ANBIMA

Relatório Anual 2025

Iniciativas e Resultados

Promoção da indústria

Autorregulação

Reforçamos nossa estratégia institucional em prol do aprimoramento da autorregulação dos mercados. Nessa frente, desenvolvemos ações como:

Elaboração de um position paper focado na indústria de ativos digitais, fortalecendo nossa missão de pensar em estratégias de autorregulação de novos ativos e mercados;
Participação em eventos técnicos, como os da Regulation Week (Washington), o seminário da AGU (Advocacia-Geral da União) e seminários da SEC (Securities and Exchange Commission), o regulador dos mercados nos Estados Unidos;
Elaboração de estudos sobre conflitos de interesse e crédito privado.

Ao longo do ano, a autorregulação foi aprimorada para acompanhar a evolução do mercado. Entre as iniciativas, destacou-se o aperfeiçoamento do Código de Distribuição, com o objetivo de reforçar a transparência na publicidade e nos materiais de divulgação dos produtos de investimento. As mudanças deixaram claro que a cobertura do FGC não deve ser utilizada como principal argumento de venda, e sim, as próprias características dos produtos, como prazo, rentabilidade e riscos.

Outra novidade foi com relação à ampliação da transparência das taxas cobradas pelos fundos. Passamos a concentrar na associação o reporte das taxas individualizadas dos fundos, que posteriormente são disponibilizadas no ANBIMA Data.

Também avançamos na discussão de novos temas, como a criação de regras para PSAVs custodiantes, com o objetivo de estabelecer critérios mínimos para os serviços de custódia de ativos virtuais.

Indústria brasileira no exterior

A fim de dar ainda mais tração à nossa presença internacional, trabalhamos em 2025 para fortalecer uma agenda com a construção de parcerias globais e participação em eventos de relevância para o mercado de capitais. Na prática, isso representou presença constante em eventos internacionais da indústria de fundos e do mercado de capitais com foco no relacionamento institucional e no compartilhamento estruturado de informações sobre o mercado brasileiro junto a investidores, reguladores e demais stakeholders globais.

O objetivo é continuar posicionando o mercado brasileiro como um destino estratégico para investidores, ao mesmo tempo em que fortalecemos relações com stakeholders de interesse e impulsionamos a agenda de diversificação por meio de investimentos no exterior.

Atuamos como palestrantes, moderadores e participantes em eventos promovidos por entidades como ICMA (Associação Internacional do Mercado de Capitais), IIFA (Associação Internacional de Fundos de Investimento), Fiafin (Federação Iberoamericana de Fundos de Investimento), Iosco (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários) e Banco Mundial e FMI.

Pela primeira vez, tivemos um estande da Anbima em evento internacional – a conferência anual da ICMA, realizada em Frankfurt. Na conferência da IIFA, na Malásia, fomos convidados a apresentar a experiência brasileira com os influenciadores de investimentos e finanças, os finfluencers. Além disso, fechamos um acordo de cooperação com a JSDA (Associação das Corretoras de Valores do Japão) para o compartilhamento de experiências e informações sobre os mercados financeiro e de capitais do Brasil e Japão.

Dentro da agenda de sustentabilidade, em que o Brasil esteve na linha de frente por causa da realização da COP 30 em Belém, patrocinamos o PRI In Person, que pela primeira vez teve o país como sede. Tivemos no evento, além do estande com elementos apresentando nossos mercados e a Anbima para os participantes, um conteúdo com curadoria própria, para reforçar as nossas agendas de interesse no contexto dos investimentos responsáveis.

Em 2025, também lançamos nosso site internacional, uma plataforma para os investidores globais terem um canal de informações relevantes e confiáveis a respeito do Brasil e dos nossos mercados. Ainda na frente de exposição, produzimos em 2025 a segunda edição do ANBIMA Global Insights, que contou com mais de 600 participantes.

Análises de mercado

O papel desempenhado pelo mercado de capitais nos últimos anos para o crescimento da economia real do país — por meio de financiamento a empresas de diversos setores, investimentos em cadeias produtivas estratégicas e mobilização da poupança privada — foi detalhado no estudo “A contribuição do mercado de capitais para o desenvolvimento econômico”.

O reflexo mais expressivo é a parcela dos ativos de renda fixa como fonte de financiamento das empresas, que correspondiam a 31% da dívida de companhias não financeiras em 2024, o dobro do observado (16%) em 2017, segundo o Banco Central. Esses e outros dados que ajudam a tangibilizar essa relação foram destrinchados no documento.

