo encontro, Zeca Doherty destacou o potencial do mercado local para absorver o financiamento climático mundial. “O mercado de capitais brasileiro demonstra força e resiliência, sustentado pelo crescimento recente e pela evolução do arcabouço legal na última década. Hoje, é o maior mercado da América Latina e a indústria de fundos brasileira está entre as dez maiores do mundo, com expansão contínua da base de investidores e produtos", disse.
Doherty ainda reforçou: "Acreditamos firmemente que o mercado não só é essencial para financiar a economia real, mas também para viabilizar a economia verde”, disse.
Os executivos falaram, ainda, sobre a necessidade de disseminar informações sobre o tema. "Estamos na COP discutindo como a Anbima pode ajudar. Uma coisa que podemos fazer é traduzir, deixar a linguagem ESG mais fácil para todo mundo. Ajudar um private banker ou um familly officer a entender como um crédito de carbono ou como um projeto de reflorestamento funcionam", disse Fernanda Camargo (foto), diretora da Anbima.
No Pavilhão Brasil , na Zona Verde, o foco da associação foi reforçar a importância da colaboração entre instituições públicas e privadas e da transparência na formação de preços de ativos sustentáveis. Cacá Takahashi afirmou que o pós-COP exige transformar discurso em prática, com instrumentos e governança capazes de converter compromissos em resultados econômicos e ambientais.
Parcerias, capacitação e agronegócio
A importância de parcerias para o avanço da agenda ESG foi destacada por Marcelo Billi , superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação, em conversa sobre a COP30. "Neste ano, trabalhamos muito com outros atores do ecossistema de sustentabilidade, como Unep-FI, Gfanz e a própria The World Climate Foundation. Atuar em parceria é algo que faz parte da nossa nova estratégia de sustentabilidade, educação e inovação: buscar a força de agentes que podem trazer novas competências para tornar nossas estratégias mais eficientes, eficazes e assertivas na hora de lidar com questões sistêmicas", disse.
Essas parcerias ajudam a dar escala a ações de capacitação, por exemplo. Em evento promovido pelo Pacto Global , Luiz Pires , gerente de Sustentabilidade e Inovação da Anbima, explicou que oferecer letramento sobre ESG para os players dos mercados financeiro e de capitais é essencial para que o capital privado seja direcionado de forma adequada para projetos verdadeiramente sustentáveis. Segundo ele, "levar o cheque da Faria Lima até projetos menores e locais, como encontramos aqui em Belém, demanda esforço e tempo, além de exigir que todos os agentes envolvidos nessa cadeia, inclusive os investidores, estejam alinhados com critérios claros de sustentabilidade, compreendam os riscos e oportunidades desses projetos e estejam dispostos a adaptar suas estratégias de investimento”.
Segundo ele, para que esse direcionamento adequado dos recursos financeiros aconteça, é necessário t rabalhar dados de forma estruturada em todos os setores - inclusive no agronegócio. Em debate na Casa do Seguro, a Anbima destacou que a adoção de prátic as sustentáveis no agro exige tempo, escala e recursos financeiros estruturados — e o mercado de capitais deve se consolidar como um dos principais motores dessa virada.
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