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“Sustentabilidade é um caminho sem volta”

A declaração é de Carlos Takahashi, novo coordenador do Grupo Consultivo de Sustentabilidade. Em entrevista, ele detalha a agenda do grupo, que inclui um diagnóstico da adoção de práticas ASG no Brasil e a inserção do tema nas certificações

Caca.JPGAs discussões sobre sustentabilidade ganharam reforço na Associação: Carlos Takahashi (foto), conhecido no mercado como Cacá, assumiu a coordenação do Grupo Consultivo de Sustentabilidade. “Tive o prazer de ser o primeiro coordenador do grupo técnico que discutiu o tema em 2015, e fico honrado de voltar à mesa de discussões”, conta Cacá.

A volta do executivo à liderança do grupo coincide com o aumento do debate sobre sustentabilidade no mercado de capitais e na sociedade como um todo. Para responder aos desafios impostos, Cacá encabeçará uma agenda ambiciosa focada na disseminação do assunto e em iniciativas para o incentivo à adoção de práticas ASG (ambientais, sociais e de governança). “Sustentabilidade é um caminho sem volta. Apenas negócios que levem em conta os critérios ASG (ambientais, sociais e de governança) na construção de portfólios e na gestão de riscos sobreviverão no longo prazo”, afirma.

Entre as ações está um levantamento para conhecer o entendimento do mercado quando o assunto é sustentabilidade. Com esse mapa em mãos, será traçado o raio x das práticas ASG no mercado brasileiro. “Esse estudo será divulgado no primeiro semestre de 2021 e repetido periodicamente para termos uma base de dados consistente e relevante sobre o tema”, conta Cacá. Outra frente está relacionada à educação, buscaremos avaliar a inclusão do tema no conteúdo das certificações da ANBIMA e também nos cursos para investidores. “A disseminação de informações é essencial para a construção de uma cultura em prol da sustentabilidade”, afirma o executivo.

Confira mais detalhes na entrevista que Cacá concedeu ao portal ANBIMA.

Como é estar de volta à liderança do grupo de sustentabilidade?

Eu tive o prazer de ser o primeiro coordenador do Grupo Técnico de Sustentabilidade, logo que foi criado em 2015, e fico honrado de voltar à mesa de discussões. De lá para cá, o debate sobre sustentabilidade evoluiu muito e a ANBIMA liderou importantes iniciativas, como a criação do Guia ASG, que reúne recomendações para implementação de políticas de sustentabilidade. Foram diversos gols como esse e pretendemos dar continuidade e avançar com essa agenda, que se faz ainda mais relevante no momento em que estamos vivendo.

Qual foi a motivação para a reestruturação do grupo?

No ano passado, a ANBIMA reestruturou o conjunto de organismos que formam a governança de representação institucional da Associação. É onde estão os fóruns, comissões e outros grupos que discutem os assuntos que estão na nossa pauta para desenvolvimento do mercado. Dada a importância do tema, sustentabilidade ganhou o status de grupo consultivo, ou seja, trata de um tema transversal que diz respeito ao mercado como um todo. Até por isso, o grupo se reporta diretamente à Diretoria da ANBIMA, sem estar ligado a algum fórum ou comissão. Aproveitamos a mudança para ampliar a pluralidade do organismo, trazendo profissionais do sell side, que são estruturadores e coordenadores de ofertas públicas, para as discussões, que antes contavam apenas com representantes de assets.

A pauta de sustentabilidade está em alta e envolve diversos setores da economia. Como vê a importância dela para o mercado de capitais?

É fundamental. Nos últimos tempos, o assunto ganhou maior alcance por conta dos efeitos proporcionados pelo isolamento social, como redução nas emissões de carbono e no consumo de energia elétrica, rios mais limpos, entre outros benefícios. É uma pauta ampla que não deve sair de moda em nenhum dos setores. Costumo dizer que sustentabilidade é um caminho sem volta. Quando falamos especificamente do mercado de capitais é uma questão de sobrevivência: apenas negócios que levarem em conta os critérios ASG na construção de portfólios, na gestão de riscos e nas alocações sobreviverão no longo prazo.

Esse movimento é impulsionado pelos investidores?

A procura dos investidores ainda é tímida quando comparada com o que acontece nos países europeus, por exemplo. Ela tende a crescer e já vem com força nas gerações mais jovens, que têm influência sobre a sociedade como um todo. Do outro lado, vejo o mercado de capitais consciente desta necessidade de mudança e começa a dar primeiros passos na realocação de capital. Para quem ainda não aderiu a esse movimento, essa é a hora dos players se prepararem na busca por ativos que atendam à expectativa dos clientes e, ao mesmo tempo, beneficiem a sociedade.