Desenvolvimento de mercado

A fim de auxiliar o mercado nos temas operacionais, em 2025 lançamos alguns guias de interesse da indústria de fundos. Para apoiar o crescimento sustentável da indústria de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), foi publicado o Guia ANBIMA para Metodologia de PDD (Provisão de Devedores Duvidosos) de Direitos Creditórios. O documento traz orientações para os administradores estimarem perdas que podem ocorrer no recebimento do fluxo de caixa esperado dos direitos creditórios comprados pelos fundos.

Para padronizar o entendimento do mercado a respeito do cálculo de margem para operações de compromissadas reversas feitas por fundos, publicamos um guia técnico com orientações. A compromissada reversa é uma operação que envolve a venda de um ativo do fundo com o compromisso de recompra do mesmo ativo no futuro.

Publicamos ainda dois guias para auxiliar prestadores de serviços de fundos em questões relacionadas a PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa) e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

O Guia de Boas Práticas de LGPD no Compartilhamento de Dados Pessoais na Distribuição de Cotas de Fundos de Investimento traz informações sobre quais são as regras referentes ao tratamento de dados pessoais nos casos em que há compartilhamento de informações de pessoas físicas entre os prestadores de serviços de fundos.

Também participamos de inúmeras consultas públicas sobre fundos. Uma delas foi a da CVM que trouxe novas regras para os FIPs (Fundos de Investimento em Participações). Nossas manifestações abrangeram 29 pontos, com destaque para os itens que abordam a distribuição do produto para o varejo. A outra foi da Iosco com o envio de contribuições sobre ferramentas de gerenciamento de riscos e de liquidez em fundos abertos. Em nossa resposta, destacamos a possibilidade trazida pela Resolução CVM 175 de adoção de barreiras ao resgate e side-pocket.

Respondemos às quatro consultas públicas do Banco Central que criaram a regulação dos ativos virtuais e as PSAVs (prestadoras de serviços de ativos virtuais) no Brasil. As Resoluções 519, 520 e 521, resultados das consultas, foram o grande avanço desse mercado em 2025. Entre nossas sugestões acatadas estão a exigência de segregação dos recursos das instituições e de seus clientes e a permissão para transferência de ativos para carteiras autocustodiadas, desde que cumpridos critérios e controles específicos.

Participamos ativamente das consultas públicas das portarias ministeriais que vieram complementar o Decreto 11.964, que detalhou os requisitos e os procedimentos para emissão das debêntures com benefício fiscal. As portarias ampliaram o alcance das debêntures como fonte de financiamento para a infraestrutura.

Além das contribuições nas consultas, mantivemos diálogo constante com o Executivo, o Legislativo e os órgãos reguladores.

Para aprofundar o diálogo sobre o papel do mercado de capitais no financiamento de segmentos estratégicos, promovemos duas edições do Encontro com Ministérios, que reuniram em maio e em agosto representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, do Ministério dos Transportes, da ANTT, do Ministério das Cidades, do Ministério de Minas e Energia, do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) da Casa Civil, da ABCR e do MoveInfra.

No campo da padronização da securitização de ativos públicos e com foco na proteção ao investidor, elaboramos um guia técnico detalhando a Lei Complementar 208 e apresentando orientações e interpretações que podem auxiliar na estruturação segura e eficiente. A norma, sancionada em julho de 2024, introduziu um marco legal unificado para as operações originadas de créditos tributários e não tributários dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e municípios), estabelecendo um conjunto mínimo de parâmetros legais a serem observados, sendo um passo essencial para o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro.

Buscando fomentar a liquidez no mercado secundário, contribuímos para a atualização das normas de operações compromissadas com títulos de renda fixa por meio das Resoluções 5.266 do CMN e 525 do Banco Central.

Atendendo a um pedido da Anbima, agora é permitido que essas operações sejam feitas entre instituições autorizadas pelo Banco Central e investidores profissionais, como os fundos de investimento. A flexibilização do requisito para participação nessas operações abre um leque de novas possibilidades para shortselling (posições vendidas) nesses títulos.

A ampliação da representatividade do mercado de capitais foi um dos nossos marcos em 2025. Abrimos as portas para que consultorias de valores mobiliários pudessem entrar para o quadro de associados, reforçando nosso compromisso com o acompanhamento da evolução dos modelos de distribuição. Atuamos próximos ao regulador, enviando dúvidas para esclarecer pontos-chave da atividade de consultoria, como remuneração, encaminhamento de ordens e certificações.

