ANBIMA Summit: investidor precisará repensar suas carteiras, diz Nouriel Roubini
Economista revela que usaria commodities, ouro, títulos indexados à inflação e ativos imobiliários para se proteger do atual cenário global desafiadorO economista Nouriel Roubini acredita que o investidor vai precisar repensar suas carteiras diante do cenário desafiador para a economia global. “Se parte dela for de ativos de renda fixa e títulos, qualquer aumento da inflação vai elevar o rendimento de longo prazo e reduzirá o preço deles. Assim você terá perdas nas suas carteiras”. Roubini participou na noite desta terça, 26, do painel de encerramento do segundo dia do ANBIMA Summit.
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Ao mesmo tempo, a inflação corrói os preços dos mercados de ações ao elevar as taxas de juros nominal e efetiva, como nos anos 1970, quando aconteceu a baixa do mercado de ações e perdas nos títulos, observou o economista conhecido por previsões pessimistas e que antecipou a crise financeira de 2008.
Para se proteger, “eu diria que é possível migrar sua carteira para títulos de prazos curtos, que terão reprecificação à medida que a inflação subir, ou para títulos indexados à inflação, que estão protegidos contra a alta de preços”, sugeriu. Ouro, ou outros metais preciosos, commodities, ativos de infraestrutura e imobiliários também são alternativas listadas pelo economista.
Roubini se diz reticente com as criptomoedas, porque considera inadequado chamá-las de moedas já que não têm atributos do dinheiro. “Em primeiro lugar, não são meios contábeis e não possibilitam qualquer precificação com elas”, afirmou. “Em segundo, criptomoedas não são meios escaláveis para pagamentos em comparação aos meios tradicionais”. Segundo ele, o nível de volatilidade é muito elevado e, por fim, “há diversas criptomoedas” e “pseudotokens” sem qualquer transparência de preços e um número que possibilite comparar o preço relativo a alimentos, por exemplo.
“Eu me preocuparia com a inflação e o retorno, mas não usaria criptomoedas. Usaria commodities, ouro, títulos protegidos da inflação e ativos imobiliários”, concluiu o economista.