Quais são os benefícios da adoção de práticas ASG na tomada de decisões de investimentos?

As vantagens são inúmeras. As práticas ASG permitem a antecipação de avaliação de risco das companhias, têm apelo para atrair investidores institucionais e estrangeiros, que são uma fonte importante de funding para o país, além de promoverem uma aproximação com os investidores mais jovens, que enxergam valor em investimentos feitos com propósito. Isso sem falar da principal vantagem de todas: a contribuição com uma sociedade e meio-ambiente mais sustentáveis para essa e as próximas gerações.

É possível medir o engajamento do mercado brasileiro em relação às práticas ASG?

Ainda é difícil. Em 2016 e 2018, o antigo Grupo Técnico de Sustentabilidade fez duas pesquisas quantitativas para medir o grau de engajamento das gestoras sobre os potenciais impactos ASG em suas análises de investimento. De lá para cá, o tema evoluiu bastante, não apenas com relação à adoção de práticas, mas também passou a ter um alcance maior entre os players.

Mas a discussão é mais ampla: notamos que ainda falta de consenso das instituições financeiras sobre o que é sustentabilidade. Por isso, uma das principais iniciativas do grupo é a realização de um raio x do assunto no Brasil. Vamos mapear o modelo mental dos players sobre o que é sustentabilidade e depois fazer um diagnóstico do cenário com informações mais precisas, como ativos sob gestão, estratégias mais usadas, entre outros. Esse estudo será divulgado no primeiro semestre de 2021 e repetido periodicamente para termos uma base de dados consistente e relevante sobre o tema. Ele trará importantes insumos do entendimento do mercado para que possamos avançar de forma mais certeira nas lacunas identificadas.

Como a ANBIMA auxilia as instituições financeiras na adoção de práticas sustentáveis?

Nós trabalhamos com a disseminação de informações e recomendação de boas práticas. Atualmente, temos um Guia ASG, que lista orientações mínimas para gestoras implementarem políticas sustentáveis, com destaque para diretrizes e recomendações importantes, como a definição e divulgação dos critérios ASG incorporados na política de investimento, constituição de uma governança adequada e devida publicidade. O guia foi publicado no início desse ano e também traz principais conceitos para incorporação dos aspectos ASG nas análises de investimento, as estratégias mais utilizadas, principais referências e regulação nacional e internacional e estudos de caso de instituições que adotam esses critérios. Nossa intenção é avaliar a sua atualização, buscando detalhar essas recomendações.

Começamos a olhar também o sell side, ou seja, entender com maior profundidade as práticas sustentáveis das companhias emissoras de papéis e promover uma conexão entre o buy side (gestoras de recursos) e o sell side. Nossa primeira ação será um painel no Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, evento online da ANBIMA em parceria com a B3, sobre os ganhos destas empresas, os diferenciais e as mudanças decorrentes da adoção de uma agenda ASG.

A inclusão do tema sustentabilidade no conteúdo das certificações da ANBIMA pode ser um caminho para auxiliar as instituições?

Sem dúvida! A disseminação de informações é essencial para a construção de uma cultura em prol da sustentabilidade. Do lado dos profissionais, a ANBIMA discute a maior capacitação sobre o assunto. Está em análise a inclusão do tema no conteúdo das certificações e a criação de cursos gratuitos, que seriam oferecidos na nossa plataforma de educação continuada. Para os investidores, o foco é oferecer cada vez mais informações nos canais de comunicação da ANBIMA. Apenas uma sociedade bem informada é capaz de fazer escolhas conscientes e responsáveis.

Está prevista a divulgação de mais informações sobre os fundos ASG?

Atualmente, temos uma base de dados de fundos de ações sustentáveis. Estamos estudando a ampliação dessas informações para outras classes de fundos, como renda fixa e multimercados, dando um panorama de toda indústria.

Há planos de incluir regras de sustentabilidade na autorregulação?

Por enquanto não. O mercado ainda precisa avançar, de forma voluntária, antes de trazermos regras e exigências. Há passos anteriores para percorrer antes de pensar na autorregulação, como conhecer, de forma detalhada, as boas práticas internacionais de países mais desenvolvidos no tema, o entendimento do mercado brasileiro sobre ASG e o grau de maturidade local. Essas etapas estão sendo conduzidas pelo grupo e, quando concluídas, serão de grande utilidade para todos.

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