Atuamos em diversos pontos para fomentar as negociações deste papel. Ao longo do ano, trabalhamos na padronização de documentos que garantam maior uniformidade entre as instituições nas operações que envolvem esses instrumentos, seguindo modelo da Isda (International Swaps and Derivatives Association). Outro ponto foi a ampliação da lista de possíveis eventos de crédito, isto é, as situações que podem afetar os fluxos de pagamento dos títulos. A nova regulação define uma lista obrigatória desses eventos – que conta com casos como falha de pagamento, falência e reestruturação. O CMN permitiu que entidades autorreguladoras (como a Anbima) adicionem novos eventos à lista, desde que previstos em convenção aprovada com o Banco Central. Isso trará transparência ao investidor, facilitando as negociações.

Cibersegurança

Continuamos a promover o fortalecimento da segurança cibernética no mercado de capitais por meio da produção de novos materiais técnicos. O Guia de Cibersegurança alcançou sua 4ª edição, trazendo atualizações que refletem as práticas mais recentes e relevantes do setor. Além disso, lançamos as Orientações para o Desenvolvimento Seguro de Aplicações, que apresentam medidas objetivas para garantir softwares seguros desde as fases iniciais de concepção.

Também publicamos as Orientações para Implementação de Políticas de BYOD (Bring Your Own Device), reunindo as melhores práticas para instituições que permitem que seus colaboradores utilizem dispositivos pessoais no ambiente corporativo.

Reunimos cerca de 150 participantes em um encontro com a FS-ISAC (Financial Services Information Sharing and Analysis Center), dedicado à discussão sobre o compartilhamento de informações relacionadas a incidentes cibernéticos. Em parceria com a ICI (Instituto de Empresas de Investimento) e a AMCC (Comitê Consultivo de Membros Afiliados) da Iosco (Organização Internacional de Valores Mobiliários), elaboramos um relatório comparativo sobre o cenário de cibersegurança no Brasil e no mundo. Apoiamos, ainda, a divulgação da 11ª pesquisa internacional sobre segurança cibernética na gestão de recursos.

Supervisão de mercados

A área de supervisão de mercados continuou trabalhando em 2025 para fortalecer o alinhamento das instituições do nosso ecossistema às normas de autorregulação previstas nos nossos códigos e documentos de regras e procedimentos. Para acompanhar o ritmo de avanço dos mercados, um dos destaques do ano foi a intensificação do uso de machine learning (ML) e inteligência artificial (IA) nas atividades de supervisão. Essas ferramentas nos proporcionam ganhos em eficiência e precisão nas ações de supervisão, monitoramento e fiscalização do mercado. Com ML e IA, ampliamos nossa capacidade de analisar grandes volumes de dados para identificar padrões e tendências.

Ao longo de 2025, alcançamos os seguintes números na supervisão referentes aos procedimentos da área: :

27

termos de compromissos celebrados

16

cartas de recomendação emitidas

165

cartas de alerta enviadas

21

procedimentos de apuração de irregularidades

24

processos instaurados

1

julgamento

Dentro desses números, damos destaque aos seguintes temas que foram tratados ao longo do ano de 2025:

  • Marcação a mercado e provisão para devedores duvidosos (PDD)
    • Transações sem propósito econômico
    • Análise, monitoramento e mitigação de riscos (crédito e liquidez)
    • Enquadramento de fundos
    • Conciliação de direitos creditórios
  • Conflitos de interesse, incluindo:
    • Segregação de atividades
    • Relacionamento entre partes relacionadas
    • Análise e acompanhamento de garantias
  • Ingerência e monitoramento de ativos em FIPs (Fundo de Investimento em Participações)
  • Transparência em:
    • Registro de operações de crédito privado no secundário
    • Remuneração recebida pelos prestadores de serviço
    • Conformidade no processo de venda de produtos de investimento
  • Nosso SSM (Sistema de Supervisão de Mercados) completou 10 anos e está passando por uma ampla modernização. Em 2025 já foram entregues as novas versões do módulo de Alteração Cadastral e o novo módulo de Documentos.
  • Em 2025 o uso de Machine Learning no processo de análise de documentos (fatos relevantes e atas de assembleia) permitiu a otimização do processo de análise, tornando o fluxo muito mais fluido e assertivo.
  • Iniciamos também o uso de IA para extração de dados e padronização de informações dos regulamentos dos fundos de investimento.
  • Foram enviados mais de 30 comunicados preventivos e 32 planos de ação para apoiar as instituições na adequação aos códigos, com destaque para temas como:
    • Transparência na remuneração
    • Responsabilidade dos prestadores de serviço
    • Registro das operações no Sistema REUNE
    • Crédito privado
    • Liquidez
    • Enquadramento
    • Fundos ESG
  • Realizamos uma reunião aberta para apresentação dos resultados das visitas preventivas, com participação de mais de mil inscritos.
  • Mais de 30 mil fundos foram analisados pelo nosso time de cadastros frente à adaptação exigida pela 175.
  • Entregamos um curso com 10 mini aulas explicando o processo de cadastro dos fundos (saiba mais em “Fundos”).

