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ANBIMA Summit: Nouriel Roubini lista nove choques que podem aumentar a inflação e reduzir o crescimento global

Economista prevê cenário pessimista para todas as economias, com impactos maiores em países emergentes

Economista conhecido por previsões pessimistas e que antecipou a crise financeira de 2008, Nouriel Roubini espera um cenário desafiador para a economia global nos próximos anos. Em painel do ANBIMA Summit, ele relatou que aguarda uma alta relevante da inflação e crescimento mais baixo, prejudicando principalmente os países mais pobres.

Este cenário, que Roubini reconhece ser novamente pessimista, é válido para todas as economias. Mas os países emergentes e, mais especificamente as nações pobres, já sofrem com maior intensidade e serão possivelmente os mais impactados, o que deve ampliar as desigualdades. A pandemia colocou os países emergentes e pobres em situação mais vulnerável por não terem acesso a vacinas, além de seus sistemas de saúde serem menos preparados. Além disso, nações mais desenvolvidas tinham maior autonomia para promover políticas de estímulo à economia.

A recuperação das economias desenvolvidas foi mais rápida do que dos países em desenvolvimento, que sofreram com a depreciação das moedas e o aumento da inflação, forçando seus bancos centrais a subirem os juros. Essa recuperação, incluindo das economias desenvolvidas, já começou a se desacelerar no segundo semestre, enquanto os preços seguem em alta. “Acabou a era da inflação baixa”, disse.

O economista ressaltou ainda que a o tamanho da dívida pública e privada global disparou nas últimas décadas. A parcela do PIB mundial dessa dívida era de 100% nos anos 1970, subindo para 200% nos anos 2000. Antes da pandemia, essa relação já era de 360% do PIB global. E, neste momento, os percentuais de dívidas e déficits são ainda maiores, sem perspectiva de redução. Ao contrário, há pressão para que aumentem com políticas de melhora da qualidade de vida da população. O que se vê é um choque de demanda, em que os bancos centrais se encontram em uma armadilha de dívida. Se subirem o juro para combater a inflação, pode haver grande choque na economia, disse.

Falando no painel “O que o mundo pós-pandemia reserva para a economia”, Roubini listou nove choques de oferta que devem elevar os custos de produção e reduzir o potencial de crescimento global nos próximos anos. Em um primeiro momento, isso vai causar a inflação, e depois de desdobrar para estagflação.

Veja os nove potenciais choques de oferta previstos pelo economista:

1. Desglobalização e protecionismo. No mundo todo, os países vêm atuando para proteger seus trabalhadores e empresas em detrimento à abertura econômica. Eles vêm restringindo comércio de bens, serviços, mão de obra, capital, tecnologia, dados e informações, o que reduz o potencial de crescimento e aumenta os custos de produção; 

2. Balcanização das redes globais de suprimentos, com a fragmentação da economia global. A internalização da produção, desde a de baixo custo na China e na Ásia, até a de alto custo nos EUA e Europa, faz com que não se aloque capital onde há mais eficiência, seja por motivos políticos ou para proteger empresas e trabalhadores locais;

3. Envelhecimento das populações nos países desenvolvidos e em alguns dos principais emergentes, como China, Rússia, Coréia e parte da Ásia. As pessoas mais jovens produzem e economizam, enquanto idosos não produzem e consomem. Com isso, há aumento de demanda e redução relativa de oferta, provocando inflação de salários e inflação em geral;

4. Restrições à migração dos países pobres para os ricos, como EUA e Europa, por razões políticas e econômicas. No passado, a imigração compensava o envelhecimento da população e levava a uma barreira no aumento dos salários, que permanecia baixa. As condições atuais colocam mais pressões nos salários. Isso pode ser notado no Reino Unido pós-Brexit, que enfrenta escassez de mão de obra com a ausência de trabalhadores europeus;

5. Tensões entre China e EUA, as duas grandes potências, que estão se aprofundando. É uma guerra fria que está cada vez pior, e como consequência leva a uma dissociação entre as duas economias na tecnologia, comércio, dados, informações e movimentação de capital e pessoas, o que também desacelera o crescimento e eleva os custos de produção;

6. Mudanças climáticas também são inflacionarias, por duas razões. Primeiro, a desertificação e falta de água, no mundo todo, eleva os preços dos alimentos. Em segundo, a descarbonização das economias vem resultando em investimentos menores na produção de combustíveis fósseis. Isso é o certo a se fazer, disse Roubini, mas os investimentos na produção de energia verde não estão acontecendo rápido o suficiente para aumentar a produção em volume necessário para substituir a energia fóssil. E com o contínuo aumento de consumo, os preços estão subindo e vemos um atual choque energético em diversos países;

7. Pandemias são recorrentes e vão continuar acontecendo por causa das mudanças climáticas. Quando destruímos ecossistemas, os animais que portam patógenos se aproximam dos rebanhos e transmitem zoonoses que vão infectar humanos;

8. Guerras cibernéticas estão aumentando diariamente, com ataques a empresas do mundo todo e que afetam a produção. E para se proteger, será preciso investir centenas de bilhões de dólares nisso;

9. Reação contra desigualdade de renda que cresce nitidamente nas economias avançadas e emergentes. A participação do capital aumentou, e a do trabalho caiu. A participação do salário caiu e dos lucros cresceu em muitos países, disse Roubini. Agora há uma reação, e a política fiscal caminha para a tributação do capital e a redistribuição de renda aos trabalhadores e sindicatos. Neste ponto, o economista exemplificou com o pacote fiscal aprovado pelo presidente Joe Biden, dos EUA, que foi quase totalmente destinado a trabalhadores desempregados, informais, minorias e pessoas carentes. Isso é necessário para evitar instabilidade social, mas a desigualdade está aumentando com as inovações tecnológicas que demandam menos mão de obra, principalmente a não capacitada. 
 

Nouriel Rubini participou na noite desta terça-feira, 26, do painel de encerramento do segundo dia do ANBIMA Summit. O bate-papo ao vivo, que aconteceria na sequência com Betina Roxo, estrategista-chefe e diretora de conteúdo da Rico, não foi realizado, pois Rubini não conseguiu se conectar no horário programado.

+ Veja também: Investidor precisará repensar suas carteiras, diz Nouriel Roubini

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