O ano de 2025 foi marcado pela renovação dos mandatos dos integrantes das comissões e conselhos.

Como passamos a atuar em vários temas emergentes (cripto, ESG, securitizadoras) também ampliamos a participação de instituições de outros nichos, aumentando a diversidade de perspectivas e enriquecendo os debates nas reuniões.

Encerramos o ano com um encontro de todos os presidentes e vices dos nossos organismos (comissões e conselhos) para definição conjunta das prioridades da supervisão para 2026.

Outra frente importante do nosso trabalho de supervisão é a atenção aos acordos que mantemos com a CVM e outras entidades de mercado. Em 2025, um dos destaques foi a inclusão dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) no escopo do nosso acordo de fundos com a CVM. No acordo de ofertas que mantemos com o regulador, alcançamos um recorde de 49 pedidos para análise, 226% acima da quantidade de 2024 e com um protocolo referente a FIDC logo no primeiro ano de entrada desses fundos no rol de ofertas passíveis de análise pela ANBIMA dentro do acordo.

Outra novidade foi o acordo de cooperação com a BSM Supervisão de Mercados, entidade autorreguladora da B3, envolvendo temas de interesse comum. O acordo pode abarcar troca de informações, alinhamentos técnicos e aproveitamento de resultados. Em um primeiro momento, o acordo prevê o compartilhamento de informações sobre influenciadores de finanças (finfluencers), principalmente a disponibilização de ferramenta tecnológica que captura conteúdos divulgados por esse público. Outras frentes poderão ser incluídas por meio de anexos, sendo que o tema de suitability já está com discussões em andamento. O acordo é um guarda-chuva, capaz de agregar uma cooperação em diversas frentes relacionadas à autorregulação, principalmente as que têm sobreposição de atuação entre a ANBIMA e a BSM.

Em uma ação da agenda internacional, firmamos com a JSDA (Associação das Corretoras de Valores do Japão) um acordo de cooperação para promover o desenvolvimento dos mercados de capitais. O memorando prevê troca de informações técnicas, ações conjuntas e atuação coordenada em fóruns internacionais. A parceria reforça o compromisso com a internacionalização e o intercâmbio de boas práticas.

Diante das novidades implementadas nos nossos sistemas por conta da Resolução CVM 175, lançamos no SSM (Sistema de Supervisão de Mercados) um treinamento para apoiar o mercado no cadastro de fundos de investimento. O objetivo é ajudar os profissionais a realizarem esta atividade com mais conhecimento, segurança e agilidade, evitando atrasos ou erros no envio dos dados para a nossa base.

O conteúdo está dividido em 10 videoaulas curtas e didáticas, que abordam pontos essenciais para o cadastro dos fundos, como: quais tipos de fundos devem ser registrados, os prazos para envio das informações, as penalidades aplicáveis em casos de atraso ou inconsistências no reporte e como realizar o correto preenchimento de campos relacionados à remuneração dos prestadores de serviço, derivativos, composição, tipo de investidor, entre outros.

Dados e analytics + Selic

Dados

O ANBIMA Data, nossa plataforma gratuita de dados, ganhou mais visibilidade em 2025: estivemos em cinco grandes eventos do mercado com estandes: Smart Summit, ANBIMA Summit 2025, Expert XP, ANBIMA Global Insights 2025 e Congresso Internacional da Planejar.

ANBIMA Data - Totem
ANBIMA Data - Estande
Bússola - ANBIMA Data


O ano de 2025 teve também muitas novidades na plataforma, com a ampliação do leque de dados disponíveis e formatos mais práticos e intuitivos para consulta.

Foi lançado o dashboard das estatísticas de distribuição, com informações sobre volume, número de contas, segmentos de investidores, detalhamento por região e tipo de produto. Já o dashboard de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) reúne em um só lugar informações sobre patrimônio líquido, quantidade de classes e contas por segmento de investidor e volume captado nas ofertas, por exemplo.

A família de dados de títulos públicos ganhou destaque com a criação do monitoramento intradiário de preços, um dataset interativo que consolida e compara em único lugar informações de spread de compra/venda das corretoras, negociações registradas no Selic, resultados dos leilões do Tesouro Nacional, túneis de negociação e informações indicativas da Anbima. Além disso, ampliamos as funcionalidades das nossas calculadoras públicas com os cálculos de títulos públicos, auxiliando as instituições na apuração de taxas para negociações de compra e venda de forma mais eficiente, acessível e rápida. [

Reforçando nosso compromisso de aumentar a transparência de dados, passamos a disponibilizar ainda informações individuais das ofertas públicas de notas comerciais, incluindo quantidade emitida, valor total encerrado e spread, além do detalhamento de coordenadores e subscritores.

Ainda na frente de transparência, avançamos mais um passo. Foi desenvolvido um módulo no HUB ANBIMA para o reporte das taxas individualizadas dos fundos, que posteriormente são disponibilizadas ao público no ANBIMA Data. Essa iniciativa promove a centralização das informações em uma única plataforma, em linha com o objetivo da Resolução 175 de assegurar plena transparência das taxas dos fundos ao investidor.

Para contribuir com o processo de adaptação, foram realizados dois com foco no esclarecimento de dúvidas sobre essas mudanças, que reuniram mais de 1.200 profissionais.

Em outra frente, focada no investidor de varejo, houve ainda o lançamento do painel de preços de títulos privados de renda fixa negociados no mercado secundário, permitindo uma melhor avaliação das operações. Desde então, é possível consultar o nome do emissor (e não mais apenas o código do ativo), gráfico de preços mínimo, médio e máximo e a data de vencimento de debêntures, CRIs e CRAs, além do prazo de liquidação desses papéis e também de cotas de fundos fechados. Para atender uma demanda do mercado por mais transparência sobre o risco de crédito das empresas emissoras, passamos a divulgar diariamente o spread de crédito (Z-spread) de debêntures no mercado secundário. Os dados são atualizados diariamente com histórico limitado aos últimos cinco dias úteis.

Iniciamos o desenvolvimento de índices customizados para atender de maneira mais particular às estratégias das instituições solicitantes. Esses produtos são baseados nos dados que já apuramos em nosso processo de precificação dos títulos de renda fixa, mas adaptados para oferecer um recorte específico. A iniciativa busca contribuir com o desenvolvimento e o fomento do mercado de ETFs de renda fixa no Brasil, atendendo a demandas de índices em segmentos específicos.

Selic

O Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), um dos pilares do Sistema Financeiro Nacional, é administrado pelo Banco Central em parceria com a Anbima desde a década de 1970. O convênio para cooperação operacional entre a autoridade monetária e a Associação é uma das parcerias público-privadas mais duradouras do Brasil.

Além de ser reconhecidamente um dos sistemas de liquidação e custódia de títulos públicos mais modernos do mundo, o Selic também faz o processamento de leilões para o Tesouro Nacional e o Banco Central, bem como o cálculo da taxa Selic diária. No âmbito do convênio com o Banco Central, a Anbima é responsável por prover a infraestrutura tecnológica e os recursos humanos necessários para a operação do sistema.

Conheça nossa página especial sobre o Selic

Por sua importância para o mercado financeiro, o Selic está em constante evolução. Em 2025, as principais entregas para o mercado envolveram melhorias na plataforma Pre-matching, que faz o batimento das negociações antes do registro no sistema, e o lançamento de diversas APIs para facilitar a integração com os sistemas das casas, entre outras novidades.

O Pre-matching passou por mudanças para se adequar à exigência de lançamento de diversas operações compromissadas na plataforma, conforme calendário definido pelo Banco Central. A primeira fase das obrigatoriedades, que abrangeu todas as operações compromissadas realizadas com o BC, entrou em vigor em dezembro. A segunda etapa será realizada em 2026.

Outra alteração no Pre-matching foi a possibilidade de registrar operações compromissadas com preço de retorno em aberto. O objetivo foi simplificar os processos relacionados aos leilões do tipo Tomador (go around). Além disso, visando trazer mais flexibilidade no uso da plataforma, foi desativado no Selic o modelo antigo de registro das operações de intermediação com mais de um vendedor ou comprador. A partir de então, o recurso passou a ser utilizado apenas no Pre-matching.

Foram lançadas quatro novas APIs (interface de programação de aplicações, na sigla em inglês), com o objetivo de facilitar a rotina das instituições que fazem parte do Selic. As APIs permitem consultar, de forma integrada aos sistemas das casas, os seguintes dados:

  • Informações de negócios registrados no Selic, incluindo preços médio mínimo e máximo e as operações que compõem as estatísticas.
  • Dados cadastrais de títulos custodiados no Selic e informações da taxa Selic calculada diariamente.
  • Dados públicos de contas e clientes, bem como dados da área logada.
  • Dados cadastrais públicos das instituições que fazem parte do Selic.

Os lançamentos das APIs estão em linha com a necessidade do mercado por soluções que entreguem valor às instituições, disponibilizando informações em formatos mais amigáveis e que permitem consultas personalizadas.

Foi implementada uma solução que passou a permitir o lançamento automatizado das solicitações de operações compromissadas conjugadas, operação conhecida como empréstimo de títulos. A automatização trouxe ganhos de eficiência, além de permitir auditar o processo e reduzir a possibilidade de erros operacionais. Antes, as operações, realizadas exclusivamente pelas instituições dealers do Demab, eram feitas por telefone ou e-mail.

Está em andamento a fase de processamento paralelo do Selic. A ação faz parte de um programa que visa modernizar a linguagem de programação e a estrutura do banco de dados, com o objetivo de migrar o sistema para um ambiente mais moderno. Atualmente o Selic funciona em computadores de grande porte (mainframes), um tipo de unidade de processamento que nos últimos anos tem sido substituída por outras soluções que trazem mais possibilidades de inovação tecnológica.

Na etapa atual do projeto, o Selic está sendo processado em paralelo no mainframe e no ambiente modernizado, de forma a verificar se tudo que ocorre no sistema atual se comporta da mesma forma na nova plataforma.

ESG e futuro

Finanças sustentáveis

2025 foi o ano da sustentabilidade: com o Brasil sediando a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) e o PRI In Person (fórum internacional sobre investimentos responsáveis), nosso país ficou no centro dos holofotes internacionais. Como agente essencial para o financiamento da transição climática, o mercado de capitais teve papel central nos debates.

Atuamos como um radar de tendências para o mercado e um farol que aponta caminhos e apoia as instituições na incorporação das questões ESG. Isso foi feito, principalmente, por jornadas de capacitação dos profissionais e pela representação do setor em fóruns e conferências, consolidando a associação como referência da sustentabilidade no mercado de capitais.

Confira as principais iniciativas.

Unindo forças a CNseg e Febraban e com o apoio de nove entidades (ABVCAP, Amec, BID, B3, Fin, Gfanz, Pacto Global, PRI e Unep-FI), criamos um espaço comum de aprendizado e alinhamento estratégico em torno das finanças climáticas. Com mais de 2 mil profissionais formados, a jornada teve seis workshops de capacitação sobre temas como risco, governança, financiamento, estratégia, emissões, planos de transição, produtos e serviços, relatos e metas — todos sob o viés de clima e biodiversidade —, oito encontros de engajamento da alta liderança e produção de diversos documentos de letramento. O objetivo foi preparar os agentes do mercado para que o setor se posicionasse de forma estratégica não só na COP30, mas também no PRI In Person. Foram capacitadas 1.303 pessoas.

Saiba mais sobre a Jornada rumo à COP

Desenvolvida ao longo de todo ano de 2025, a jornada culminou na participação da Associação na COP 30, representando o mercado de capitais brasileiro em Belém. Essa atuação fortaleceu o diálogo entre instituições nacionais e stakeholders como governos, entidades internacionais, bancos multilaterais e projetos sustentáveis, além de contribuir para consolidar a Anbima como referência em sustentabilidade no mercado de capitais.

Construímos uma trilha de conhecimento para apoiar os profissionais dos mercados financeiro e de capitais no entendimento e no uso prático das normas IFRS S1 e S2, que determinam o relato de informações financeiras sobre sustentabilidade (S1) e sobre clima (S2). A CVM foi pioneira ao integrar essas diretrizes à Resolução 193, que entra em vigor em 2026 de forma obrigatória para companhias abertas, e voluntária para fundos de investimento e securitizadoras. Tivemos quatro workshops técnicos, que capacitaram 86 profissionais.

Saiba mais sobre a Jornada IFRS

A série de jornadas de capacitação em sustentabilidade da Anbima fechou o ano abordando blended finance. Em três workshops técnicos, 158 profissionais aprenderam sobre fundamentos, atração de capital, métricas e exemplos nacionais e internacionais que podem ser replicados.

A iniciativa foi continuidade da Go Blended, campanha de disseminação de informações e realização de experiências envolvendo blended finance, que apoiamos em 2024 em parceria com a Din4mo, empresa focada na estruturação dessas operações.

Saiba mais sobre a Jornada de Blended Finance

Publicamos em 2025 a segunda edição da pesquisa que mapeia a maturidade do mercado de capitais em relação a diversidade e inclusão. São informações transparentes, confiáveis e atualizadas que servem de base para a Anbima traçar as próximas iniciativas de fomento à diversidade no setor.

O levantamento trouxe dados inéditos sobre gênero, raça e deficiência das equipes das instituições que atuam no setor, mostrando que o mercado é formado por 64,4% de homens, 80,9% de pessoas brancas e 97,5% de pessoas sem deficiência — o cenário varia de acordo com o segmento de atuação das casas.

A pesquisa também mapeou iniciativas práticas, grau de maturidade e principais desafios.

Saiba mais sobre a pesquisa de diversidade.

Fortalecemos a atuação da Anbima como referência em sustentabilidade no mercado de capitais participando de 29 painéis em 25 eventos, incluindo fóruns internacionais de renome como PRI In Person – do qual fomos patrocinadores e contribuímos com um evento na programação paralela, com um stand na feira de expositores e participação em painéis na programação oficial – e Climate Week NY.

Também firmamos importantes parcerias com o PRI, para lançamento de uma microcertificação sobre investimentos sustentáveis, e com a World Climate Foundation, para aproximar o mercado de capitais brasileiro dos investidores internacionais e posicionar o nosso setor como estratégico para o financiamento da transição.

Inovação

Avançamos de forma consistente na agenda da Rede ANBIMA de Inovação, criada para aproximar o mercado de capitais do ecossistema inovador, realizar a curadoria de tendências relevantes para o setor e apoiar o desenvolvimento de soluções que respondem aos desafios das instituições financeiras.

A seguir, as principais iniciativas dessa agenda.


Projeto de tokenização

Projeto de tokenização

Um dos grandes marcos do ano foi o início do projeto-piloto de rede DLT para emissão e negociação de debêntures e a gestão de fundos de investimento. A iniciativa já reúne quase 277 participantes, entre instituições associadas e não associadas, e conta com uma governança robusta que integra reguladores e agentes de mercado.

Jornada de Inteligência Artificial

Jornada de Inteligência Artificial

Após o êxito da edição de 2024, a jornada retornou com uma nova série de quatro encontros dedicados aos desafios da implementação e do uso da inteligência artificial. O conteúdo foi enriquecido pelo Guia de Boas Práticas na Contratação de Sistemas de IA e pelo Guia de Boas Práticas no Ciclo de Vida da IA, além de três drops de inovação que ampliaram a disseminação de conhecimento.

Saiba mais sobre a Jornada de IA

Assistente Anbima

Assistente Anbima

O desenvolvimento do chatbot de IA generativa para responder dúvidas sobre a autorregulação da associação, originado no programa Discovery.IA em 2024, ganhou tração. A solução já se encontra em fase beta e foi testada pelos participantes do programa antes de avançar para as próximas etapas de desenvolvimento.

Radar de Futuros

Radar de Futuros

Lançamos uma ferramenta que mapeia 50 tendências, inovações e movimentos com potencial de transformar os mercados financeiro e de capitais até 2035. Disponível online e gratuitamente, o Radar de Futuros oferece explicações detalhadas e uma assistente de IA para aprofundar cada descoberta. Para ampliar a reflexão sobre os principais destaques, criamos uma trilha de conhecimento com três encontros virtuais voltados à discussão de oportunidades e ao futuro da governança e do investidor.

Certificação e educação

GRI 203-1

Concentramos esforços na condução do processo de transição das certificações de distribuição, uma das principais transformações do nosso sistema de certificação profissional. A iniciativa impacta mais de 500 mil profissionais, além de pessoas que buscam se certificar, e responde à necessidade de alinhar a formação às atividades efetivamente exercidas na carreira de quem atua ou quer trabalhar no mercado financeiro.


Definimos a substituição das certificações CPA‑10, CPA‑20 e CEA por uma nova estrutura baseada em competências e atividades, composta pelas certificações CPA, C‑Pro R e C‑Pro I, que entram em vigor em 2026.


Ao longo de 2025, definimos e comunicamos de forma ampla e transparente as regras de transição, assegurando previsibilidade e segurança aos profissionais e às instituições. Estabelecemos que os profissionais com certificação válida poderão realizar a migração por meio da conclusão de microcertificações, disponíveis no ANBIMA Edu, nossa plataforma gratuita de educação e qualificação, sem a necessidade de novos exames. Esse processo permite a atualização gradual dos profissionais, de acordo com suas certificações atuais vigentes.


Esse trabalho de preparação reforçou o conceito de aprendizagem contínua e apoiou o mercado na adaptação ao novo modelo, promovendo uma transição estruturada, transparente e orientada à qualificação, em linha com nossos compromissos de integridade do mercado e proteção dos investidores.

Demos um passo relevante na internacionalização das certificações da Anbima ao estabelecer a equivalência da CPA com o Certificado de Profissional de Finanças da EFPA, da Espanha, com validade em todos os países da União Europeia a partir de 2026. O reconhecimento amplia o potencial de atuação e a mobilidade profissional das pessoas certificadas, conectando a formação brasileira com um padrão europeu amplamente reconhecido.


Ao promover o alinhamento com uma entidade de referência no mercado europeu, fortalecemos o posicionamento do Brasil em um ambiente financeiro global cada vez mais integrado e contribuímos para a evolução contínua da qualificação profissional no mercado de capitais.

Divulgamos a 8ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, consolidando o estudo como uma das principais referências para a compreensão do comportamento financeiro da população. A pesquisa aprofundou temas relevantes para o mercado e para a formulação de políticas de educação financeira, evidenciando os impactos emocionais das decisões financeiras, da volatilidade e do endividamento sobre o bem‑estar das pessoas.

Nesta edição, avançamos na análise do estresse financeiro e das apostas esportivas, trazendo dados inéditos e sobre a relação desse tipo de prática com o planejamento financeiro, além de seus possíveis efeitos sobre o orçamento das famílias.

O alcance do estudo reforçou sua relevância: o Raio X foi destaque em 341 reportagens publicadas em 109 veículos de comunicação, ampliando o diálogo com a sociedade e fortalecendo nosso papel na disseminação de informações que contribuem para um mercado mais transparente e para a educação financeira dos brasileiros.

Ampliamos a atuação do Programa de Voluntariado da Anbima ao levarmos, pela primeira vez, as ações para Belém, durante a World Investor Week, entre os dias 7 e 10 de outubro. As atividades reforçaram nosso compromisso com a ampliação do alcance regional da educação financeira e combinaram educação e entretenimento, com a utilização do jogo de tabuleiro Finanças em Jogo, desenvolvido pela Anbima para apresentar conceitos financeiros de forma lúdica e acessível. As iniciativas também contaram com divulgação na imprensa e nas redes sociais institucionais, ampliando sua visibilidade.

Em São Paulo realizamos as demais ações do voluntariado ao longo do ano. Durante a Global Money Week, em março, cerca de 370 jovens participaram das atividades educativas com o Finanças em Jogo. Já na Semana ENEF, em maio, atendemos aproximadamente 2,5 mil estudantes, com o apoio de 21 voluntários. As ações foram conduzidas por profissionais das instituições associadas e aderentes aos Códigos da Anbima, que atuaram de forma voluntária na disseminação da educação financeira, contribuindo para uma relação mais consciente com o dinheiro desde cedo.

Foi formalizada a participação da Anbima na nova fase do programa Aprender Valor, iniciativa do Banco Central, agora voltada ao ensino médio. Nessa etapa, cabe à Anbima a governança da parceria estabelecida com o BC, a CVM e o Sebrae, bem como a condução de todo o desenvolvimento pedagógico do programa, incluindo a elaboração da Matriz de Competências em Letramento Financeiro. Ao Sebrae e ao Banco Central compete a estratégia de distribuição nacional da iniciativa. Essa atuação fortalece o diálogo institucional com o Ministério da Educação e reafirma o compromisso da Anbima com a promoção da educação financeira desde a base escolar.

A parceria com o BC contempla ainda o patrocínio do Prêmio Aprender Valor, que reconhece docentes de todo o país por práticas de destaque em educação financeira. A edição mais recente da premiação integrou o 2º Encontro de Educação da Anbima, que reuniu instituições como FGC, BC, Sebrae, B3, Febraban e CVM, promovendo a aproximação entre o mercado e o setor educacional e ampliando o debate sobre formação financeira no Brasil.

Logo ANBIMA